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Que o ex-governador Paulo Hartung é um verdadeiro camaleão na política, não é novidade para os capixabas. Ele passou maior parte da trajetória mudando de partido. Iniciou a carreira no até então abolido pela ditadura militar Partido Comunista Brasileiro (PCB), que retornou à ativa a partir da democratização do País, em 1985. No entanto, em 1992 o chamado ‘Partidão’ foi extinto, surgindo em seu lugar Partido Popular Socialista – que também já acabou.

No abolido ‘Partidão’ da época da ditadura, Hartung fazia política estudantil, junto demais colegas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Seu primeiro partido oficial foi o antigo MDB, onde ficou de 1975 a 1979. Em 1980, a legenda mudou de nome (PMDB) e nele Hartung ficou até 1988. Neste ano, ele migrou para o PSDB. Saiu em 2001 para se filiar ao PSB.

Voltou ao MDB (que de novo mudou de nome) em 2005, de onde se desfiliou em 2018, quando terminou seu terceiro mandato à frente do Executivo Estadual. Prepara-se agora para se filiar ao PSD, que está no chamado Centrão – núcleo de partidos que integram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o dia, para dormir com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à noite.

Na manhã de quinta-feira (27/03), Paulo Hartung deu mostras de que pretende voos mais altos. O velho sonho – legítimo, diga-se de passagem – de se candidatar a presidente ou a vice-presidente da República reapareceu. E dentro do ninho dominado pelos adeptos, seguidores e aficionados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Como presidente executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) – que é uma associação responsável pela representação institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas, do campo à indústria, junto a seus principais públicos de interesse –, Paulo Hartung esteve presente na inauguração da nova fábrica da Klabin, produtora e exportadora de papéis para embalagem, em Piracicaba, interior de São Paulo.

Lá, Hartung foi cortejado e elogiado pelo governador paulista, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que chamou o ex-governador capixaba de “mentor”, “referência” e fonte de inspiração como gestor. Logo depois do evento em Piracicaba, a Assessoria de Imprensa de Hartung enviou a jornalistas do Espírito Santo o vídeo em que Tarcísio encheu a bola do ex-governador capixaba:

“Para mim é uma referência o governador Paulo Hartung, presidente da Ibá, da Indústria Brasileira de Árvores. O Paulo é um grande exemplo, um grande gestor, que eu tive a oportunidade de conviver em outros carnavais, de outras discussões, discussões de infraestrutura, e o Paulo é um gestor que inspira. Então é uma referência. Eu diria, mais que uma referência, hoje para mim já virou um mentor. Como é bom conversar com você, como é bom me aconselhar com você, pela sua capacidade, pelo seu talento, pelo seu compromisso com o país”, disse  Tarcísio de Freitas, no discurso.

Estaria o ‘ex-comunista’ Paulo Hartung aderindo ao bolsonarismo ou a pessoas bem próximas de Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas? O governador de São Paulo é cotado para ser candidato da direita a presidente do País nas eleições de 2026, uma vez que Bolsonaro está inelegível até 2030, conforme condenação da Justiça Eleitoral.

Outro amigão de Hartung é o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que o convidou para se filiar ao partido. A filiação deverá ocorrer em maio deste ano, em São Paulo. Kassab também é outro que almoça com Lula e janta com Bolsonaro.

E nunca é tarde lembrar que Jair Bolsonaro acaba de se tornar réu, em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), pelas acusações de crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.

Depois de ser abraçado por Tarcísio e Kassab, será que o Paulo vai abraçar o bolsonarismo? Será que vai dividir palco com um ex-presidente processado pela acusação de dar golpe de Estado?

Em tempo: Paulo Hartung já foi aliado forte do presidente Lula, da ex-presidente Dilma Rousseff – ambos petistas – e sempre teve apoio do PT capixaba em seus três mandatos como governador.