Presidente da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), o capixaba Munir Abud informou que a universalização dos serviços de saneamento básico vai exigir um volume expressivo de capital. Segundo ele, estudos anteriores estimavam cerca de R$ 700 bilhões em investimentos, mas, ressaltou Abud, os valores atualizados já podem se aproximar de R$ 1 trilhão.
“Estamos falando de uma necessidade de investimento que pode chegar à casa de R$ 1 trilhão. Esse recurso não está concentrado em uma única fonte. O orçamento público é limitado, e as companhias, isoladamente, não conseguem financiar a universalização com recursos próprios. Por isso, a parceria com a iniciativa privada é estratégica”, afirmou, ao participar do painel de abertura do evento “Raio-X das PPPs de Saneamento”, realizado na terça-feira (24/02), na Arena B3, em São Paulo. O cenário de forte mobilização e altas expectativas para o saneamento foi o tema central do painel.
Ao abordar o momento do setor, Munir Abud destacou o avanço do saneamento na agenda pública e política. “É inegável que o saneamento ganhou centralidade no debate público. Hoje, é um tema presente nas campanhas e cada vez mais cobrado pela sociedade. Essa pressão é positiva, porque eleva o nível de responsabilidade dos gestores e fortalece o compromisso com a universalização”, afirmou durante o painel “Cenários para investimentos, estruturação dos projetos e potenciais riscos para os leilões de saneamento de 2026”.
As perspectivas para 2026 são consideradas robustas, com leilões estruturantes já previstos. Abud citou como exemplo o leilão da Saneago, estimado em aproximadamente R$ 6 bilhões. “O leilão da Saneago já está marcado e representa um investimento da ordem de R$ 6 bilhões. Trata-se de uma companhia relevante, que demanda aportes consistentes para cumprir as metas de universalização”, destacou.
Outro projeto mencionado foi a PPP da Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa), com investimento estimado em R$ 8,4 bilhões. “Temos um conjunto de projetos relevantes em estruturação. A expectativa é de um ano que começa aquecido, com operações de grande porte. Isso sinaliza maturidade e dinamismo do setor”, acrescentou o capixaba.
Para o presidente da Cesan e da Aesbe, a atração de capital depende diretamente de estabilidade regulatória e segurança contratual. “O investidor precisa ter previsibilidade. É fundamental que os contratos estejam protegidos de mudanças conjunturais a cada ciclo eleitoral. Saneamento é política de Estado, não de governo. A estabilidade institucional é condição para investimentos de longo prazo”, pontuou.
Munir Abud também destacou a resiliência do setor, inclusive durante a pandemia, quando os investimentos foram mantidos. “Mesmo em um cenário de crise, a inadimplência não alcançou níveis que comprometessem a sustentabilidade das companhias. Os investimentos seguiram sendo executados, o que demonstra a solidez do setor”, observou.
Segundo o presidente da Cesan, essa característica tem atraído novos perfis de investidores, especialmente fundos com visão de longo prazo. “Há um aumento consistente de novos players no saneamento, com fundos de investimento disputando ativos no setor. Quando há clareza regulatória e segurança jurídica, o ambiente se torna naturalmente mais atrativo para o capital”, concluiu.
O “Raio-X das PPPs de Saneamento” segue ao longo do dia com debates sobre estruturação de projetos, impactos regulatórios e perspectivas para o futuro do saneamento no Brasil.



