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Duas vezes campeão Mundial pela Seleção Brasileira – 1994 e 2002 –, o ex-craque Ronaldo Fenômeno divulgou nota, na quarta-feira (12/03), anunciando a sua desistência em se candidatar para presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No mês passado, Ronaldo havia anunciado o desejo de disputar o cargo. No entanto, agora o ex-jogador revelou em suas redes sociais que não vai concorrer mais contra o atual presidente, Ednaldo Rodrigues, porque não conseguiu apoio das federações estaduais.

Segundo Ronaldo, pelo menos 23 das 27 federações se negaram a recebê-lo, com a justificativa de que estão felizes com a gestão de Ednaldo e querem reelegê-lo. Para se candidatar à presidência da CBF, o Fenômeno precisaria do apoio formal de quatro das 26 federações estaduais e a do Distrito Federal, além de quatro clubes das Séries A e B.

“No meu primeiro contato com as 27 filiadas, encontrei 23 portas fechadas. As federações se recusaram a me receber em suas casas, sob o argumento de satisfação com a atual gestão e apoio à reeleição. Não pude apresentar meu projeto, levar minhas ideias e ouvi-las como gostaria. Não houve qualquer abertura para o diálogo”, pontuou Ronaldo.

Como funciona o processo eleitoral da CBF?

O processo eleitoral da CBF é baseado em um sistema de pontos. Os votos das federações estaduais têm peso 3 (totalizando 81 pontos), os votos dos clubes que disputam a primeira Divisão do Brasileirão (Série A) têm peso 2 (somando 40 pontos), e os votos dos clubes da Segundona (Série B) têm peso 1 (somando 20 pontos). Logo, se 24 das 27 federações estaduais decidirem apoiar um candidato, ele atingiria 72 pontos, e a eleição estaria definida, já que a soma de todos os outros votos não ultrapassaria 69 pontos.

Em fevereiro, Ronaldo publicou uma carta aberta pedindo à Fifa que supervisionasse a eleição para a presidência da CBF e garantisse a isonomia do processo. Para ele, os mecanismos para lançar as candidaturas existem com o objetivo de impedir que a atual gestão deixe o poder.

Com a desistência de Ronaldo, Ednaldo Rodrigues, atual presidente da confederação, tem caminho livre para a reeleição. Ele tem uma janela de um ano para marcar o pleito — do fim deste mês até 22 de março do ano que vem, quando seu mandato chega ao fim.

Confira a nota completa de Ronaldo Fenômeno

“Depois de declarar publicamente o meu desejo de me candidatar à presidência da CBF no próximo pleito, retiro aqui, oficialmente, a minha intenção. Se a maioria com o poder de decisão entende que o futebol brasileiro está em boas mãos, pouco importa a minha opinião.

Conforme já havia dito, os meus primeiros passos seriam na direção de dar voz e espaço aos clubes, bem como escutar as federações em prol de melhorias nas competições e desenvolvimento do esporte em seus estados. A mudança necessária viria desse alinhamento estratégico, com a força da visão compartilhada.

No entanto, no meu primeiro contato com as 27 filiadas, encontrei 23 portas fechadas. As federações se recusaram a me receber em suas casas, sob o argumento de satisfação com a atual gestão e apoio à reeleição. Não pude apresentar meu projeto, levar minhas ideias e ouvi-las como gostaria. Não houve qualquer abertura para o diálogo.

O estatuto concede às federações o voto de maior peso e, portanto, fica claro que não há como concorrer. A maior parte das lideranças estaduais apoia o presidente em exercício, é direito deles e eu respeito, independentemente das minhas convicções.

Agradeço a todos que demonstraram interesse na minha iniciativa e sigo acreditando que o caminho para a evolução do futebol brasileiro é, antes de mais nada, o diálogo, a transparência e a união.”