Carregando...

O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, disse nesta segunda-feira (14/04), em Vitória, que o momento é de apreensão para o pescado brasileiro por conta do tarifaço aos produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. Recentemente, o presidente Donald Trump anunciou tarifas para importação de produtos de mais de 180 países. O Brasil ficou com a tarifa mais baixa, de 10%, para todos os produtos. Aço e alumínio, que têm taxas próprias já anunciadas, seguem com 25% de tarifa para os produtos brasileiros.

Em 2024, as exportações brasileiras de peixes de cultivo cresceram 102% em volume, totalizando 13.792 toneladas, e 138% em receita, atingindo US$ 59 milhões. A tilápia foi a principal responsável por esse avanço, representando 94% das vendas externas do setor.

“O que a gente espera que seja o mínimo possível, mas todo o mundo, todos os setores olham com apreensão, aguardam os desdobramentos dessa política de tarifaço dos Estados Unidos, que ainda não está clara. A decisão [do presidente Trump] traz apreensão para todo mundo, mas há quem diga – e eu sou dos que acreditam – que pode até trazer benefícios, sobretudo, para a nossa aquicultura, para a nossa tilapicultura”, disse o ministro André de Paula, durante visita ao Terminal Pesqueiro de Vitória, na Praia do Suá, onde foi recebido pelo governador Renato Casagrande.

Ele chegou em Vitória pela manhã. Por volta das 10 horas, foi para Piúma, no litoral sul capixaba, onde participa do lançamento do curso Requisitos Higiênico-sanitários em Embarcações Pesqueiras, no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Sobre o tarifaço americano, André de Paula disse que os EUA são o destino mais importante para a produção de tilápia e os produtores brasileiros têm uma expectativa favorável em relação a esse ano também.

Todavia, o ministro pondera que o tarifaço de Trump “é algo que todos os governos do mundo que foram atingidos têm tido muita precaução. Porém, o Brasil, desde o primeiro momento, tem dito que apesar do desconforto que isso causa, o caminho a ser seguido é o caminho da negociação.”

De acordo com pesquisadores da Embrapa e a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), o crescimento expressivo das exportações de pescados do Brasil foi impulsionado pela maior demanda dos Estados Unidos, especialmente por filés frescos e peixes inteiros congelados. Apenas os filés frescos renderam US$ 36,6 milhões, enquanto os peixes inteiros congelados somaram US$ 17,5 milhões. Juntas, essas duas categorias representaram 91,7% do valor total exportado.

De acordo com os especialistas, a redução de 19% nos preços da tilápia no Brasil entre o quarto trimestre de 2023 e o mesmo período de 2024 foi um dos principais fatores para o aumento das exportações. Em contrapartida, o preço do filé fresco no mercado externo subiu 12,75%, alcançando US$ 7,69/kg, favorecendo os produtores que exportam para os EUA.

Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações brasileiras de peixes de cultivo em 2024, comprando US$ 52,2 milhões em produtos – 89% do total. Em seguida, aparecem Peru, China, Canadá e Japão. Desde 2020, o Brasil subiu quatro posições no ranking de fornecedores de tilápia para os EUA, ocupando agora o quarto lugar. Nesse período, as vendas para o mercado americano cresceram 718%. No segmento específico de filés frescos, o Brasil já é o segundo maior exportador, atrás apenas da Colômbia.