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Na quinta-feira (16/07) passada, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, concedeu monocraticamente uma liminar que libera, provisoriamente, o deputado federal Gilvan da Federal (PL) para disputar as eleições deste ano. O parlamentar havia sido considerado inelegível após condenação no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE/ES) por violência política de gênero contra a deputada estadual Camila Valadão (Psol). A condenação está mantida.

Parlamentar do baixo clero da Câmara Federal, Gilvan foi condenado pelo Plenário do TRE-ES a um ano, quatro meses e 15 dias de reclusão em regime inicialmente aberto, além do pagamento de R$10 mil como reparação pelos danos morais causados à parlamentar. Condenações criminais por órgãos colegiados causam implicações previstas na Lei da Ficha Limpa, entre elas a inelegibilidade.

Embora esteja nas fileiras do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Gilvan ganhou nos últimos meses padrinhos fortes em partidos do Centrão – onde estão legendas que se passam por oposição, mas possuem ministros no governo do petista Lula –, como o Republicanos e PSD.

Gilvan foi cooptado pelos xerifes das duas legendas com o único propósito: fazer o senador Magno Malta, presidente do Diretório do PL no Espírito Santo, a aceitar acordo para entregar o partido ao ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato a governador do Espírito Santo. Magno, praticamente, perdeu o controle do PL em solo capixaba. Quem manda agora é o baixo clero, por meio de Gilvan da Federal.

O acordo de Gilvan da Federal com o Republicanos se concluiu, pelo menos por enquanto, no sábado (18/07), quando foi realizado o Encontro Estadual do PL, no Espaço Patrick Ribeiro, na área do Aeroporto de Vitória. No evento, o senador Flávio Bolsonaro (PL/Rio), apontado pelo partido como pré-candidato à Presidência da República, chamou o ex-prefeito Lorenzo Pazolini de pré-candidato a governador do Espírito Santo com o apoio do partido de seu pai, Jair Bolsonaro, que sempre foi solenemente ignorado por Pazolini. No mesmo evento, Pazolini também apoio a Flávio Bolsonaro e apoio a Maguinha Malta (PL), filha do senador Magno Malta, a uma das duas vagas ao Senado Federal nas eleições deste ano.

Magno Malta, que enfrenta problemas de saúde, chegou ao Patrick Ribeiro, com uma fisionomia fechada, parecia estar frustrado, mal-humorado, desgastado, deslocado. Estava cercado de adversários políticos, como o prefeito Pazolini e o senador Rogério Marinho (PL/RN), que, por mais de uma década, era filiado ao PSDB, por quem foi deputado federal. Hoje, Marinho coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, depois de migrar para o PL para ser Secretário Especial de Previdência e Trabalho, na gestão do então presidente Bolsonaro.

Rogério Marinho nunca foi um político considerado conservador e da verdadeira direita, como é a base bolsonarista. Ele e Gilvan da Federal foram os encarregados de obrigar Magno Malta a participar do ‘Encontro da Direita’ de sábado, conforme informaram fontes ao Blog do Elimar Côrtes.

A força de Gilvan no PL capixaba tornou-se tão forte que ele é chamado de ‘A Muralha’, como foi apresentado no palco. Foi a liderança mais exaltada do evento, mais do que Pazolini e Magno Malta. Em diversos momentos de seu discurso, subiu o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes, e o presidente Lula.

Por sua vez, Magno Malta, que já integrou uma banda de pagode gospel, foi chamado para cantar ao lado da filha, Maguinha. O senador iniciou seu discurso lendo uma carta direcionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Com uma trilha sonora ao fundo, o pronunciamento teve tom de emoção e comoção em razão da prisão domiciliar do ex-presidente.

Depois, Magno ‘cantou’ a música ‘Noite Traiçoeira’, do padre Marcelo Rossi. Traído por Gilvan da Federal e pela cúpula nacional do PL, o senador escolheu bem a música, que, na verdade, é um hino de conforto e esperança para aqueles que enfrentam momentos difíceis.

A letra fala diretamente ao ouvinte, transmitindo a mensagem de que Deus está presente em todos os momentos da vida, especialmente nos mais desafiadores. A canção convida a entregar a vida e os problemas a Deus, reforçando a ideia de que a fé pode ser um refúgio e um caminho para superar as adversidades. O refrão da música destaca a metáfora da ‘noite traiçoeira’, que pode ser interpretada como os períodos de escuridão e dificuldade na vida de uma pessoa. A ‘cruz pesada’ simboliza os fardos e os desafios que cada um carrega. No entanto, a mensagem central é de que, mesmo diante desses obstáculos, Cristo acompanha e apoia o indivíduo, e que, apesar das lágrimas que o mundo possa provocar, Deus deseja a felicidade e o sorriso de seus filhos.

O hino ‘Noite Traiçoeira’ cantada por Magno Malta retrata, portanto, muito bem o que se passa hoje no PL. Sem nunca ter produzido  nada de positivo para o Espírito Santo – diferentemente do senador Magno, que sempre foi um dos políticos mais importantes do Estado, por conta de seus diversos legados –, Gilvan da Federal sai vitorioso depois de salvar a própria pele. Entregou o PL para Lorenzo Pazolini. O acordo de Gilvam, PL e Republicanos foi costurado em Brasília, onde os dois paridos decidiram puxar, definitivamente, o tapete do senador Magno Malta.

Maguinha Malta, abra teus olhos, menina!