Evandro Figueiredo Boldrine, figura conhecida nos meios políticos, autoproclamado líder comunitário de Jardim Camburi e apontado como um dos coordenadores de uma milícia digital que age dentro da Prefeitura de Vitória, foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral pela acusação de divulgar pesquisas fraudulentas para, supostamente, beneficiar o então governador Paulo Hartung (PSD). Hartung, no entanto, nada teve a ver com o evento praticado por Evandro, que, à época, ocupava cargo comissionado na Secretaria de Estado de Esportes (Sesporte).
A Ação Penal número 0000022-41.2018.6.08.0052 foi processada e julgada pela 052ª Zona Eleitoral de Vitória. E a juíza Gisele Souza de Oliveira, em 17 de março de 2022, entendeu que houve dúvidas quanto aos documentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral, autor da denúncia. Por isso, o processo foi extinto.
Evandro Figueiredo é cabo eleitoral do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato ao governo do Estado nas eleições deste ano e de quem foi presidente da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV).
No entanto, em outubro de 2022, ele foi exonerado do cargo por Recomendação do Ministério Público Estadual que instaurou Inquérito Civil para apurar supostas irregularidades na nomeação de Evandro Figueiredo – que estava no cargo desde janeiro de 2021, quando Pazolini tomou posse para o primeiro mandato – para a presidência da CDTIV, “em total desconformidade com as exigências contidas nas Leis Federais n.ºs 6.404/1976 e 13.303/2016, no Decreto Municipal n.º 16.915/2016 e no Estatuto Social da empresa”.
Evandro perdeu o cargo, mas a esposa dele, dona Nicole Boldrine Moreira, posteriormente acabou sendo nomeada para cargo comissionado na Prefeitura de Vitória. Ela está lotada na Ouvidoria da Executivo Municipal da Capital capixaba. Embora esteja ocupando um cargo comissionado na Assembleia Legislativa – o de Técnico Sênior de Gabinete de Representação Parlamentar II –, por indicação do deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos), nas redes sociais nota-se a forte ligação de Evandro com Pazolini, que renunciou ao cargo de prefeito, no início deste mês, para se candidatar ao governo do Estado com apoio de Paulo Hartung.
Em 2018, oito anos antes dessa ligação começar, Evandro Figueiredo foi alvo de uma operação da Polícia Federal dentro da Sesport, em Bento Ferreira, em Vitória. Era o quarto e último ano do terceiro mandato do então governador Paulo Hartung. Naquela época, o Ministério Público Eleitoral ajuizou de Ação Penal em desfavor do acusado Evandro, imputando-lhe a prática do crime previsto no artigo 33, §4º da Lei 9.504/97. Esse item, da lei diz que “A divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa no valor de cinqüenta mil a cem mil UFIR.”
Na denúncia, o MP Eleitoral apontou que Evandro divulgou falsa pesquisa eleitoral, sem registro na Justiça Eleitoral, em grupo no aplicativo Whatsapp chamado “Lideranças de Vitória”, bem como em site na internet. Ainda de acordo com a Inicial, Evandro teve acesso aos dados constantes de pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Brand, a pedido do Partido Social Democrático (PSD), divulgando dados deturpados da referida pesquisa por meio do aplicativo Whatsapp entre os dias 31/01/2018 e 09/02/2018.
“As informações divulgadas apresentariam significativas diferenças em relação aos resultados originais, tendo, inclusive, criado um cenário inexistente para o cargo de Senador”, sintetiza a denúncia.
Quanto à divulgação de falsa pesquisa eleitoral em site, o Ministério Público Eleitoral afirmou na época que Evandro Figueiredo divulgou no jornal eletrônico “Capixabão”, no dia 09/02/2018, notícias de supostas vantagens do então governador do Estado, Paulo Hartung, sobre os demais pretensos pré-candidatos ao mesmo cargo nas Eleições Gerais de 2018. A matéria jornalística veiculada no ‘site’ Capixabão mencionava uma pesquisa eleitoral que fora feita pelo Instituto Brand para o PSD. Todavia, a matéria jornalística não teria reproduzido fielmente essa pesquisa.
Depois de analisar toda documentação e ouvir testemunhas, a juíza Gisele Souza de Oliveira entendeu que, “assim, não tendo sido comprovada de forma segura a versão constante da denúncia, a dúvida beneficia o réu, impondo, pois, sua absolvição por insuficiência de provas.”
Na Ação Penal, Evandro Figueiredo foi defendido por alguns dos advogados mais famoso e mais caros do País, que desempenharam um excelente papel na defesa do réu: Flávio Cheim Jorge, Marcelo Abelha Rodrigues, Ludgero Ferreira Liberato dos Santos, Lucas Pagcheon Rainha e Camila Batista Moreira.



