Um áudio de uma conversa entre o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o vereador Dalto Neves (Solidariedade) revela o jeito um tanto ou quanto truculento do chefe do Executivo Municipal de governar. Falando pelo telefone celular com Dalto, Pazolini afirma que vai ganhar a eleição para governador do Espírito Santo e que, caso o vereador não faça o que o prefeito quer, vai sentir perseguição. O prefeito quer que Dalto consiga adiar para 2027 a eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Vitória. O vereador é contra.
O atual presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), não pode disputar uma segunda eleição consecutiva. A eleição, regimentalmente, acontece sempre no mês de agosto a cada dois anos. O prefeito Pazolini quer que o pleito seja adiado para depois de outubro, quando ocorrem as eleições gerais – presidente da República, governador, senadores e para deputados federais e estaduais.
Pazolini já vem pressionando vereadores para que aprovem o adiamento e um desses parlamentares pressionados é Dalto Neves, cotado para disputar a sucessão de Goggi. Entretanto, assim como a maioria de seus colegas, Dalto é contra o adiamento. De acordo com vereadores ouvidos neste domingo (15/03) pelo Blog do Elimar Côrtes, a intenção de Pazolini, ao levar a eleição da Mesa Diretora do Legislativo Municipal para o início de 2027 é influenciar no resultado. “Ele quer o adiamento porque acha que vai se eleger governador do Estado”, disse um parlamentar da base aliada do prefeito.
Pazolini age também dessa forma porque acredita que alguns vereadores de Vitória serão eleitos deputados estaduais e, assim, acabarão cedendo seus mandatos para os suplentes, que o prefeito acredita controlar.
“O plano de Pazolini é, uma vez eleito governador, influenciar na eleição para presidente da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Vitória, já que a prefeita continuará sendo a Cris”, completou outro parlamentar aliado do prefeito da Capital.
A pressão de Pazolini para o adiamento da eleição deixou os vereadores – governistas e da oposição – revoltados. Em janeiro de 2025, quando foi eleito presidente da Câmara Municipal, Anderson Goggi havia se reunido dias antes com os colegas, numa residência localizada na Rua do Canal, em Jardim da Penha, em que assumiu uma série de compromissos. E um deles foi justamente o de não adiar a eleição da Mesa Diretora.
O prefeito Lorenzo Pazolini. No entanto, insiste no adiamento. No dia 9 deste mês, ele mais uma vez pressionou Dalto Neves, ligando para o celular do parlamentar. No momento da ligação, Dalto dirigia seu carro e estava acompanhado de outros vereadores. Dalto colocou o celular no viva-voz para seus colegas ouvirem o diálogo. Um desses vereadores, contudo, gravou toda a tensa conversa entre Pazolini e Dalto. No sábado, esse parlamentar começou a espalhar o áudio para grupos de WhatSapp. Registre-se que não foi Dalto Neves o responsável pelo vazamento.
Abaixo, o diálogo entre o prefeito Lorenzo Pazolini e o vereador Dalto Neves:
Pazolini: Eu não vivo dessa porra, eu não preciso isso aí pra nada, agora, nós vamos cair pra dentro e só vai ficar um vivo. Até hoje eu não perdi nenhuma.
Dalto: Não, mas é (sic) dois que não vivem da política, prefeito, tanto o senhor quanto eu.
Pazolini: Então, se eu não cair pra dentro eu não perdi e não vou perder, que eu tenho certeza.
Dalto: Tá bom, mas se eu perder eu perco ganhando, prefeito, eu saio da política de uma vez.
Pazolini: Não, mas você não perde não, que você vai ter o governador contra você, aí você não vai aguentar. O governador e a prefeita (Cris Samorini, atual vice-prefeita de Vitória, assume o Executivo Municipal se Pazolini decidir, em abril, deixar o cargo para se candidatar para governador).
Dalto: Se eu perder, eu perco ganhando, se eu perder eu perco ganhando, porque eu saio da política, eu saio disso aqui de uma vez.
Pazolini: Só quero saber, você quer guerra ou quer paz?
Dalto: Quero paz.
Pazolini: Então, liga pro Juscelino, faz uma chamada de vocês três com o Erick [Erick Musso, presidente Estadual do Republicanos, ex-deputado estadual e ex-secretário de Governo de Lorenzo Pazolini] e nós vamos compor.
Dalto: Mas olha só, mas olha só, eu não vou falar por vereador não, eu não vou falar por vereador não. Tem um monte de vereador que precisa conversar com ele também.
Pazolini: Irmão, você vai falar com o cara que quer ser presidente. Você não quer ser presidente?
Dalto: Talvez, talvez, eu acho que não, acho que eu estou desistindo.
Pazolini: Quer sim, é legítimo, não tem problema nenhum. Agora, vamos fazer uma conversa direita…Que seja boa pra vocês, seja boa pra cidade, eu topo. Liga pro Erick. Tá te aguardando, liga pra ele e liga e o que vocês conversarem eu vou referendar. Pra gente fazer o negócio direito, como eu fiz com o Goggi, como eu fiz com o Davi [Esmael], que não cumpriu várias coisas comigo, mas eu mantive. Como eu fiz com o Piquet [Leandro Piquet], que não cumpriu várias coisas comigo, mas eu mantive. É uma palavra só.
Dalto: E que dia que eu descumpri com o senhor?
Pazolini: Não, não vou olhar isso não, enfim, liga pra eles que eles…
Dalto: Não, pra eles eu não vou ligar hoje não, pra eles eu não vou ligar hoje não, já tô chegando em casa.
Pazolini: Por quê?
Dalto: Tô chegando em casa, porque toda vez que eu ligo pro Erick, ele nunca me atende, nunca me atende.
Pazolini: Pode ligar que ele vai te atender. Eu vou avisar que você vai ligar pra ele, me dá um minuto e você pode ligar pra ele.
Dalto: Tá, eu vou ver aqui prefeito.
Pazolini: Pode ligar que ele vai te atender. Um abraço.



