O governador Renato Casagrande (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Marcelo Santos (União), fizeram um discurso bastante contundente, na manhã de segunda-feira (04/08), em favor do diálogo institucional, do equilíbrio e contra a “insanidade” provocada pela guerra ideológica que se vê hoje no País. A manifestação dos dois líderes políticos capixabas chamou a atenção também para o futuro do Estado e foi feita antes da decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Inquérito 4995/DF, instaurado para investigar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), pela acusação de possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Casagrande e Marcelo Santos falaram para uma plateia formada por agricultores, pequenos produtores rurais e dirigentes de bancos e outras instituições financeiras, que compareceram ao Palácio Anchieta, em Vitória, para acompanhar o lançamento do Novo Plano de Crédito Rural 2025/26 para o Espírito Santo, acompanhado da apresentação da Plataforma Selo Verde-ES e da assinatura do Projeto de Lei que autoriza o uso de crédito outorgado de ICMS para instalação de redes trifásicas no meio rural.
O presidente da Assembleia Legislativa foi o primeiro a se dirigir ao público. Marcelo Santos ressaltou que o apoio do Legislativo às ações do Governo do Estado também tem sido fundamental para o sucesso do Espírito Santo em diversas áreas, garantindo, assim, o desenvolvimento econômico e social da população. “Aqui no Espírito Santo se pratica o respeito mútuo entre as instituições e o setor privado”, afirmou o deputado.
Marcelo tem sido um crítico árduo das provocações ideológicas que acontecem em diversos setores da sociedade brasileira. Ele é um político do campo centro-direita e procura ficar longe das discussões ideológicas: “Aqui não tem extremismo e nem radicalismo. Aliás, o extremismo e o radicalismo que se praticam Brasil afora beiram à ignorância”, afirmou o presidente do Legislativo capixaba.
Para Marcelo Santos, “ideologia não mata a fome das pessoas e nem traz progresso e desenvolvimento. A ideologia cega mata e provoca uma briga insana.” O presidente da Ales fez também críticas aos Poderes da República, como o Executivo Federal, Congresso Nacional e o Judiciário. Para ele, os Poderes se omitem por deixar de discutir problemas do País:
“Nem sempre eu também concordo com decisões do STF, mas pergunto: qual tem sido o papel das outras instituições? Nunca vi se sentarem na mesma mesa o presidente da República, ministros do Supremo e os presidentes da Câmara e do Senado para discutirem soluções para o País e definirem qual é o papel de cada Poder”, ponderou o deputado.
Marcelo Santos acrescentou que, diferentemente do que ocorre no âmbito nacional, no Espírito Santo as instituições sentam na mesma mesa para encontrar soluções para problemas que surgem: “Aqui no Estado existe o diálogo institucional entre todos os Poderes. Esse diálogo permite o Estado a caminhar e alcançar sucesso. Mas, para voltarmos ao passado sombrio, basta abandonar o volante. Aqui nós temos estabilidade institucional, o que dá garantia para os empresários investirem cada vez mais.”
O presidente do Legislativo estadual observou na sua fala o futuro do Estado e do País: “Nossa responsabilidade em 2026 é muito grande. Nós é que vamos escolher o próximo presidente do Brasil, próximo governador, futuros deputados e senadores. Temos que ter cuidado com os extremos. Pela maneira que falam, extremistas da direita e da esquerda passam a impressão de que estão no céu. Não existe um mundo perfeito. E para estarmos no céu, temos que morrer.”
Marcelo Santos concluiu com um alerta: “Seremos os responsáveis por fazer o Espírito Santo continuar como está, um Estado organizado e equilibrado. Nosso governador [Renato Casagrande] não pergunta aos prefeitos qual é a ideologia política deles. Ele faz investimentos em todos os municípios independente do partido político do prefeito.”
Na mesma toada, o governador Renato Casagrande abiu seu discurso lembrando uma das falas do presidente da Assembleia Legislativa: “O deputado Marcelo Santos apontou a estabilidade institucional como papel primordial para o sucesso alcançado pelo Espírito Santo. Um Estado e um País só conseguem se desenvolver quando as instituições públicas e o setor privado tiverem estabilidade. Para serem reconhecidos, um Estado e um País dependem da estabilidade. No setor privado é a mesma coisa: todos precisamos de normas e regras. O Espírito Santo avançou e continua avançando porque tem instituições fortes tanto no setor público quanto no privado.”
Casagrande também tem sido crítico à polarização na política nacional ressalta sempre que o Estado que ele governa procura fugir desse conflito, apesar de boa parte dos políticos da extrema direita capixaba buscar o desequilíbrio e o extremismo nas discussões do dia a dia:
“O Espírito Santo precisa ser o contraponto ao desequilíbrio e insanidade que vemos em outros lugares. Temos que ser o contraponto à incapacidade que se vê lá fora. Temos que ter capacidade de convivências”, ponderou o governador.
Renato Casagrande lembrou ainda que o povo capixaba voltou a ter orgulho do Estado, conquista que vem se aprimorando a partir de 2003, quando as instituições decidiram se unir no combate ao crime organizado e pelo fortalecimento dos Poderes. Desde então, o Espírito Santo tem crescido no campo social e econômico e tornado referência no País:
“O Espírito Santo encontra-se no caminho que está dando certo. Hoje, nosso Estado é respeitado em todo o Brasil. Tem gente que fica só xingando e, mesmo assim, ganha eleição. Conquistamos uma posição que nos enche de orgulho. Essa conquista não é só do governo; é de todos. Não podemos dar chance ao azar; temos que melhorar cada vez mais o caminho que vem dando certo e fazer a renovação quando necessária. Tem gente nova sem capacidade de renovar, mas há pessoas experientes que se renovam”, explicou o governador.
Ao final de sua fala, Renato Casagrande destacou que a sociedade capixaba tem capacidade de enfrentar e vencer desafios e que vencerá mais uma dificuldade, que é o tarifaço aos produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos imposto pelo presidente Donald Trump. O Espírito Santo exporta diversos produtos para os EUA, como gengibre, café, pimenta do reino, minério de ferro, granitos, dentre outros:
“Enfrentamos muitos desafios ao longo dos últimos anos: tragédias climáticas, Covid/19 e agora o tarifaço. Nós vamos vencer também esse tarifaço. Para isso, temos que ter capacidade de diálogo com todos os seguimentos da sociedade e da política: direita, esquerda. Temos que pensar na melhoria do Brasil e do mundo, mas temos que colocar sempre os interesses do Espirito Santo em primeiro lugar. Essa é a nossa tarefa: respeito ao Espírito Santo.”



