O Projeto de Lei 84/2026 – que trata de reajuste salarial de 10% dividido em duas vezes para os servidores públicos e secretários Municipais e a extinção de 100 cargos comissionados –, de autoria do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e enviado à Câmara Municipal na terça-feira (17/03) para ser votado no mesmo dia – em caráter de “urgência urgentíssima” –, mostrou que os vereadores, em sua esmagadora maioria, não estão mais seguindo a cartilha do chefe do Executivo da Capital. Eles rejeitaram aprovar a votar a proposta sem antes analisar todo o conteúdo e, com isso, a avaliação do PL será feita na próxima sessão ordinária do Legislativo, marcada para segunda-feira (23/03).
Nas redes sociais, Pazolini informou na manhã de terça-feira um reajuste de 10% no salário dos servidores do Poder Executivo. Entretanto, trata-se de uma recomposição fracionada: 5% em abril deste ano e outros 5% a partir de janeiro de 2027. O Projeto de Lei 84/2026 traz ainda algumas questões não reveladas pelo prefeito nas redes, como o corte de 100 cargos comissionados e a extensão do reajuste para os secretários municipais. Esses cargos a serem cortados estão, na verdade, desocupados há mais de um ano.
O PL só foi protocolado na Câmara Municipal às 10h04 de terça-feira, quando a sessão já estava em andamento. O requerimento de urgência foi aprovado com 18 votos favoráveis e nenhum contrário, para ser votada na próxima segunda-feira.
O líder do prefeito na Câmara, vereador Leonardo Monjardim (Novo), tentou fazer com que o Projeto de Lei fosse à votação ainda na terça-feira. Mas não teve sucesso. Monjardim apresentou um requerimento de “urgência urgentíssima”, que é um instrumento que permite que o projeto seja votado no mesmo dia. Entretanto, o ‘capitão’ de Lorenzo Pazolini na Câmara não conseguiu o mínimo de assinaturas necessárias (7) para levar o requerimento adiante, amargando, assim, uma derrota para a gestão Pazolini. Do total de 21 vereadores, apenas seis assinaram o documento.
A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Vitória (Sindsmuvi), Waleska Timoteo, em entrevista ao Século Diário, classificou como “vergonha” o reajuste proposto, “ainda mais considerando o fracionamento do índice”. Segundo ela, mesmo que o percentual alcance o índice inflacionário acumulado de 2025 (4,26%), não recompõe as perdas dos últimos dois anos sem reajustes.
“Isso só mostra que o compromisso do prefeito [Pazolini] não é com o povo e com o serviço público, e sim em conseguir ‘likes’ nas redes sociais e votos na eleição. O ideal, pensando inclusive na responsabilidade fiscal do Município, seria aplicar de imediato os 10% e ter um diálogo sobre a reestruturação do plano de cargos e salários. Temos profissionais, como os assistentes de Educação Infantil que atuam em sala de aula, que possuem remuneração próxima do salário mínimo. Temos também servidores que estão há mais de dez anos na mesma letra do plano”, disse a dirigente sindical.
De acordo com a proposta, está igualmente compreendido na revisão o subsídio dos secretários municipais e de quem ocupar cargo equivalente. Atualmente, um secretário municipal tem salário bruto de R$ 16,6 mil. Se o PL for aprovado, o valor deverá subir para R$ 17,5 mil em 2026 e R$ 18,3 mil em 2027.



