O Espírito Santo está encerrando o primeiro semestre de 2022 com o menor número de homicídios dos últimos 26 anos, quando começou a série histórica das estatísticas oficiais. Do dia 1º de janeiro até esta quinta-feira (30/06), foram registrados 466 assassinatos no Estado. A menor marca, até então, havia sido a de 2019, com 503 homicídios dolosos. Até o período da manhã desta quinta-feira (30/06), o mês de junho de 2022 teve 59 assassinatos, contra 86 no mesmo período de junho do ano passado.
Para se ter a dimensão do significado da marca, os 466 representam uma queda de 15% em relação ao mesmo período de 2021, quando foram registrados 548 homicídios no Estado. O primeiro semestre de 2020 registrou 591 assassinatos, contra 503 no ano mesmo período do ano anterior. Em 2017, até o período da manhã do dia 30 de junho, foram 781 assassinatos e, em 2018, 604 mortes letais.
A Região Noroeste registrou o maior índice de redução no primeiro semestre deste ano (41%). Passou dos 83 homicídios, em 2021, para 49 agora em 2022. Em seguida vêm a Região Serrana, com queda de 35,3% – 34 mortes contra 22 –; Região Sul (23,1%) que, em 2021, teve 52 assassinatos, este ano registra 40 até o momento; e Norte (14,5%), reduzindo de 117 homicídios para 100. A menor queda foi a Região Metropolitana da Grande Vitória, que teve redução de apenas 2,7%: 255 assassinatos neste ano, contra 262 em 2021.
A curva fora do ponto na Grande Vitória mais uma vez é o município de Vila Velha, que teve um aumento de 48% no número de assassinatos nos primeiros seis meses de 2022: 89 mortes agora, contra 60 no ano passado até o período da manhã de 30 de junho.
Mais uma vez, Cariacica é a cidade da Região Metropolitana que mais tem reduzido os índices de violência letal. No primeiro semestre deste ano, registrou queda de 32%, quando teve 54 assassinatos, contra 79 no mesmo período de 2022. Depois vem Guarapari, com redução de 24% (17 mortes no ano anterior e 13 agora em 2022). Em seguida é a Serra, com queda de 9% (68 homicídios em 2021 e 62 neste ano). Já a capital, Vitória, mais uma vez teve queda pífia de 3%: foram 30 homicídios dolosos em 2021 e, agora em 2022, 29. Viana ficou no empate: oito assassinatos no primeiro semestre de 2022, número idêntico ao do ano anterior.
Violência cai com o Estado Presente
A série histórica dos registros de homicídios no Espírito Santo começou em 1996, quando o Estado enfrentava sérios problemas na área da segurança pública por falta de estrutura e ausência de políticas eficazes no combate e prevenção da violência. Naquele ano, o primeiro semestre registrou 478 assassinatos e o número, no ano todo, chegou a 1.198 mortes. A partir daí os números foram só aumentando. Teve, porém, uma queda importante em 2000, quando os primeiros seis meses daquele ano registraram 608 homicídios.
Os números, entretanto, voltaram a crescer nos anos posteriores, chegando a 815 assassinatos no primeiro semestre de 2003, na era do então governador Paulo Hartung, quando a segurança pública era “comandada” pelo delegado federal Rodney Miranda. Foi quando a onda de crimes de mando voltou com força ao Estado e um dos casos mais emblemáticos foi o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, morto a tiros em 24 de março de 2003, em Vila Velha.
Os dados de homicídios, nos anos posteriores, ora tiveram queda, ora alta. Até que, coincidência ou não, o primeiro semestre de 2010 – até o período da madrugada de 30 de junho – registrou a triste marca de 892 assassinatos no Estado, quando o secretário de Segurança Pública era o mesmo Rodney Miranda, no segundo mandato do mesmo governador Paulo Hartung.
Os altos índices de homicídios – o ápice chegou a 2009, quando nos 12 meses foram registrados 2.024 assassinatos – exigiram do então empossado governador Renato Casagrande mudança de postura e atitude. Ele deu um choque de ordem na segurança, criando o Programa Estado Presente em Defesa da Vida, a partir do qual foram implementadas diversas ações de prevenção e repressão ao crime. Os números de homicídios dolosos começaram a cair, mesmo com a suspensão do programa no período de 2015/2018, quando o governo voltou às mãos do economista Paulo Hartung.
Com a retomada do Estado Presente em janeiro de 2019, o governador Renato Casagrande pode dar sequência às políticas de um combate mais eficaz da criminalidade, empregando a repressão policial com inteligência e tecnologia e, ao mesmo tempo, adotando ações sociais, como o ‘Projeto Estado Presente: Segurança Cidadã’, uma iniciativa do Governo do Estado, que conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para a implementação de ações de prevenção e combate à violência. O objetivo é contribuir para a redução dos elevados índices de crimes violentos (homicídios e roubos) entre jovens de 15 a 24 anos, nas regiões de maior vulnerabilidade social e, historicamente, mais atingidas pela violência.
Se o ano de 2009 o Estado teve 2.034 assassinatos – sendo um dos entes federados mais violentos do País –, 12 anos depois a situação mudou radicalmente. Em 2021, foram registrados 1.060 homicídios dolosos.



