Em uma noite histórica para a música brasileira, os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia eternizaram seus nomes na 68ª edição do Grammy. A dupla levou para casa o gramofone dourado na categoria Melhor Álbum de Música Global, com o álbum “Caetano e Bethânia Ao Vivo”, registro da turnê realizada entre 2024 e 2025. O anúncio foi recebido com aplausos no Crypto.com Arena, em Los Angeles.
O prêmio foi recebido em nome deles pela apresentadora Dee Dee Bridgewater, durante evento em Los Angeles, nos Estados Unidos. Os dois não estavam presentes na festa. Eles concorriam com “Sounds of Kumbha”, de Siddhant Bhatia; “No Sign of Weakness”, de Burna Boy; “Eclairer le monde – Light the World”, de Youssou N’Dour, “Mind Explosion – 50th Anniversary Tour Live”, de Shakti e “Chapter III: We Return To Light”, de Anoushka Shankar Featuring Alam Khan & Sarathy Korwar.
A produção premiada é um registro da turnê dos dois artistas. A conquista coroou o momento artístico marcado por reencontros afetivos com o público e pela reafirmação da força da canção brasileira no cenário internacional.
De Santo Amaro para o mundo: álbum celebra 60 anos de carreira
O álbum é uma nova versão do disco “Maria Bethânia e Caetano Veloso – Ao Vivo, de 1978” e foi idealizado pela “Rainha da MPB”, apresentando um repertório que celebra clássicos dos mais de 60 anos de carreira da família Veloso na estrada. Lançado pela Sony Music Brasil em 26 de maio de 2025, a turnê percorreu palcos de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Curitiba.
No repertório, os filhos de Dona Canô mesclam sucessos de sua autoria com interpretações de obras de compositores fundamentais para a música brasileira. O projeto reúne clássicos como “Reconvexo”, “Cajuína”, “O Quereres”, “Alegria, Alegria” além de uma versão inédita de ‘Fé’, de Iza, reinterpretada pelos irmãos.
O disco inclui ainda parcerias e canções de nomes como Gilberto Gil, Raul Seixas, Erasmo e Roberto Carlos. Um dos momentos mais emocionantes do álbum é dedicado à memória de Gal Costa. Nele, a dupla presta homenagem à amiga e colaboradora de longa data ao reinterpretar os clássicos “Baby” e “Vaca Profana”, ambas composições assinadas por Caetano e que se tornaram marcos definitivos na voz da eterna cantora baiana.
Ao comemorar a vitória nas redes sociais, Caetano e Bethânia escreveram: “Que alegria em vencermos o @grammys de ‘Melhor Álbum Internacional’ juntos! Em especial, gostaríamos de agradecer aos músicos que ao nosso lado, fizeram esse disco acontecer. O nosso muito obrigado a todos que ouviram o disco, foram aos shows e compartilharam desta história conosco!”
Para Maria Bethânia, o primeiro Grammy representa a consagração internacional após décadas de carreira. A rigor, a simples indicação do álbum “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo” já colocou a cantora em patamar diferenciado entre contemporâneas como Elis Regina (1945/1982) e Gal Costa (1945/2022), ambas sequer indicadas ao Grammy, embora tivessem méritos e discos para isso. A vitória é uma consagração adicional e bem-vinda no ano em que Bethânia completa oito décadas de vida em 18 de junho de 2026.
Para Caetano, essa foi a sexta indicação ao Grammy e a terceira premiação. O artista baiano já venceu duas vezes: com Livro (1998) e João Voz e Violão (2000), álbum de João Gilberto que produziu. Outros compositores de MPB contemporâneos de Caetano, casos de Gilberto Gil e Milton Nascimento, já ganharam um Grammy nessa mesma categoria.



