O gesto oportunista do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), de abrir as portas de seu gabinete, na Sede do Palácio Municipal, em Bento Ferreira, na tarde de terça-feira (24/03), para a realização de um culto evangélico, está sendo observado também como eleitoreiro. Não por conta do culto em si, mas, sobretudo, por voltar a pronunciar o nome do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) depois de quase oito anos. Pazolini, que é pré-candidato a governador do Espírito Santo, orou pela saúde de Bolsonaro e quer ter o apoio dos bolsonaristas capixabas – o que será bastante difícil. O culto foi feito por um pastor da Ágape.
Há coincidências nesse gesto: a menção a Bolsonaro, que na tarde de terça-feira teve o direito de cumprir, pelo menos por 90 dias, prisão domiciliar por conta de problemas de saúde, aconteceu horas depois do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), anunciar a sua desistência de disputar as eleições deste ano para presidente do País. Seguidor do ex-governador Paulo Hartung (PSD), Pazolini já havia manifestado apoio a Ratinho para ser indicado como candidato do PSD – os demais pré-candidatos são os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
O apoio a Ratinho já havia sido costurado pelo presidente Estadual do Republicanos, o ex-deputado estadual e ex-secretário de Governo de Pazolini, Érick Musso. Agora, porém, o trio fica órfão com a desistência do governador paranaense.
Há uma segunda coincidência, tão importante quanto à primeira: o prefeito de Vitória “orou” por Bolsonaro nove dias depois em que pesquisa do instituto Real Time Big apontar a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL/Rio) no Espírito Santo. Filho de Jair, Flávio é pré-candidato a presidente no pleito de outubro e, no Estado, ele tem a preferência de 38% dos eleitores, conforme levantamento divulgado pelo Real Time no dia 16 de março de 2026. Atrás, vêm o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 33%; e Ratinho Júnior e o governador de Minas, Romeu Zeman (Novo), ambos com 6%.
Durante o culto realizado em seu gabinete, Lorenzo Pazolini fez uma declaração que chamou atenção no meio político. Ele, enfim, se solidarizou com Jair Bolsonaro. Pazolini, entretanto, demonstrou estar desinformado – ou a sua assessoria não lhe passou a informação correta. Na oração, o prefeito cita que Bolsonaro “tem a expectativa” de sair da UTI ainda na terça-feira.
No entanto, o ex-presidente teve alta da UTI na segunda-feira (23/03) – um dia antes do culto –, conforme amplamente divulgado pela imprensa. Bolsonaro está internado em um quarto do Hospital DF Star, em Brasília, mas já tem autorização do Supremo Tribunal Federal para cumprir prisão domiciliar assim que tiver alta hospitalar.
Pazolini foi eleito deputado estadual em 2018 com a ajuda do agora senador Magno Malta (PL). Com o mesmo apoio, foi eleito prefeito pela primeira vez em 2020, também com apoio do senador e com a bandeira bolsonarista. No entanto, logo depois rompeu com Magno e abandonou Jair Bolsonaro, mesmo com o ‘Capitão’ na Presidência da República.
Terça-feira, todavia, foi diferente. O prefeito de Vitória chamou Bolsonaro de “nosso presidente”, gesto visto por oportunismo eleitoreiro: “Quero aqui já iniciar agradecendo pelas operações à nossa gestão e também ao nosso presidente Jair Bolsonaro, que tem passado por momentos difíceis de saúde e tem a expectativa hoje que ele possa sair da UTI pro quarto para restabelecer a sua saúde”.
A declaração de Pazolini repercutiu junto aos verdadeiros aliados de Bolsonaro. Um deles é o vereador Dárcio Bracarense (PL):
“Jair Bolsonaro já foi internado pelo menos 10 vezes desde que sofreu tentativa de assassinato 2018 – o então candidato a presidente levou uma no abdômen durante comício em Juiz de Fora (Minas), no dia 6 de setembro de 2018 – e Pazolini nunca se manifestou sobre a saúde do ex-presidente. Eu mesmo já cobrei várias vezes que ele [Pazolini] se manifestasse sobre o assunto. E, ele, nada. Mas, foi só Pazolini e seu guru Paulo Hartung ficarem órfãos de candidato a Presidente da República [desistência de Ratinho Júnior] e Flávio Bolsonaro liderar pesquisas aqui no Estado que ele faz oração pela saúde de Bolsonaro. Não vai colar. O povo sabe que o prefeito de Vitória não gosta de Jair Bolsonaro”, ressaltou Dárcio Bracarense.



