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A Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa (Ales) abriu espaço, em reunião híbrida na segunda-feira (19/05), para audiência pública de prestação de contas do diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), Marcelo Barbosa Saintive. O convidado fez um comparativo dos resultados alcançados pela instituição entre 2023 e 2024. Saintive destacou que a instituição alcançou no ano passado o maior lucro líquido obtido na história, de R$ 99,3 milhões, assim como recorde na liberação de créditos, totalizando R$ 500 milhões. Esse valor leva em conta R$ 355 milhões advindos de operações de crédito diretas e mais R$ 156 milhões da emissão de debêntures de ESG.

Conforme revelou, esse movimento demonstra a interiorização do banco e uma tentativa de diminuir as disparidades econômicas regionais. A Região Norte, segundo mostrou, recebeu R$ 116 milhões em créditos e a Sul, R$ 152 milhões. A Metropolitana totalizou R$ 243 milhões. De 2023 para 2024, os municípios beneficiados passaram de 34 para 46. Outro dado destacado pelo diretor-presidente do Bandes foi o baixo índice de inadimplência (1,3%), menor na série histórica de 10 anos e inferior à média nacional (2,3%).

O gráfico da carteira de crédito mostra a expansão do setor industrial, que ano passado recebeu a maior parte dos financiamentos (42%) – ante a 26% em 2023. A agropecuária, que liderou há dois anos a carteira de crédito, com 32%, agora tem 14% – ficou atrás da indústria e do campo de serviços (31%).

Conforme disse Marcelo Saintive, até 2022 a carteira era muito concentrada no setor agrícola. “A gente, até por uma questão de orientação do Banco Central, vem diversificando a carteira. Por isso, hoje em dia, a carteira está voltada para o setor industrial”, explicou Saintive. Nessa conjuntura, segundo o diretor-presidente, a maioria dos recursos foi destinada, principalmente, a empresas de médio porte (55% do total). “Mas isso não quer dizer que a gente não faça liberações de créditos e financiamentos para grandes e pequenas empresas”, ponderou.

A deputada Janete de Sá (PSB) questionou a razão de a carteira de créditos do banco ter reduzido entre 2017 e 2023 (de R$ 1,1 bilhão passou para R$ 479 milhões). “O tomador de crédito vem diminuindo e vocês estão tentando retomar”, analisou a parlamentar.

De acordo com Saintive, há duas explicações. “O banco passa por uma reestruturação, ele era muito voltado para o setor agrícola, e percebe-se que o mercado de créditos do setor agrícola já está muito bem abarcado por outros bancos. Além disso, lembramos que passamos pela questão da Covid, pela pandemia”, pontuou.

Inovação e sustentabilidade

Marcelo Saintive apresentou diversos mecanismos usados pelo Governo do Estado para fomentar a inovação, um dos focos de atenção do Bandes. Ele citou, por exemplo, R$ 66,3 milhões do Fundo Soberano (Funses I) aportados em startups. O total destinado à área de inovação foi de R$ 401,7 milhões em 2024 (38% a mais que em 2023).

Sobre a atuação para promover a sustentabilidade, o diretor-presidente apresentou o Fundo de Descarbonização (Funses III), que segue orientação estratégica do governo para identificar os principais setores emissores de gases de efeito estufa. O objetivo da iniciativa é promover a transição energética no Estado. O Bandes atuará como supervisor do programa e contratará uma gestora.

No âmbito do Fundo de Fortalecimento da Economia Capixaba (Fortec), o gestor apresentou o Programa de Financiamento de Pequenas Barragens, lançado neste ano, do qual o Bandes será agente financiador por meio de condições de taxa de juros subsidiadas (4% a 6% ao ano), além de carência de três anos para pagamento e oito anos para quitação. São R$ 60 milhões de dotação inicial.

O presidente da Comissão de Finanças, Mazinho dos Anjos (PSDB), salientou a atuação do Bandes para ajudar pequenos produtores. “Estamos com a agricultura no estado do Espírito Santo expandindo muito, a produção de café aumentando, de cacau, de pimenta-do-reino, de gengibre, de mamão, necessita de água, de irrigação. Tenho certeza que esse programa vai ser fundamental”, observou. “O solo do Espírito Santo ficou caro para boi pisar”, resumiu ele sobre a diversificação da atividade agrícola.

Também participaram da prestação de contas os deputados Denninho Silva (União), Alexandre Xambinho (Podemos), Coronel Weliton (PRD), Janete de Sá (PSB) e, remotamente, Delegado Danilo Bahiense (PL) e Engenheiro José Esmeraldo (PDT).

(Fotos: Lucas S. Costa/Ales)