O governador Renato Casagrande (PSB) acionou, nesta quinta-feira (30/10), o plano de contingência elaborado, de forma preventiva, para monitorar as atividades de integrantes de facções criminosas após a Operação Contenção, realizada pelas forças policiais do Rio de Janeiro. O plano foi formulado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e entra em vigor dois dias depois da realização a mais letal operação policial – chamada de Operação Contenção – da história do Rio, que contabilizou 121 mortes – incluindo quatro policiais (dois civis e dois militares) nos Complexos da Penha e do Alemão, ultrapassando as operações no Jacarezinho, em maio de 2021, com 28 óbitos, e a operação na Vila Cruzeiro, em maio de 2022, com 24 mortes. Todas as operações aconteceram no governo de Cláudio Castro (PL).
O objetivo é criar um fluxo de informações de Inteligência entre todas as agências federais e estaduais, com o intuito de identificar possíveis fugas para o Espírito Santo, tanto de criminosos que atuam no Rio quanto de indivíduos do Estado que estejam escondidos em território fluminense e tenham intenção de retornar.
“Estamos desde o ocorrido avaliando a repercussão e se é necessária alguma retenção. As nossas agências de Inteligência estão integradas, tanto do Governo do Estado quanto do Governo Federal. Estamos acompanhando as divisas com a Polícia Rodoviária Federal. É bom destacar que, na verdade, as lideranças criminosas daqui estão migrando para o Rio, pois sabem que aqui são grandes as chances de serem presas. E já adianto: se tentarem voltar, serão alcançadas. O Espírito Santo está mostrando o jeito de fazer segurança pública que produz efeito para o cidadão, com inteligência e tecnologia, operações cirúrgicas, prisões de lideranças, além do trabalho social”, pontuou o governador Casagrande.
Até o momento, conforme apontam os levantamentos de todas as agências de Inteligência, não há nenhum indicativo de que possa haver migração de criminosos ao Espírito Santo após a operação realizada na terça-feira (28/10) nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio. Estradas que cortam os municípios de Presidente Kennedy, Mimoso do Sul, Apiacá, Bom Jesus do Norte, São José do Calçado e Guaçuí, que fazem divisa com o Estado do Rio, estão com monitoramento reforçado, contando, inclusive, com apoio da Polícia Rodoviária Federal.
“Assim que tomamos conhecimento da operação na cidade do Rio, nosso núcleo do Estado Presente está atento aos desdobramentos e mobilizado. A integração das forças de segurança permite recebermos informações precisas e estratégicas do que acontece lá para estruturarmos nossas ações aqui”, afirmou o vice-governador e coordenador do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, Ricardo Ferraço.
Segundo ele, o plano de contingência já está em operação, tático e estratégico. “A estrutura de segurança pública do nosso Estado está pronta. Bandidos fogem do Espírito Santo para buscar abrigo em outros Estados porque sabem que aqui nossas polícias irão alcançá-los e prendê-los. Eles sabem bem dessa atuação efetiva das nossas forças”, reforçou Ricardo Ferraço.
O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, destacou que o Espírito Santo é considerado território hostil para os criminosos e a tendência é que não haja nenhum tipo de migração para solo capixaba.
“Aqui, os bandidos não se criam. Temos exemplos recentes de líderes de facções criminosas do Estado que resolveram voltar, por algum motivo, do Rio de Janeiro, e foram capturados. Marujo, irmãos Vera, Boca de Lata — alguns chefes que estavam há tempos escondidos no estado vizinho e, quando precisaram vir, em poucos dias estavam na cadeia. Nosso governador e vice-governador nos exigiram um monitoramento profundo para identificar se há qualquer possibilidade de vinda de bandidos para cá e, até o momento, não temos esse indicativo. Porém, caso ocorra, estaremos preparados”, afirmou.
Até o momento, duas mortes de criminosos do Espírito Santo que haviam fugido para o Rio foram confirmadas dentro da Operação Contenção. Um deles é Alisson Lemos Rocha, conhecido como “Russo” ou “Gordinho do Valão”, de 27 anos, que era foragido da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, investigado por assassinatos. Outro morto é Fabian Alves Martins, de 22 anos, que era alvo da DHPP de Cachoeiro de Itapemirim.
(Fotos: Hélio Filho/Secom)



