Uma reunião entre a Confederação Brasileira e Futebol (CBF) e os clubes das Primeira e Segunda Divisões do futebol brasileiro, na tarde de segunda-feira (10/08), aprovou a adoção de novas regras de arbitragem em competições nacionais. As novas regras, impostas pela Fifa, têm, o objetivo de combater a cera. As mudanças estrearão na 23ª rodada dos dois campeonatos. Serão impactadas as Séries A, B, C e D masculinas, a Primeira Divisão (Série A1) feminina – que tem transmissão ao vivo pela TV Brasil – e a Copa do Brasil.
A reunião, na sede da CBF, no Rio, marcou o início de um ciclo de discussões para elaboração de um novo regulamento para a temporada de 2027, abordando propostas para arbitragem, área que receberá R$ 200 milhões em investimentos entre 2026 e 2027. Com uma receita de 1,8 bilhões de euros na temporada 2024/2025, o Brasileirão tem arrecadação distante de ligas como Premier League (7,5 bi), La Liga (5,7 bi) e Bundesliga (5,5 bi), por exemplo.
Ciente de que atualmente o futebol brasileiro é um produto subvalorizado, dos pontos de vista desportivo e comercial, a CBF vem tomando uma série de medidas para mudar este quadro. Neste esteio, a modernização do regulamento surge como um ponto de partida das melhorias necessárias para o futebol brasileiro.
A maioria das regras – leia os detalhes delas mais abaixo – foi testada na última Copa do Mundo e trata de coibir o antijogo, para aumentar o tempo de bola rolando. O chamado “Protocolo Vini Jr.” (ou Lei Vini Jr.) também passou pelo crivo dos clubes. A regra trata de punir com cartão vermelho o jogador que cobrir a boca em discussões com adversários.
Outra novidade é a retirada de um jogador de linha por um minuto quando o goleiro da mesma equipe solicitar atendimento médico. Esta regra não foi adotada na Copa do Mundo, mas será utilizada na Inglaterra e na Espanha na próxima temporada. O Departamento de Arbitragem da CBF quer coibir a cera por suposta lesão no goleiro. Entende que a pausa acaba servindo para treinadores passarem instruções aos atletas, além de retardar a volta da partida.
Qual jogador sai de campo? Há duas possibilidades: o treinador indica em 10 segundos quem sai ou o capitão deixa o campo assim que o departamento médico entrar para o atendimento. Caso o goleiro seja o capitão, sai um jogador previamente sorteado.
A CBF apresentou estudo comparando o tempo de bola rolando nas principais ligas do mundo e no Brasil, nas Séries A e B. Com 52min54s, o Brasileirão da Série A só fica à frente da Argentina na comparação com outros países. Veja: MLS (EUA) – (2026) 57min12s de bola rolando; Bundesliga (Alemanha) – (2026) 56min18s; Ligue 1 (França) – 56min17s; Premier League (Inglaterra) – 55min23s; LaLiga (Espanha) – 55min09s; Serie A (Itália) – 54min28s; Brasileirão Série A – 52min54s; Brasileirão Série B – 51min09s; LPF Apertura (Argentina) – 50min02s.
A CBF estabeleceu uma meta que considera realista de chegar a 57 minutos na soma da aplicação do conjunto de novas regras, mas outro fator importante dependerá da conduta da arbitragem e dos jogadores: a diminuição do número de faltas, do tempo para cobrar as faltas, do tempo perdido em atendimento médico e do tempo de uso do VAR.
A CBF quer “recuperar” 6min22seg de tempo de bola rolando em quatro quesitos – no que já chegaria a 59min16seg, bem acima da meta a curto prazo que a entidade pretende: 203 segundos perdidos em média com faltas; 113 segundos perdidos com tempo de reposição de bola; 50 segundos com tempo de atendimento médico; e 16 segundos em tempo de uso de VAR.
O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou que estas mudanças precisam ser feitas em concordância entre os protagonistas do futebol brasileiro. “Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, disse.
Conheça as novas regras:
Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos.
Árbitro apita e conta cinco segundos. Caso goleiro exceda tempo, concede escanteio ao adversário.
Jogador substituído deve sair pelo ponto mais próximo de forma célere, sem caminhada.
Atleta que for atendido no gramado precisará sair e deve permanecer fora por um minuto.
Treinador indica quem cumpre o minuto fora.
Um único interlocutor por equipe durante toda a partida.
Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário será conduta passível de expulsão.
Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão.
Decisão do escanteio é revertida pelo VAR se puder ser alterada imediatamente e sem atrasar o reinício.