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Os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto ao Irã na manhã de sábado (28/02), que matou o líder supremo do país, Aiatolá Khamenei. A morte foi confirmada pelo governo iraniano, depois de ter sido anunciada pelo presidente americano, Donald Trump. Os ataques continuam e já entraram no segundo dia de guerra. O Irã também lançou mísseis em direção a Israel e bases dos EUA no Oriente Médio, incluindo os Emirados Árabes e o Catar.

“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas Justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e sua gangue de CAPANGAS sanguinários”, escreveu Trump nas redes sociais.

O assassinato do segundo líder da República Islâmica, que não tinha um sucessor designado, lança dúvidas sobre o futuro do regime. O ataque ocorreu após semanas de repetidas ameaças de Trump de que os Estados Unidos atacariam o Irã, a menos que a liderança do país concordasse com as exigências dos EUA, especialmente em relação ao programa nuclear de Teerã.

Khamenei havia sido um alvo dos ataques de Israel no passado. Em janeiro, o líder supremo iraniano enfrentou um dos desafios mais sérios ao seu poder desde a Revolução Islâmica de 1979, quando manifestações em massa sacudiram as ruas do país e desencadearam uma crise de legitimidade do governo.

A formação religiosa

O aiatolá Ali Khamenei era apenas o segundo líder supremo do país desde a revolução islâmica de 1979. Ocupava o cargo desde 1989. Os jovens iranianos nunca viram o Irã sem ele no poder. Khamenei, que estava no meio de uma complexa rede de poderes rivais, era capaz de vetar qualquer assunto de política pública e escolher a dedo candidatos para cargos públicos. Como chefe de Estado e comandante em chefe do Exército, que inclui o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (CGRI), sua posição o convertia em uma figura com todo tipo de poderes.

Nascido em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, em 1939, Khamenei era o segundo de oito filhos em uma família religiosa. Seu pai era um clérigo de médio escalão da vertente xiita do islã, o grupo religioso dominante no Irã. Sua educação se centrou principalmente no estudo do Alcorão e obteve o título de clérigo aos 11 anos. Mas, assim como muitos líderes religiosos da época, seu papel sempre foi tanto político quanto espiritual.

Khamenei, um hábil orador, uniu-se aos críticos do xá Reza Pahlavi, o monarca que foi derrubado pela Revolução Islâmica de 1979. Durante anos, viveu na clandestinidade e esteve detido. Foi preso seis vezes pela polícia secreta do xá, sofrendo torturas e o exílio interno. Um ano depois da revolução, o aiatolá Khomeini o nomeou líder da oração das sextas-feiras na capital Teerã.

Khamenei foi eleito presidente em 1981, antes de ser designado em 1989 pelos anciãos religiosos como o sucessor do aiatolá Khomeini, que tinha morrido aos 86 anos.

Ação militar

É a segunda vez em menos de um ano que as forças armadas dos EUA atacam o Irã. Em junho passado, as forças americanas bombardearam três instalações nucleares no país. Desta vez, autoridades americanas afirmaram que esperavam um ataque muito mais extenso.

A expectativa é de que a operação se estenda ao longo de vários dias. O ataque liderado pelos Estados Unidos pareceu prenunciar uma crise regional muito mais ampla.

Ataques já deixaram mais de 200 mortos e 750 feridos

A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, desencadeada no  sábado, deixou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas. A  informação é atribuída a um porta-voz da Sociedade Crescente Vermelho, organização civil humanitária, e foi reportada por agências de notícias, como a árabe Al Jazeera. Ainda segundo a Crescente Vermelho, 24 das 31 províncias iranianas foram alvo de ataques. Províncias são organizações territoriais administrativas, equivalentes aos estados aqui no Brasil.

De acordo com a Agência de Notícias da República Islâmica (Irna, na sigla em inglês), um dos ataques foi em uma escola de meninas, em Minab, sul do Irã, deixando ao menos 85 alunas mortas e 60 feridos. Cerca de 50 pessoas ainda estavam sob escombros.

O Exército israelense publicou uma lista de altos funcionários iranianos que, segundo eles, foram mortos nos ataques aéreos de sábado. A lista inclui Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa do país; Ali Shamkhani, chefe do Conselho de Segurança iraniano; Mohammad Pakpour, comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC); Saleh Asadi, um oficial de inteligência; os oficiais de pesquisa Hossein Jabal Amelian e Reza Mozaffari-Nia; e o antigo representante de defesa Mohammed Shirazi.

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel aconteceram dois dias depois de uma rodada de negociações entre os americanos e os iranianos a respeito dos limites do programa nuclear do Irã. O país alega que a tecnologia nuclear tem fins pacíficos. No entanto, os Estados Unidos e alguns aliados, especialmente Israel, não aceitam o desenvolvimento nuclear iraniano.

Diversos países, entre eles o Brasil, condenaram a ofensiva. A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um cessar-fogo na região. Ao justificar os ataques o o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse defender os americanos.

Em retaliação, o Irã  atacou países vizinhos que abrigam bases militares americanas. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hamid Ghanbari, o país tem o direito de se defender.