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Ao celebrar 90 anos de vida, completados em agosto, o jornalista José Antônio Nunes do Couto (Janc) comemora também um marco histórico: 50 anos da Copa Gazetinha, a maior competição de futebol infantojuvenil do Brasil, criada por ele em 1975. Nascido em 9 de agosto de 1935, em Aimorés (MG), Janc viveu a infância e a juventude em Águia Branca e Colatina,  municípios da Região Noroeste do Espírito Santo.

Apaixonado por desenho, transformava as paisagens das montanhas capixabas em ilustrações que chamavam atenção no comércio do pai. Incentivado por um representante comercial que percebeu seu talento, mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 1950. Lá, trabalhou na Rio Gráfica Editora — então a maior empresa de revistas e quadrinhos da América Latina — e se profissionalizou como chargista e desenhista.

O jovem ‘capixaba’ publicou capas em O Globo, vencendo concursos e lançando livros de desenho. No Rio, assinava “Colatina”, apelido que ganhou por falar tanto da sua cidade. Teve como referências e padrinhos profissionais Roberto Marinho e o cartunista Ziraldo.

Em visita à família — já radicada em São Gabriel da Palha, que até então era distrito de Colatina —, conheceu Maria de Lourdes Godoi, com quem é casado há 62 anos. Janc dividia seu tempo entre o Rio e São Gabriel, por conta do namoro com Maria de Lourdes. Até que, um dia, para ficar com a mulher amada, desistiu do Rio e retornou de vez ao Espírito Santo.

Em São Gabriel da Palha, onde se casou, Janc trabalhou como chefe de Gabinete do primeiro prefeito do município, Mauro Ribeiro Garcia. O município foi emancipado em 21 de fevereiro de 1963.  O jornalista foi o responsável por fazer o desenho da bandeira oficial de Sã Gabriel. Janc tem quatro filhos, oito netos e três bisnetos.

Logo, Janc ingressou no antigo jornal A Gazeta – o impresso foi extinto em 2019 –, aplicando o aprendizado do Rio na modernização daquele veículo de comunicação, com mudanças de diagramação e capa e destacando-se por 40 anos como chargista, editor e cronista esportivo. Nesse período, também fundou — ao lado do saudoso Carlos Fernando Lindenberg Filho, o Cariê, que foi presidente da Rede Gazeta de Comunicação — a Eldorado Publicidade, primeira agência de publicidade do Espírito Santo, em 1965.

Janc recorda como estimulou o patrão Cariê a criar uma agência de publicidade: “No Rio, já havia agências de publicidade, que levavam propagandas para os jornais e rádios. Aqui no Estado, não tinha. Os próprios jornalistas eram corretores de propagandas para os jornais. Naquela época, Cariê era dono de uma construtora, a Plano Engenharia, onde eu também trabalhava como produtor de publicidade. Falei com ele sobre a necessidade de ter uma agência de publicidade e Cariê me sugeriu nomes de profissionais”, diz Janc.

Foi aí que Janc convidou o também jornalista Oswaldo Oleari, que era redator de A Gazeta, para redigir as publicidades. Ele, Janc, era o criador e desenhista das artes, ao lado do também chargista Milson Henriques. E para o cargo de corretor, ele chamou José Roberto Prado Coelho – que mais tarde se tornaria dono de uma outra agência –, que trabalhava na Rádio Capixaba. Nascia aí a primeira agência de publicidade do Espírito Santo.

Janc ressalta também o fato de ter trabalhado nas três sedes de A Gazeta: duas na Rua General Osório, no Centro de Vitória; e na Rua Chafic Murad, na Ilha de Monte Belo, também na capital capixaba. Inicialmente, na General Osório, a sede do jornal era em um imóvel comum. Posteriormente, passou para vários andares do Edifício A Gazeta – que acabara de ser construído –, onde mais tarde passaram a funcionar também as recém criadas TV e Rádio Gazeta FM.

No térreo do prédio  também funcionava a gráfica onde o  jornal era impresso.

O nascimento da Copa Gazetinha, que ajuda a formar atletas e cidadãos

Envolvido com a crônica esportiva capixaba, Janc idealizou, em 1975, uma competição de futebol infantil que mobilizasse clubes e bairros. Lançada em dezembro de 1975, a primeira edição teve jogos em janeiro de 1976, no Aterro da Condusa (atual Praça dos Namorados, Praia do Canto, Vitória). Doze equipes participaram: Desportiva Ferroviária, Gerson Camata (time que levava o nome do então vereador. Que mais tarde se tornaria governador do Estado e senador da República), Cruzeiro, Guarani de Goiabeiras, Benfica, Estrelinha, Panorama, Goiabinha, Copinho, Rio Branquinho, Nacional e Tamoio. A partida inaugural colocou Desportiva Ferroviária contra Gerson Camata, que venceu por 2 a 0.

O sucesso foi imediato. Da Grande Vitória, a competição se expandiu por todo o Espírito Santo, ganhou notoriedade nacional e internacional e consolidou um propósito: unir famílias por meio do esporte e revelar novos talentos para o futebol. O nome ‘Copa A Gazetinha’ teve origem em um caderno especial do jornal A Gazeta voltado para o público infantil. Saía aos sábados junto ao jornal A Gazeta. Chamava-se A Gazetinha e era editado por Janc.

A Copa Gazetinha está sendo coordenada agora por um dos filhos de Janc, o também jornalista Rodrigo Couto. Com vasta experiência no jornalismo, Rodrigo iniciou a carreira em 1990 no jornal A Gazeta, foi para os Estados Unidos, onde estudou, e retornou ao Espírito Santo em 1998. Entrou, em seguida, para os quadros de A Tribuna, onde foi repórter de Polícia, repórter especial, editor de Polícia e editor-executivo-adjunto.

Apaixonado por futebol, Rodrigo também disputou a Copa Gazetinha quando adolescente. É ‘rival’ do pai na paixão clubística: Janc é torcedor da Desportiva; Rodrigo, do Rio Branco.

Rodrigo Couto afirma que a organização da Copa Gazetinha, desde o seu nascimento em 1975, exige que os jogadores de todas as idades que disputam competições apresentem declaração da escola onde estão matriculados para conseguir fazer a inscrição nas competições.

“Mais do que revelar craques, a Copa Gazetinha forma cidadãos. A vivência esportiva desenvolve valores que acompanham crianças e jovens por toda a vida — tanto que netos e bisnetos de ex-participantes hoje disputam a competição, perpetuando uma emoção de geração em geração. Em respeito à educação, a inscrição exige comprovante de frequência escolar”, resume Rodrigo Couto, que,, junto com seu pai Janc, recentemente foi recebido no Palácio Annchieta pelo governador Renato Casagrande e o vice-governador Ricardo Ferraço.

A Copa Gazetinha é um movimento esportivo e social que une famílias, escolas, comunidades e clubes em torno do futebol de base, com foco na formação humana e no desenvolvimento de talentos. Ao longo de 50 anos, tornou-se referência nacional pela organização, alcance e pela contribuição concreta ao esporte brasileiro.

 Talento que vira história

Ao longo de cinco décadas, a Copa Gazetinha impulsionou trajetórias de atletas que brilharam no Brasil e no exterior, entre eles: Geovani Silva (Vasco, Desportiva), Carlos Germano (Vasco), Sávio (Flamengo, Real Madrid), Jussiê (Cruzeiro, Bordeaux), Fabiano Eller (Mundial 2006 e Libertadores 2010 pelo Inter; bicampeão brasileiro pelo Vasco 1997–2000; Libertadores 1998), Cícero (Grêmio), Pedro Rocha (Flamengo, Grêmio), Maxwell (PSG, Ajax, Barcelona), Luan (Toluca, Palmeiras) e Richarlison (Tottenham) — além de muitos outros.

Atualmente, a Copa Gazetinha reúne mais de 300 equipes nas categorias Sub07, Sub09, Sub11, Sub13, Sub15 e Sub18, envolvendo mais de 9 mil atletas por ano, de Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

No próximo final de semana (21 de setembro de 2025), começa a Copa Gazetinha Dente de Leite (Sub07 e Sub09), com a participação de 60 equipes desses Estados. A competição é reconhecida como a maior do País no segmento infantojuvenil — pela longevidade (50 anos), pelo número de participantes e pelos resultados na revelação de talentos para o futebol brasileiro e internacional.

Serviço — Início da Copa Gazetinha Dente de Leite

Data: 21 de setembro de 2025

Categorias: Sub07 e Sub09

Participação: 60 equipes (ES, MG e RJ)

Dezembro: Gazetinha Fut7 Feminina

Janeiro 2026: Gazetinha Sub18

Janeiro 2026: Super Gazetinha Caparaó (Sub11, Sub13, Sub15)

Fevereiro 2026: Inicio da Copa Gazetinha 51 anos

Julho 2026: Finais Gerais, Sede: Linhares