O vereador Senival Moura (PT) encaminhou no sábado (27/06) um pedido de afastamento de sua filiação ao Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo. A decisão ocorre após a prisão domiciliar, ocorrida na quinta-feira (25/06), no âmbito da Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.
Em nota assinada pelo presidente do Diretório Municipal, Hélio Rodrigues, o PT informou que o vereador justificou o pedido com a necessidade de se dedicar exclusivamente à sua defesa, visando não vincular os recentes acontecimentos à sigla. O PT já havia encaminhado o caso ao seu Conselho de Ética para avaliar medidas disciplinares, incluindo o afastamento cautelar ou a expulsão definitiva.
Senival Moura é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) através da empresa de ônibus Transunião. Segundo o inquérito policial, o parlamentar utilizava seu escritório político para armazenar planilhas e informações de controle de fluxo de caixa e da frota da empresa. As investigações apontam que o vereador exercia influência no esquema enquanto presidia a Comissão de Trânsito e Transporte na Câmara Municipal de São Paulo.
A defesa do vereador manifestou surpresa e indignação com a prisão temporária. Em comunicado, os advogados classificaram a medida como desnecessária, alegando que ela ocorre em um momento politicamente sensível, às vésperas do período eleitoral.
Além da prisão de Moura, a Justiça expediu outros quatro mandados de prisão temporária e 103 mandados de busca e apreensão, cumpridos na capital paulista, na Grande São Paulo e em Minas Gerais. Investigações anteriores indicam que o vereador chegou a ser jurado de morte pela facção em 2020, devido a um suposto desvio de dinheiro, mas teria sido perdoado posteriormente.
Saiba Mais
Na quinta-feira passada, centenas de agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram mandados judiciais em endereços da cidade de São Paulo, da Região Metropolitana e do município de Extrema, em Minas Gerais.
A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, executado em 2020. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, as apurações reuniram provas consideradas robustas de que a empresa era utilizada pelo PCC para ocultar e movimentar recursos provenientes de atividades criminosas.
De acordo com os investigadores, apenas em 2025 a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público paulistano. A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
O Poder Judiciário também determinou o afastamento imediato dos diretores da concessionária e comunicou à Prefeitura de São Paulo para que sejam adotadas as medidas administrativas, regulatórias e contratuais necessárias para garantir a continuidade do serviço à população. Entre as possibilidades estão a intervenção administrativa na empresa ou outras ações para assegurar a operação regular das linhas de ônibus.
Histórico de investigações
A nova ofensiva ocorre há pouco mais de um ano após a deflagração da Operação Fim da Linha, realizada pelo Gaeco em 2024. Na ocasião, as autoridades desarticularam duas organizações criminosas que utilizavam as empresas de ônibus UPBus e Transwolff para lavar recursos oriundos do tráfico de drogas, roubos e outros crimes atribuídos ao PCC. As duas empresas eram responsáveis pelo transporte de cerca de 700 mil passageiros por dia na capital paulista e receberam mais de R$ 800 milhões da Prefeitura de São Paulo somente em 2023.