Quarto vereador mais bem votado de Vitória nas eleições de outubro de 2024 com 4.101 votos, Dárcio Bracarense (PL) é outro político capixaba que se tornou vítima de notícias falsas e de ataques de ódio por parte das milícias digitais integradas e patrocinadas por aliados do prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Tornou-se vítima por ser o único dos 21 parlamentares do Legislativo Municipal a cobrar com veemência o que considera iniciativas e posturas equivocadas e irregulares da administração. E mais: dos 23 vereadores da Capital, é o único que não tem cargo na gestão Pazolini.
Apontado como o maior político bolsonarista do Espírito Santo – os demais, em sua maioria, são oportunistas –, ele encara o desafio de enfrentar as milícias e, nesta quarta-feira (15/10), disparou:
“O prefeito Pazolini nunca pronunciou o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em sua trajetória política. Pazolini está em maus lençóis com a direita e os conservadores capixabas. Na verdade, Pazolini não é bolsonaristas ele é hartunguista”, afirmou Dárcio Bracarense.
‘Hartunguista’ é o termo usado para apelidar aliados do ex-governador Paulo Hartung (PSD). Em entrevistas a veículos de comunicação e nas suas redes sociais, Hartung, apontado como responsável por uma das piores gestão da segurança pública capixaba – em seus três mandatos –, rasga a seda para Lorenzo Pazolini.
Técnico em Marketing e graduado em História, Dárcio Bracarense tem no professor Olavo de Carvalho a maior contribuição em sua formação. Olavo de Carvalho, que morreu em 24 de janeiro de 2022, ficou conhecido por ser anticomunista e apontado como responsável pelo nascimento da Nova Direita brasileira. É considerado como guru de Bolsonaro pela forte ligação com o ex-presidente da República.
A caminhada de Dárcio Bracarense começou em 2011, quando ele ajudou a fundar o movimento nacional ‘Nas Ruas Contra a Corrupção’, ao lado de outras lideranças políticas brasileiras ligados à direita. No movimento comunitário, atuou como Coordenador Geral e de Segurança da Associação de Moradores de Jardim da Penha, onde desenvolveu uma série de ações como um aplicativo para o “Rede Comunidade Segura” que contribuiu com uma acentuada queda dos índices de criminalidade. “Derrotamos os petistas, como Alexandre Passos, Marcelão, que até então dominavam a Associação de Moradores do bairro”, lembra Bracarense.
O vereador conta ainda que seu primeiro engajamento numa eleição foi em 2012, quando parte da direita capixaba se uniu em torno da eleição de Luciano Rezende (Cidadania) para prefeito de Vitória:
“Políticos como o hoje senador Magno o Malta, o ex-deputado federal Carlos Manato, dentre outros, se uniram para derrotar a candidata Iriny Lopes (PT), que tinha o apoio do então prefeito João Coser. Luciano venceu e teve como vice Waguinho Ito, indicado pelo Magno”, pontua Bracarense.
Partidos que ajudaram a eleger Luciano Rezende fizeram parte da administração e Dárcio Bracarense, devido a sua experiência, foi nomeado gerente de Controle Ambiental e Subsecretário de Meio Ambiente em Vitória.
“Nesse período, Vitória reduziu em mais de 50% a poluição atmosférica e a mitigação do impacto gerado por incríveis 40 milhões de litros de esgoto lançados no mar todos os dias”, recorda o vereador.
Como integrante do Comitê de Simplificação, ampliou o número de licenças ambientais em 550% e, em seguida, eliminou a existência de licenças e alvarás para comércios de até 200 m². Bracarense foi ainda responsável por uma multa aplicada à Vale, que culminou na interdição momentânea da mineradora.
Na Câmara Federal atuou como Assessor Técnico da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Coordenador de Estratégias da deputada Carla Zambelli (PL/SP) – com quem já havia atuado no movimento ‘Nas Ruas Contra a Corrupção’ –, chefe de Gabinete do deputado federal Coronel Meira (PL/PE). Dárcio também foi o Secretário Geral da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção do Congresso Nacional nos anos de 2023 e 2024.
Os primeiros passos de Dárcio Bracarense para entender o que seria o movimento da direita conservadora da qual ele faz parte foram dados há quase 20 anos: “Em 2007, eu já lia e seguia o professor Olavo de Carvalho no Orkut [uma das primeiras redes sociais]. Eu sempre estive no bolsonarismo raiz”.
No dia 28 de outubro de 2015, Dárcio Bracarense integrou o grupo de oito manifestantes que se algemou a uma pilastra no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília, em protesto pelo impeachment da então presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Os manifestantes faziam parte da Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, que congrega 42 grupos de todo o País favoráveis ao afastamento da Dilma, o que acabou ocorrendo. “Eu, a Karla Zambelli e outros patriotas passamos nove dias naquele Salão Verde e o impeachment foi votado”, diz Dárcio.
O vereador faz um desabafo às mentiras das quais ele é vítima: “Esses caras passam o dia assassinando reputações. Pior de tudo que são pagos com dinheiro público”. Perguntado se faz oposição ao prefeito Lorenzo Pazolini, Dárcio Bracarense afirma: “Trabalho de forma independente e faço posição em favor do povo de Vitória”.



