Sebastião Salgado, um dos maiores nomes da fotografia mundial, morreu em Paris (França), aos 81 anos, nesta sexta-feira (23/05). Mineiro de Aimorés, cidade mineira que faz divisa com o Espírito Santo, ele tinha uma forte ligação com o solo capixaba. A informação da morte de Sebastião Salgado foi dada pelo Instituto Terra, fundado pelo fotógrafo e sua esposa, a capixaba Lélia Wanick.
Reconhecido internacionalmente por seu trabalho, Salgado ficou marcado pelo registro de seres humanos vivendo em condições subumanas. Seu trabalho denunciou as mazelas da sociedade em mais de 40 países e chamou a atenção para a importância da justiça social e da preservação do meio ambiente.
Ele nasceu em Aimorés, no interior de Minas Gerais, e formou-se em Economia antes de migrar para a fotografia. Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (1968) e doutor pela Universidade de Paris (1971), ele trabalhava na Organização Internacional do Café, em Londres, quando iniciou o desejo de fotografar. O trabalho exigia muitas viagens à África e Salgado gostava de documentar o que via.
Sebastião Salgado viveu parte de sua juventude no Espírito Santo e onde estabeleceu uma relação afetiva com a região. Morreu justamente no dia em que se comemoram os 490 anos da Colonização do Solo Espírito-Santense.

Ele morou e estudou em Vitória, onde se formou em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Salgado também tem um projeto ambiental no Estado, o ‘Olhos d’Água’, que visa a recuperação de nascentes no Vale do Rio Doce, em parceria com agricultores da região.
Detalhes da relação de Sebastião Salgado com o Espírito Santo:
- Juventude e estudos em Vitória:
Salgado passou sua adolescência e parte de sua juventude em Vitória, onde se casou com a capixaba Lélia Deluiz Wanick.
- Formação na Ufes:
Ele se formou em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1967.
- Projetos ambientais no Espírito Santo:
Salgado idealizou o Instituto Terra para promover a recuperação ambiental na região do Vale do Rio Doce, incluindo o projeto Olhos d’Água que atua no Espírito Santo.
- Homenagem em Vitória:
A escola de samba Independente de Boa Vista foi campeã do Carnaval de Vitória em 2025 com o enredo “Os Olhos do Mundo – Assombros de Sebastião Salgado”, que homenageou o fotógrafo e seu trabalho.
- Exposições em Vitória:
Salgado já esteve em Vitória para inaugurar exposições, como a “Outras Américas” e projeções de seus trabalhos, como a “Amazônia
Trajetória vitoriosa
Em 1974, Sebastião Salgado fez seu primeiro trabalho como fotógrafo freelancer para a agência Sygma. Rapidamente se destacou, sendo contratado por outra agência, a Gamma. No final de 1979, Salgado passou a integrar a Magnum, cooperativa que revolucionou a fotografia documental no século 20, fundada por nomes como Henri Cartier-Bresson e Robert Capa.
Na década de 1980, o fotógrafo já havia se estabelecido o suficiente para financiar projetos pessoais. No livro Outras Américas, de 1986, ele registrou povos indígena de toda a América Latina. Já com a série Trabalhadores, de 1997, documentou o trabalho manual e penoso de indivíduos ao redor do mundo, de minas de enxofre na Indonésia à pesca de atum na Sicília.
Durante a produção da série, Salgado realizou um dos trabalhos pelo qual é mais lembrado: o registro de garimpeiros na Serra Pelada, no Pará, que revela as condições desumanas em que a extração do ouro ocorria. Uma das imagens da série, a obra ‘Mina de Ouro de Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil’, foi eleita pelo jornal New York Times como uma das 25 imagens que definem a modernidade.
O fotógrafo também se dedicou a registrar a vida de migrantes, desabrigados e refugiados nos livros Exôdo e Retratos de Crianças do Êxodo. Para o projeto, ele viajou durante seis anos por mais de 40 países. “Este livro [Êxodos] conta a história da humanidade em trânsito. É uma história perturbadora, pois poucas pessoas abandonam a terra natal por vontade própria”, escreveu ele na introdução da obra.
Em 1994, Salgado fundou a agência Amazonas Images, dedicada ao seu trabalho. A maior floresta brasileira também foi tema de seus trabalhos. O fotógrafo passou seis anos viajando pela região e documentando seus povos, rios, montanhas e animais. As imagens estão reunidas em um livro e foram apresentadas em uma exposição que passou por cidades como Paris, Rio de Janeiro e São Paulo em 2022.
O mineiro foi reconhecido com alguns dos principais prêmios da fotografia mundial, como o Eugene Smith de Fotografia Humanitária, dois Prêmios ICP Infinity de Jornalismo, o Prêmio Erna e Victor Hasselblad e o prêmio de melhor livro de fotografia do ano do Festival Internacional de Arles por Workers, por Trabalhadores.
Ele morava em Paris com a mulher, Lélia Wanick Salgado, e deixa dois filhos, Juliano, que nasceu em 1974, e Rodrigo, de 1979. Juliano é cineasta e lançou em 2015, ao lado do diretor Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, que conta a trajetória de seu pai. O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário e recebeu o prêmio César, principal premiação do cinema francês.
O governador Renato Casagrande (PSB) postou nas redes sociais sua solidariedade aos familiares e amigos de Sebastião Salgado, lamentou a morte do fotógrafo, que quem chamou de gênio, e anunciou a decretação de luto oficial de três dias no Estado do Espírito Santo.
“Recebi com muita tristeza a notícia da morte de Sebastião Salgado, um dos gênios da fotografia e da luta socioambiental. Sua lente expôs ao mundo a dignidade humana e a urgência de preservar o planeta. Seu legado se eterniza no Instituto Terra”, pontuou Casagrande.
(Com informações também do Estadão)
(Foto: Rodrigo Zaca/Governo ES)



