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Em discurso na abertura do ano legislativo, na tribuna da Assembleia Legislativa, o governador Renato Casagrande (PSB) criticou o autoritarismo e a polarização política. Afirmou ainda que o Espírito Santo não pode “voltar ao passado”. E, ao citar o Sermão da Montanha e as bem-aventuranças – conforme prega o Evangelho de Mateus –, Casagrande disse que é preciso buscar a paz, governar com mansidão e combater a “arrogância e a prepotência”.

Casagrande afirmou também que o  “segredo” do sucesso do Espírito Santo está na capacidade do convívio. Ele pediu diálogo e humildade aos governantes em defesa da democracia num período marcado por intensa polarização e violência política a nível mundial.

“Estamos num momento em que é preciso fazer uma força contrária ao excesso de arrogância, de prepotência e de violência que a gente vê em alguns representantes das nossas instituições do Brasil, outros Estados, mas no mundo, em especial, o que a gente assiste é um nível de violência muito intenso”, afirmou Casagrande.

Renato Casagrande governa o Espírito Santo pela terceira vez – o segundo mandato consecutivo. Em suas gestões, sempre predominou o respeito às instituições e ao diálogo com todos os seguimentos. Por isso, ele afirmou que a sociedade não quer uma volta a um passado de autoritarismo.

“Você pode governar com autoridade sendo humilde e tendo capacidade de diálogo, não precisa ser arrogante, prepotente, autoritário, achar que o governo é vertical, de cima pra baixo. A gente tem que compreender que esse é o momento de ter uma sociedade horizontal e o governante tem que estar aberto a dialogar com todo mundo, porque isso é o que a sociedade deseja hoje”. E acrescentou:

“Ninguém quer um retorno ao passado, em que a gente tenha autoritarismo e força para poder manter o controle das instituições. As instituições hoje têm liberdade de conversar, dialogar, expor os seus problemas e, juntos, vamos encontrar um caminho. Esse é o segredo do nosso Estado e por isso esse é o momento mais importante que a gente está vivendo”.

Trazendo para o contexto da atual legislatura, o governador Casagrande lembrou que a pauta nos últimos anos foi naturalmente dominada por grandes desafios exigindo dos parlamentares “um nível de centralidade, de equilíbrio e de diálogo muito grande (…). O segredo do nosso Estado é essa capacidade que a gente tem de conviver”.

“Veja que o presidente [da Assembleia Legislativa] Marcelo Santos hoje conseguiu fazer com que todas as instituições públicas e boa parte das instituições da sociedade pudessem estar presentes neste momento. Essa é uma pedra angular que sustenta todo um projeto de Estado, capacidade de convivência, soberania, uma posição autônoma, mas ao mesmo tempo de parceria, com objetivo claro de fortalecer as instituições”, destacou.

Polarização

Renato Casagrande opinou ainda que o maior desafio para a classe política e todas as instituições vem da polarização e da violência política da atualidade, que, segundo ele, nasceu em 2013 e foi claramente vivida em 2018 e 2022 – período marcado por outros desafios centrais.

“Teve que enfrentar e sobreviver a essa polarização, mas a gente tem que comemorar esse momento que a gente está vivendo aqui no estado. Enfrentamos outros desafios nesse período, como por exemplo os eventos climáticos extremos, que passaram a se repetir com muita intensidade. Nós vivemos o maior desafio dos últimos 100 anos, que foi a pandemia de 2020 e 2021. Nós passamos juntos por esse momento da pandemia e na pandemia que a gente viu que a doença da polarização ficou muito mais visível”, alertou.

Com um plenário lotado, o governador capixaba pediu consciência dos agentes políticos de que, assim como a polarização, a possibilidade de outras pandemias ou eventos climáticos extremos pode exigir novamente mais esforço para conviver. “Mas a certeza é de que a democracia prevalecerá se esse ambiente que a gente tem aqui puder prevalecer”.

Transformação do Estado

O papel de todos os Poderes e instituições na atual capacidade de investimentos do ES também rendeu recado do governador:

“Não é só da responsabilidade do governador e do vice, não. É da responsabilidade de cada instituição que gerencia com rigor o seu orçamento, que ajuda a gente a fazer essa transformação. Veja como foi importante chegar ao final de 2025 com a menor taxa de desemprego da história, chegar ao final de 2025 em primeiro lugar na transparência do nosso país, com a menor taxa de homicídio da nossa história, em primeiro lugar no ensino médio”.