O jornalismo esportivo gaúcho perdeu um dos grandes nomes de sua história. Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morreu na madrugada desta quarta-feira (28/10) aos 70 anos. Ele estava internado desde domingo (25/10) no Instituto de Cardiologia, de Porto Alegre, devido a uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado. Guerrinha deixa a esposa, Kathia, as filhas Michelle e Karine e três netos.
Com mais de cinco décadas de carreira, Guerrinha construiu uma trajetória marcada pela versatilidade, humor e por comentários diretos, que o tornaram uma das figuras mais conhecidas do jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul. Filho do comunicador Adroaldo Guerra, o Vovô Guerra, teve contato com o universo do rádio desde a infância.
Sua trajetória no Grupo RBS começou em 1983, quando passou a escrever sobre turfe para Zero Hora. Em 1993, com o fim da cobertura dedicada às corridas de cavalos, migrou para o futebol e passou a acompanhar o Internacional. Mais tarde, ampliou sua atuação para o rádio e a televisão, como comentarista.
Em 1999, estreou na Rádio Gaúcha como co-apresentador do programa Falcão na Gaúcha. Em 2004, chegou ao Sala de Redação, tradicional programa de debates esportivos da emissora, no qual se tornou uma das vozes mais reconhecidas. Também participou do Lance Final, na RBS TV, e comandou o Paredão do Guerrinha, lançado em 2014. No Diário Gaúcho, assinou a coluna Guerra Total a partir da estreia do jornal, em 2000.
Guerrinha, um ícone do jornalismo gaúcho
Guerrinha marcou o público pela versatilidade, pelo carisma e pelas frases de efeito, tão engraçadas quanto sarcásticas. Suas tiradas preencheram as ondas do rádio nos últimos 27 anos (estreou em 1999) e as redações de jornalismo por mais de cinco décadas.
As sentenças certeiras, de tão naturais, faziam parecer que ele sempre tivera intimidade com o microfone. Embora a ligação com o rádio remeta à infância, devido ao trabalho do pai, foi "juntando as pretinhas", como carinhosamente chamava as letras impressas nos jornais, que teve contato com a comunicação desde o primeiro dia da carreira.
Do pai, Vovô Guerra, Guerrinha herdou, sobretudo, o gosto pelo turfe. O jornalismo veio de charrete com a atração pelo mundo das corridas de cavalo, pois, apesar de admirar a carreira artística do pai, não imaginava que viria a ter sucesso no rádio.
Chegada ao "Sala de Redação"
A estreia no Sala de Redação não tardou. Em 2004, foi convocado para cobrir as férias de Kenny Braga. Guerrinha sentou na bancada do mais tradicional programa de debates esportivos do Rio Grande do Sul para não sair mais. Como ele dizia, "não se vai para guerra com uma escova de dentes". Ele chegou à bancada munido de um arsenal de frases para participar da acalorada troca de ideias no horário do almoço.
Uma das tiradas mais famosas foi apelidada por Pedro Ernesto Denardin como "Lei Guerrinha". Ela tenta explicar aquelas mudanças inexplicáveis feitas por treinadores de futebol quando tudo parece correr bem. "Se algo deu certo, então tem que mudar", diz o artigo único da Lei.
As sacadas oportunas e as opiniões ferinas casaram com o perfil do programa e o transformaram em um dos participantes mais queridos pelo público. O receio de sofrer retaliações por se identificar como colorado se esfarelou. A acidez nos comentários para os dois lados fez com que ganhasse admiradores entre vermelhos e azuis, uma marca mantida até o fim da carreira e da vida.
Algumas frases criadas por de Guerrinha
“Não se pode ir pra guerra com um secador de cabelo”
“Não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto”
“Dormindo no gelo e acordando suado”
“Se beleza fosse crime, eu seria inocente”