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Pacote de regras ‘anticera’ aprovada pela CBF e passa a valer no Brasileirão

Elimar Cortes 11 de Agosto de 2026 4 min de leitura
Pacote de regras ‘anticera’ aprovada pela CBF e passa a valer no Brasileirão

Uma reunião entre a Confederação Brasileira e Futebol (CBF) e os clubes das Primeira e Segunda Divisões do futebol brasileiro, na tarde de segunda-feira (10/08), aprovou a adoção de novas regras de arbitragem em competições nacionais. As novas regras, impostas pela Fifa, têm, o objetivo de combater a cera. As mudanças estrearão na 23ª rodada dos dois campeonatos. Serão impactadas as Séries A, B, C e D masculinas, a Primeira Divisão (Série A1) feminina – que tem transmissão ao vivo pela TV Brasil – e a Copa do Brasil.

A reunião, na sede da CBF, no Rio, marcou o início de um ciclo de discussões para elaboração de um novo regulamento para a temporada de 2027, abordando propostas para arbitragem, área que receberá R$ 200 milhões em investimentos entre 2026 e 2027. Com uma receita de 1,8 bilhões de euros na temporada 2024/2025, o Brasileirão tem arrecadação distante de ligas como Premier League (7,5 bi), La Liga (5,7 bi) e Bundesliga (5,5 bi), por exemplo.

Ciente de que atualmente o futebol brasileiro é um produto subvalorizado, dos pontos de vista desportivo e comercial, a CBF vem tomando uma série de medidas para mudar este quadro. Neste esteio, a modernização do regulamento surge como um ponto de partida das melhorias necessárias para o futebol brasileiro.

A maioria das regras – leia os detalhes delas mais abaixo – foi testada na última Copa do Mundo e trata de coibir o antijogo, para aumentar o tempo de bola rolando. O chamado “Protocolo Vini Jr.” (ou Lei Vini Jr.) também passou pelo crivo dos clubes. A regra trata de punir com cartão vermelho o jogador que cobrir a boca em discussões com adversários.

Outra novidade é a retirada de um jogador de linha por um minuto quando o goleiro da mesma equipe solicitar atendimento médico. Esta regra não foi adotada na Copa do Mundo, mas será utilizada na Inglaterra e na Espanha na próxima temporada. O Departamento de Arbitragem da CBF quer coibir a cera por suposta lesão no goleiro. Entende que a pausa acaba servindo para treinadores passarem instruções aos atletas, além de retardar a volta da partida.

Qual jogador sai de campo? Há duas possibilidades: o treinador indica em 10 segundos quem sai ou o capitão deixa o campo assim que o departamento médico entrar para o atendimento. Caso o goleiro seja o capitão, sai um jogador previamente sorteado.

A CBF apresentou estudo comparando o tempo de bola rolando nas principais ligas do mundo e no Brasil, nas Séries A e B. Com 52min54s, o Brasileirão da Série A só fica à frente da Argentina na comparação com outros países. Veja: MLS (EUA) – (2026) 57min12s de bola rolando; Bundesliga (Alemanha) – (2026) 56min18s; Ligue 1 (França) – 56min17s; Premier League (Inglaterra) – 55min23s; LaLiga (Espanha) – 55min09s; Serie A (Itália) – 54min28s; Brasileirão Série A – 52min54s; Brasileirão Série B – 51min09s; LPF Apertura (Argentina) – 50min02s.

A CBF estabeleceu uma meta que considera realista de chegar a 57 minutos na soma da aplicação do conjunto de novas regras, mas outro fator importante dependerá da conduta da arbitragem e dos jogadores: a diminuição do número de faltas, do tempo para cobrar as faltas, do tempo perdido em atendimento médico e do tempo de uso do VAR.

A CBF quer “recuperar” 6min22seg de tempo de bola rolando em quatro quesitos – no que já chegaria a 59min16seg, bem acima da meta a curto prazo que a entidade pretende: 203 segundos perdidos em média com faltas; 113 segundos perdidos com tempo de reposição de bola; 50 segundos com tempo de atendimento médico; e 16 segundos em tempo de uso de VAR.

O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou que estas mudanças precisam ser feitas em concordância entre os protagonistas do futebol brasileiro. “Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, disse.

Conheça as novas regras:

  1. Cinco segundos para arremesso lateral

Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos.

  1. Cinco segundos para cobrar tiro de meta

Árbitro apita e conta cinco segundos. Caso goleiro exceda tempo, concede escanteio ao adversário.

  1. Dez segundos para deixar o campo em substituições

Jogador substituído deve sair pelo ponto mais próximo de forma célere, sem caminhada.

  1. Um minuto fora após atendimento

Atleta que for atendido no gramado precisará sair e deve permanecer fora por um minuto.

  1. Após atendimento ao goleiro um jogador de linha fica fora por um minuto

Treinador indica quem cumpre o minuto fora.

  1. Somente o capitão fala com o árbitro

Um único interlocutor por equipe durante toda a partida.

  1. Cobrir a boca em discussão: vermelho (Protocolo Vini Jr)

Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário será conduta passível de expulsão.

  1. Checagem de VAR para aplicação de segundo cartão amarelo

Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão.

  1. Checagem de VAR para escanteio concedido por engano (aprovada para 2027)

Decisão do escanteio é revertida pelo VAR se puder ser alterada imediatamente e sem atrasar o reinício.

 

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