A Unidos da Piedade desfilava normalmente no Sambão do Povo, no bairro Mário Cyprestes, na Grande Santo Antônio, em Vitória, quando o governador Renato Casagrande (PSB) e o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) foram convidados pela deputada estadual Janete de Sá (PSB) a se deslocarem até a concentração, onde a Independência de Boa Vista estava pronta para ser a próxima agremiação a entrar na avenida.
Casagrande e Ricardo se encaminharam a pé, passando pelo chamado corredor que fica entre a pista dos desfiles e os camarotes, onde, no entanto, já estavam concentradas centenas de torcedores para acompanhar o desfile da noite de sábado (07/02). A cada passo que davam, o governador e seu vice eram parados pelas pessoas e cumprimentados. Pararam dezenas de vezes para fotos e vídeos, além de ouvir o tradicional “parabéns” pela gestão que fazem à frente do Governo do Estado.
A primeira escola a desfilar no sábado já tinha passado pela avenida, que foi a Rosa de Ouro. Enquanto Casagrande e Ricardo cumprimentavam o povo e eram literalmente ‘tietados’, o puxador da Piedade, Kleber Simpatia, dava conta do recado. O relógio passava um pouco da meia-noite quando o desfile da Piedade precisou ser interrompido após um problema no fornecimento de energia elétrica afetar o sistema de som do Sambão do Povo.
A agremiação ficou cerca de 40 minutos parada na avenida, enquanto aguardava a resolução do problema. O cronômetro que controla o tempo de desfile foi pausado quando marcava 24 minutos. No entanto, tão logo houve o problema da falta de energia, Kleber Simpatia conseguiu agitar a multidão, afirmando que, por ele, poderia levar o samba enredo no “gogó”. E mandou o seguinte recado para o público que estava nas arquibancadas e nos camarotes: “Pessoal, vamos levar no gogó?”
Todavia, a torcida veio abaixo, com o seguinte refrão: “Fora, Pazolini; Fora Pazolini; Fora, Pazolini!”.
A insatisfação com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), não veio apenas das arquibancadas. Aconteceu também entre os foliões da Piedade, que, parados na pista, reclamaram bastante da “desorganização” do Carnaval, que é promovido pela Prefeitura de Vitória. Muitos deles também gritaram o “fora, Pazolini”, além de entoar outros gritos das arquibancadas como “fora, Bolsonaro” – numa alusão do ex-presidente Jair Bolsonaro (P), que está preso depois de ter sido condenado pela acusação de tentativa de golpe de Estado.
O governador Renato Casagrande ia aos estúdios da TVE, que transmitiu os dois dias do desfile das escolas de samba capixabas, para uma entrevista ao vivo. Teve que desistir por conta do convite feito pela deputada Janete de Sá para ir até a concentração ver os integrantes da Boa Vista. Casagrande e Ricardo Ferraço levaram cerca de uma hora para chegar à concentração por que eram parados até todo instante pela multidão.
Já o prefeito Lorenzo Pazolini ficou em seu camarote, de onde ouvi os gritos de hostilidades. Durante os gritos de “Fora, Pazolini”, apenas a vice-prefeita Cris Samorini foi vista com seu ‘staf’ andando meio perdida pela avenida.
Mais tarde, Casagrande visitou camarotes, inclusive, o da Câmara Municipal de Vitória. Vereadores comentaram que até aquele momento o prefeito Lorenzo Pazolini estava “entocado” em seu camarote e sequer foi visitar o da Câmara: “O governador do Estado veio nos visitar; o prefeito não”, disse um aliado de Pazolini. Lá, ele foi cumprimentados pelos veereadores, com que fez fotos.



