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Eram 23h58 de terça-feira (16/06) quando recebo, por WtahsApp, a seguinte mensagem do amigo-jornalista Leonel Ximenes, colunista de A Gazeta e de quem foi, por vários anos, Editor de Esportes: “É um privilégio estar vivo (e acordado) para ver um fenômeno do futebol dando um show histórico. #MessiGênio.” O grifo em “acordado” é porque ele sabe que o destinatário da mensagem tem o hábito de dormir e com certeza perderia o show do argentino Messi, um gênio do outro mundo do futebol.

Ximenes estava correto em sua “provocação”. Porém, como tenho também o hábito de madrugar, às 4 horas da madrugada desta quarta-feira (17/06) já estava vendo os principais lances da vitória de Lionel Messi por 3 a 0 sobre a Argélia, pela 1ª rodada do Grupo J da Copa do Mundo. O camisa 10 da Argentina deu uma lição aos brasileiros, ensinando como ainda se pratica o futebol arte. O jogo foi no Estádio Arrowhead Stadium, em Kansas City, Estados Unidos.

E mais: Messi segue fazendo história, ao chegar a 16 gols em Copas do Mundo, igualando-se ao alemão Klose como o maior artilheiro da história do Mundial. O ranking dos maiores artilheiros das Copas é o seguinte: Klose (Alemanha) e Messi (Argentina) – 16 gols; Ronaldo (Brasil) – 15 gols; Gerd Muller (Alemanha) e Mbappé (França) – 14 gols; Just Fontaine (França) – 13 gols; e Pelé (Brasil) – 12 gols.

É a primeira vez que o astro marca três gols em um jogo de Copa, se tornando o mais velho jogador a anotar um hat-trick no torneio. Esse é o sexto Mundial de Messi. Em 2006 e 2018 o atacante marcou um gol em cada; em 2014 foram quatro gols; na campanha do título de 2022 fez mais sete. Apenas na África do Sul, em 2010, passou em branco em uma Copa.

Na noite de terça-feira, diante da Argélia, pela estreia da Argentina na Copa de 2026, Messi abriu o placar em belo chute de fora da área no primeiro tempo. No segundo gol aproveitou rebote do goleiro na segunda etapa. O terceiro foi um bonito chute colocado de fora da área. Messi foi substituído aos 34 minutos, dando vaga a Nico Paz.

O argentino Messi também atingiu outro recorde com o gol marcado. Agora, ele ultrapassou Rivelino em número de gols de fora da área. São seis no total. Na campanha do tricampeonato do Brasil, em 1970, Rivellino marcou de longa distância contra a Tchecoslováquia e o Uruguai, enquanto na edição seguinte superou as defesas do Zaire, Alemanha Oriental e Argentina. Messi soma seis gols marcados de fora da área, distribuídos pelas edições de 2014, 2022 e agora em 2026.

Os ensinamentos do gênio da bola, sobretudo, aos “craques” brasileiros vão além das quatro linhas. Aos 38 anos e com uma carreira que o coloca como um dos maiores jogadores da histórias, Messi ainda chora. Chorou em uma noite de primeira rodada de fase de grupos de Copa do Mundo. Chorou em um duelo contra a Argélia, adversário duro, mas não entre os mais badalados de sua história. Chorou por ter vivido, nesse cenário, na pacata cidade de Kansas City um raro momento inédito: um hat-trick que o tornou o maior artilheiro da história das Copas. Chorou porque balançar as redes em um Mundial trouxe alívio em meio a um drama pessoal.

“A verdade é que se trata de uma questão completamente alheia ao esporte. Passei por alguns dias difíceis e complicados, mas sou grato a toda a delegação, a todos os meus companheiros de equipe, porque eles sempre estiveram ao meu lado, me dando muita força para superar isso, e é só isso”, disse Messi.

De fato, Leonel Ximenes, o argentino Lionel Messi é o craque que deveria fazer qualquer imortal do Planeta ficar acordado para vê-lo jogar. Terei, daqui pra frente, bastante tempo para dormir nos jogos do Brasil. Vou me poupar para o novo baile do gênio do outro mundo: Messi.