O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de chantagem após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) definir o valor de sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. O senador admitiu a hipóteses de abandoná-la, após ir a um culto na Igreja Comunidade das Nações, em Brasília (DF), na manhã de domingo (07/12).
“Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim (com a pré-candidatura). Eu tenho um preço para isso. Eu vou negociar, eu vou negociar. Eu tenho um preço para não ir até o fim. Só que eu vou falar para vocês (qual é o preço) amanhã (8/12)”, afirmou, em coletiva à imprensa.
Questionado se o preço para abandonar a pré-candidatura à Presidência seria a anistia a Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pela acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado, Flávio foi reticente e respondeu que “não é só isso”. “Está quente, está quente”, brincou. “Está começando a ficar quente”, acrescentou o senador.
Segundo o filho de Bolsonaro, ele quer que o preço seja especulado. “Imaginem qual é o preço. Quanto custa eu abrir mão da minha candidatura? Falo amanhã de novo. Amanhã, de novo, a gente conversa, não tem problema nenhum. Eu só quero que vocês pensem. O que está em jogo no Brasil? Quanto vale eu retirar a minha candidatura?”, enfatizou.
Na noite de domingo, em entrevista exclusiva à TV Record, o senador afirmou que o preço para desistir de concorrer em 2026 é ter “Bolsonaro [Jair] livre, nas urnas”. Segundo ele, a escolha pelo nome dele é “muito consciente” e, diante do atual cenário, “não tem volta”.
“Meu preço é justiça. E não é só justiça comigo, é justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados, estão dentro de um cativeiro, nesse momento, junto com o presidente Jair Messias Bolsonaro. Então, óbvio que não tem volta. A minha pré-candidatura à Presidência da República é muito consciente”, afirmou Flávio.
Questionado se conquistar a anistia para o pai e outros condenados pelo 8 de Janeiro/2023 já seria o suficiente para deixar a pré-candidatura, Flávio acrescentou: “Tem que ter Bolsonaro nas urnas. A única forma disso [desistência] acontecer é se Bolsonaro estiver livre, nas urnas, caminhando com seus netos, filhos de Eduardo Bolsonaro, pelas ruas de todo o Brasil. Esse é meu preço.”
Para o deputado Lindbergh Farias, o método de Flávio Bolsonaro seria o mesmo já empregado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em autoexílio nos Estados Unidos. “O irmão Eduardo já chantageou o País inteiro com ameaças de sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e tarifas contra o Brasil. (…) Agora, tenta negociar anistia com o centrão como condição para retirar a candidatura”, apontou.
Eduardo é réu por coação à Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF) após articular represálias do governo Donald Trump a ministros em razão do julgamento de Bolsonaro por golpe de Estado. Responsável por defendê-lo, a Defensoria Pública da União alega que o deputado federal não teria poder para ser responsabilizado pelas retaliações.



