Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16/07) aponta que a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pela imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente da República. O instituto questionou os entrevistados com quem eles mais concordavam no embate político após a confirmação da medida da gestão de Donald Trump: 51% citaram o presidente Luiz Inácio Lula das Silva (PT), e 30%, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na madrugada desta quinta-feira, os Estados Unidos publicaram a decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções que abrange produtos importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne e suco de laranja. A medida entra em vigor na semana que vem, em 22 de julho.
Em entrevista reservada a jornalistas antes da publicação da medida, um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o governo americano segue negociando com o Brasil.
O levantamento da Quaest foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes de Washington ter decidido impor a tarifa de 25% aos produtos brasileiros, nesta quarta. Na sondagem, os entrevistados questionaram se a responsabilidade foi de Flávio, ao pedir a Trump a sanção contra o Brasil, como alega Lula, ou se foi do atual presidente e pré-candidato à reeleição, por “provocar” os Estados Unidos, como argumenta o senador.
Quaest: Lula acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido o tarifaço contra o Brasil. Flávio nega e diz que pediu a Trump para não taxar o país. Com quem você concorda mais?
- Lula: 51% (em junho, eram 47%);
- Flávio Bolsonaro: 30% (eram 35%);
- Não sabe/não respondeu: 6% (eram 8%)
Quaest: Para Lula, as novas tarifas são uma retaliação ao Pix. Para Flávio Bolsonaro, elas são resultado das declarações de Lula contra os EUA. Com quem você concorda mais?
- Lula: 49% (em junho, eram 46%);
- Flávio Bolsonaro: 33% (eram 36%);
- Nenhum dos dois: 10% (eram 10%);
- Não sabe/não respondeu: 8% (eram 8%)
O governo Lula reagiu ao novo tarifaço, repudiou a taxa e criticou os Bolsonaro, a quem chamou de “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso País, movidos por objetivos eleitoreiros”. Flávio, por sua vez, respondeu que Lula “não tem mais condições de ser o presidente do Brasil”, alegou “atraso, incompetência e vingança” e chamou o adversário de “Biden brasileiro”— numa referência implícita aos ataques etaristas de Trump contra o ex-presidente democrata Joe Biden.
Este mês, Flávio discursou em Washington contra o tarifaço sobre produtos brasileiros e defendeu o Pix — numa tentativa de contornar impactos negativos para a campanha pela atuação bolsonarista em prol de sanções estrangeiras contra supostas violações de direitos de aliados. Em maio, em meio à crise da pré-campanha pelas revelações do elo com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca. Posou para fotos com ele e disse ter discutido o combate ao crime organizado e investimentos estratégicos.
A agenda, de acordo com pessoas próximas a Flávio, foi articulada por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos, e do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do bolsonarismo no entorno republicano americano. Os dois entraram no Salão Oval para a foto com Trump e Flávio.
Governistas passaram a atribuir ao grupo a pecha de “entreguista”, especialmente após uma carta de Flávio em que ele defende a intenção de “livrar” o Brasil “das garras” do Mercosul (organização intergovernamental regional sul-americana) e aliviar a carga regulatória e tributária sobre empresas de cartão de crédito e outros meios de pagamento — cerne dos ataques de Washington ao Pix. Enquanto isso, bolsonaristas reforçaram o discurso de que o Planalto “provocou” os Estados Unidos e não agiu para evitar o tarifaço. Nesta quarta, Rubio afirmou que Lula não negociou de “boa fé”.
Segundo a Quaest, 57% dos brasileiros disseram não saber da viagem de Flávio para os Estados Unidos em defesa do Pix e contra o tarifaço. Entre aqueles que apontaram saber da agenda internacional, 58% afirmaram que o senador não tem força para convencer Trump e o governo americano a rever as tarifas, enquanto 34% declararam confiar na força do pré-candidato do PL.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026,. O Genial/Quaest fez entrevistas com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, de 10 a 13 de julho, pelo país. A margem de erro para a amostra geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%.