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Cirurgia do Papa Leão XIV para remoção de nódulo no pulmão termina 'com sucesso': diagnóstico é de câncer pulmonar

Elimar Cortes 14 de Outubro de 2026 4 min de leitura
Cirurgia do Papa Leão XIV para remoção de nódulo no pulmão termina 'com sucesso': diagnóstico é de câncer pulmonar

A cirurgia do Papa Leão XIV para a retirada de um nódulo do pulão — descoberto durante exames médicos de rotina — terminou “com sucesso”, informou o Vaticanos na terça-feira (13/10). O procedimento, realizado no Hospital Gemelli, em Roma, durou cerca de 90 minutos e confirmou que o tumor era cancerígeno. Segundo a Santa Sé, o exame histológico feito durante a operação atestou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, suspeitado a partir dos exames pré-operatórios. De acordo com os médicos, parte do pulmão direito do Papa foi retirado durante a cirurgia para garantir a remoção completa da lesão. Esta é a primeira internação do Pontífice americano, de 71 anos, desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, em maio de 2025.

“A intervenção foi concluída com sucesso, dentro do tempo previsto e conforme o planejado”, declarou a assessoria de imprensa do Vaticano no Telegram.

O Vaticano informou que os médicos retiraram o lobo inferior do pulmão direito do Pontífice, por meio de uma técnica videoassistida, "para garantir que o procedimento fosse radical". Leão XIV permaneceu na sala de cirurgia por cerca de três horas, despertou normalmente e, após um breve período de observação, retornou ao quarto, no décimo andar do hospital.

Não houve complicações, segundo o comunicado divulgado pelo Vaticano e assinado pelo médico de referência do Papa, Luigi Carbone, e pelo cirurgião Stefano Margaritora, que coordenou a equipe responsável pela operação de Leão XIV. Ao ser questionada se havia algum indício de que o câncer tivesse se espalhado, uma fonte do Vaticano disse que exames adicionais estavam sendo realizados.

O Vaticano prevê que o Papa permaneça internado por vários dias em seu quarto para se recuperar da cirurgia. Na segunda-feira (12/10), a Santa Fé anunciou o cancelamento de todas as audiências do Pontífice até 20 de outubro.

Horas antes da cirurgia, Leão deixou o Vaticano de carro e acenou para as pessoas que o saudavam durante o trajeto. Ao chegar ao Gemelli, entrou pela porta principal do hospital, sorrindo e acenando para dezenas de fiéis que se reuniram no local para recebê-lo.

O Pontífice revelou a descoberta do nódulo no domingo, durante a oração do Ângelus, na Praça de São Pedro. Os médicos, disse, identificaram a lesão “em estágio inicial” durante exames recentes e disseram que “seria adequado intervir”. O Vaticano informou posteriormente que o nódulo foi descoberto em exames de rotina e que Leão não apresentava sintomas que tivessem motivado uma investigação específica de seus pulmões.

Na véspera da internação, o Pontífice manteve a agenda e participou de sete encontros. A suspensão dos compromissos, porém, levou a mudanças na programação do Vaticano.

O que se sabe sobre o nódulo

Foto Papa 02Um nódulo pulmonar é uma pequena alteração localizada no tecido do pulmão. A presença da lesão não significa necessariamente câncer: muitas delas são benignas, e a avaliação depende de fatores como tamanho, características observadas nos exames, idade e histórico clínico.

Segundo Federico Venuta, chefe de cirurgia torácica do Hospital Policlínico Umberto I, em Roma, os nódulos pequenos são conhecidos como “lesões em moeda” porque apresentam aparência semelhante à de uma moeda nas radiografias. Em geral, não provocam sintomas, enquanto lesões maiores podem causar falta de ar, dores no peito e tosse persistente, eventualmente acompanhada de sangue.

“Esses nódulos podem corresponder a uma ampla variedade de lesões benignas, inflamatórias, infecciosas, autoimunes ou congênitas. Ou podem ser malignos”, disse o médico, indicando que a remoção pode ser feita sob anestesia geral, com o paciente respirando por meio de um tubo.

De acordo com a Sociedade Torácica Americana, menos de 5% dos nódulos pulmonares, considerados em conjunto, são cancerígenos. A retirada pode permitir que médicos analisem o tecido e determinem a natureza da lesão. Apesar de, no caso do Papa, o nódulo ser maligno, Venuta considera o prognóstico “muito positivo”, em razão da descoberta precoce. Para uma pessoa saudável, afirmou, o prognóstico de um câncer de pulmão detectado em estágio inicial, especificamente um nódulo pulmonar sem disseminação para outras partes do corpo, é absolutamente favorável.

Para Marco Scarci, especialista em cirurgia torácica no Reino Unido ouvido pela AFP, a recuperação do Papa deve ser rápida. Ele pondera, contudo, que “pode levar até três meses para que ele recupere o nível de condicionamento físico que tinha antes”.