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A jornalista e escritora Míriam Leitão foi eleita, na última quarta-feira (30/04), para a Cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), na sucessão do cineasta Cacá Diegues, morto em fevereiro de 2025. A nova imortal foi escolhida por 20 de 34 votos possíveis. Ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação, o economista Cristovam Buarque recebeu 14 votos. Míriam foi a 12ª mulher a ser eleita, a quinta em seu quadro atual de Acadêmicos. Além de uma vasta carreira como jornalista, Míriam Leitão possui 16 livros publicados de diversos gêneros literários: não ficção, crônica, romance e livros infantis.

Na disputa da vaga, estavam inscritos: Cristovam Buarque, Tom Farias, Ruy da Penha Lôbo, Antônio Hélio da Silva, Rodrigo Cabrera Gonzales, Daniel Henrique Pereira, Angelos D’Arachosia, José Gildo Pereira Borges, Tamara Ribeiro de Oliveira, Martinho Ramalho de Melo, Chislene de Carvalho, Edir Meirelles, Claudenilson Fernandes de Jesus, Ivan Luís Vieira Piffer e Marcia Camargos.

O presidente da ABL, Merval Pereira, disse que Miriam Leitão tem todas as qualificações para estar na ABL “e vai ser útil para nós porque é muito ativa nas suas ações e tem um espectro muito amplo de interesses – causa indígena, dos negros, e aqui estamos na mesma sintonia. Acho que será muito bom. Além disso, é feminina e feminista. Estamos precisando aumentar nossa representação feminina e Míriam vem em boa hora. Estamos ampliando nossa atuação em vários campos e Míriam vai ser muito útil. Esta eleição foi excelente, porque tivemos dois candidatos muito bons, especialmente Cristovam Buarque, que teve uma excelente votação também. Foi muito bom para a Academia.”

Uma comitiva da ABL, cuja sede fica no Rio, foi levar a notícia até a casa da escritora: “Meu sonho era escrever livros, ser capaz de escrever livros. E os livros me levaram até esse ponto, a Academia Brasileira de Letras, que é uma instituição de 128 anos, que tem um papel muito importante na sociedade brasileira, fundada por Machado de Assis, e o papel é preservar a língua portuguesa, proteger o nosso patrimônio cultural”, afirma Míriam Leitão.

A nova imortal tem uma obra vasta, que inclui a ficção, com crônicas, romance e literatura infantil. Mas a fama dessa jornalista-escritora veio principalmente de livros que explicam a realidade do Brasil. Míriam Leitão tem um olhar diferente porque fala de economia mas não com números e, sim, com pessoas. Ela escolheu ouvir o povo, saber o que pensa quem faz compras e paga boleto. Sem nunca se contentar somente com as explicações de autoridades ou notas oficiais.

Esse inconformismo acompanha a trajetória da mineira de Caratinga, presa e torturada pela ditadura quando estava grávida do primeiro filho. Nessa época, Míriam Leitão morava no Espírito Santo e começou a escrever em jornais de Vitória. Mudou-se para Brasília e ganhou destaque trabalhando nos principais jornais do país. Em 1991, foi para o Grupo Globo. Atualmente, é comentarista no Bom Dia Brasil, na Globo, e na GloboNews, onde também comanda um programa. Também é comentarista da rádio CBN e colunista do jornal “O Globo”.

Míriam Leitão foi uma das pioneiras no Brasil e no mundo em abordar economia e meio ambiente como assuntos inseparáveis. Esse pioneirismo trouxe a ela reconhecimento internacional. Foi a primeira mulher brasileira a receber um dos prêmios de jornalismo mais importantes do mundo, o Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Na quarta-feira, a menina que sonhou ser escritora tornou-se imortal: “Papai mandava dormir e eu ficava lendo. Eu colocava o lenço e ficava lendo lá. Eu sou basicamente, no começo dessa história, uma menina de Caratinga que vivia agarrada nos livros”, conta Míriam Leitão.

Para Rosiska Darcy, em primeiro lugar é uma alegria receber Míriam Leitão na ABL. “É um merecimento dela, jornalista de todas as mídias, mulher conhecida de todo o Brasil. Esta eleição é sobretudo de uma mulher democrata, num pleito democrático. Então só temos que festejar. Eram dois ótimos candidatos, ela foi escolhida, isto vai com que eu esteja satisfeita, porque ela vem aumentar a presença de mulheres na Academia.”

O Acadêmico Ruy Castro comemorou a eleição de Míriam Leitão: “Esta é uma Academia de Letras e Míriam Leitão é uma praticamente de letras, profissional da palavra e na sua condição de colunista de jornal importante, ela é uma militante da palavra em ação, que é uma coisa que precisamos muito na Academia.”