O Governo do Estado adquiriu uma tecnologia para auxiliar na identificação de áreas queimadas e com possíveis focos de incêndio, além de desmatamento, e de reprimir, com investigações policiais, quem comete esses crimes. Trata-se do sistema Brasil Mais, adquirido recentemente pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e que vai ser utilizado na Central de Monitoramento de Florestas (CMF) do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf). A ferramenta será útil para demais órgãos estatais, sobretudo à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, que terá, assim, melhores e maiores condições de combater e prender quem comete incêndios criminosos e faz desmatamento irregular.
O anúncio da aquisição do sistema Brasil Mais foi feito na manhã desta quarta-feira (18/09) pelo governador Renato Casagrande (PSB), em entrevista coletiva na sede do Idaf, no Centro de Vitória. Casagrande anunciou também outras medidas, como a contratação de brigadistas temporários, a aquisição e maquinários e o uso das forças policiais para evitar e prender quem esteja praticando incêndios criminosos. Diversos Inquéritos Policiais já foram instaurados desde o início da série de incêndios que atingem o Estado.
De acordo com Casagrande, o sistema Brasil Mais permitirá o monitoramento diário de toda a vegetação do Estado, além da emissão de alertas de desmatamento ilegal em tempo real. Ao detectar focos de incêndio rapidamente, será possível mobilizar equipes de combate a incêndios e evitar que as chamas se espalhem, minimizando os danos:
“Contratamos esse sistema para reforçar o trabalho de monitoramento do desmatamento ilegal e hoje especialmente no combate aos focos de incêndio. O sistema atual – fornecido pelo Governo Federal – compreende 15% do território capixaba. Com a nova aquisição, a cobertura chega à totalidade do Estado, com monitoramento em tempo real. Isso será muito importante para enfrentarmos esse momento em que mais de cinco mil hectares de área já foram queimados. O cenário se agrava com a situação de estiagem no Espírito Santo com 71 municípios em situação crítica”, pontuou Renato Casagrande.
Atualmente a Central de Monitoramento de Florestas do Idaf já realiza um trabalho minucioso, por meio do levantamento de imagens mensais, conseguindo identificar o tamanho da área desmatada, ocorrências de incêndios, cicatrizes de fogo, qualidade da água, reflorestamento de áreas, local do crime ambiental cometido e o infrator. Com a utilização do sistema Brasil Mais, o Idaf e os demais órgãos ambientais poderão ter acesso a esses dados diariamente.
O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, informou que a Polícia Civil já instaurou diversos Inquéritos Policiais que apuram incêndios no Estado. Desde junho deste ano, já houve cinco prisões em flagrante: Nova Venécia, Colatina, Mimoso do Sul, Domingos Martins e Marechal Floriano: “Quando não autorizado, o incêndio é criminoso. A Polícia Civil está instaurando Inquéritos em todas as Delegacias Regionais do Estado. Temos investigações em andamento. Estamos apurando todos os casos de autuação administrativa que vêm do Idaf, do Iema, da Polícia Ambiental. Temos procedimentos com suspeitos já identificados para fazer a responsabilização criminal”, disse o secretário.
Leonardo Damasceno acrescentou que a nova tecnologia adquirida pelo Governo do Estado e que será instalada na Central de Monitoramento do Idaf vai ajudar as Polícias Civil e Ambiental a atuarem com mais celeridade e eficiência na repressão aos incêndios criminosos e desmatamento: “A ferramenta vai nos permitir ter uma prova técnica de melhor qualidade para chegar aos criminosos. Conseguiremos, com isso, acompanhar melhor o caso, quem incendiou, proprietário da área e como começou o incêndio. Temos hoje um cenário muito favorável para que as investigações avancem e responsabilizem eventuais criminosos”.
O governador Renato Casagrande acrescentou que a Polícia Ambiental, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil estão trabalhando incessantemente para coibir e punir quem pratica incêndios criminosos: “A Polícia Ambiental está com trabalho de maneira preventiva, circulando nas áreas de florestamento e áreas de conservação ambiental. A Polícia Civil tem diversos inquéritos abertos em várias Delegacias. Tem ato criminoso e atos de combustão natural. Não podemos dizer se ato criminosos é maioria dos casos de incêndio”, ponderou.
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Felipe Rigoni, explica que a ferramenta contratada permitirá ao Governo vigiar de modo contínuo todo o território capixaba, buscando identificar mudanças no solo, como a supressão ilegal da vegetação, além de focos e o avanço das queimadas. Além disso, o sistema pode fazer indicativos de seca no solo em áreas a partir de 9 metros quadrados, ou seja, algo próximo ao tamanho de uma vaga de estacionamento de um carro.
“A implementação dessa tecnologia é um passo significativo para ampliar o controle ambiental e garantir uma resposta rápida e eficaz na preservação das florestas e no combate aos incêndios que têm ocorrido no Estado, como os eventos das últimas semanas. O Espírito Santo, ao adotar essa abordagem inovadora, torna-se um exemplo de como a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na preservação ambiental e na luta contra as queimadas”, analisou Rigoni.
O secretário de Meio Ambiente acrescentou que, além da identificação de desastres ambientais, a vigilância será um recurso crucial para o acompanhamento de projetos de restauração florestal ao longo dos anos, permitindo um monitoramento eficiente das áreas em recuperação. Já o diretor geral do Idaf, Leonardo Monteiro, acrescentou que os investimentos na Central de Monitoramento de Florestas representam um marco no fomento ao combate ao desmatamento e às queimadas ilegais no Espírito Santo.
“Atualmente, não tem nenhum outro Estado brasileiro que conta com uma central como a nossa, quando falamos de qualidade e precisão dos dados. Essa nova ferramenta será um divisor de águas que veio para somar ao trabalho já realizado de forma habilidosa e séria pelos nossos fiscais. Estamos seguindo as diretrizes do Governo do Estado, com o objetivo de zerar o desmatamento ilegal. Quem ainda insistir em cometer crime ambiental no Espírito Santo pode saber que será identificado rapidamente e penalizado na esfera administrativa”, afirmou Monteiro.
Como vai funcionar a ferramenta contra incêndios
Com a capacidade de realizar comparações imagens diárias da mesma área, o algoritmo disparará a emissão de alertas aos agentes públicos de possíveis irregularidades ambientais, como o desmatamento ou a ocorrência de incêndios, atuando como um verdadeiro “vigia espacial”. Para fins de melhorar a gestão ambiental do território, a ferramenta também se mostra importante no monitoramento contínuo de projetos como de reflorestamento ambiental e no entendimento da dinâmica de seca ou de alagamentos de grandes áreas, fornecendo maiores informações aos gestores públicos na construção de políticas de enfrentamento dos impactos causados pelas mudanças climáticas.
O sistema será operado na Central de Monitoramento de Florestas do Idaf, que funciona em uma sala na sede do Instituto, que abriga cinco workstations de última geração com capacidade de processamento de imagens, além de um videowall com seis monitores de 55 polegadas para a avaliação de imagens e dados.
Estado vai contratar brigadistas temporários
Durante a coletiva, o governador Renato Casagrande anunciou novas medidas para reforçar o trabalho de combate aos incêndios em vegetação. O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) vai contratar 72 brigadistas temporários para atuarem nas unidades de conservação (UCs) e em suas proximidades. Um brigadista é um profissional treinado para prevenir, combater e controlar incêndios. Sua principal função é garantir a segurança das pessoas e dos bens materiais em caso de emergências envolvendo fogo. Além disso, há a previsão da contratação de máquinas para construção de aceiros, que são faixas de terra sem vegetação para evitar que o fogo se propague nas UCs.
“O Iema segue no trabalho de preservar nossa biodiversidade. Estamos vivendo um período seco e de intenso calor, onde qualquer faísca pode se transformar em tragédia. É essencial que todos nós façamos nossa parte e evitemos qualquer tipo de queimada. Não é só uma floresta que queima, é o nosso futuro”, ressaltou o diretor-presidente do Iema, Mário Louzada.



