O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) já conta com um aporte de R$ 500 milhões para financiamento de projetos de transição energética e descarbonização no Estado. A informação foi dada na manhã desta segunda-feira (17/03) pelo presidente da instituição, Marcelo Barbosa Saintive, ao participar de entrevista coletiva, na sede da Federação das Indústrias do Estado (Findes), na Reta da Penha, em Vitória, para apresentar o resultado de uma pesquisa inédita que avaliou o interesse das pequenas e médias empresas capixabas em financiamentos voltados à sustentabilidade. Até o final de abril de 2025, o Governo do Estado vai anunciar oficialmente a abertura do programa de financiamento.
Os dados da Pesquisa Descarbonização e Eficiência Energética 2025 mostram que sete em cada 10 das empresas capixabas pretendem ou avaliam investir em ações de descarbonização. Ainda de acordo com a pesquisa, o financiamento completo seria o principal tipo de recurso financeiro que a empresa utilizaria (48%), seguido por capital próprio (32%). Além disso, 26% das empresas pesquisadas teriam até R$ 500 mil de valor disposto para investimento e 11% entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões.
O presidente do banco, Marcelo Saintive, lembrou que o governador Renato Casagrande (PSB) já deu o aval para que a instituição financeira apoie as indústrias que queiram tomar empréstimo para aplicar em projetos de descarbonização. Os recursos, segundo ele, são do Fundo Soberano, criado pelo Governo do Estado em que são utilizados parte dos recursos dos royalties de petróleo para investir em inovação e financiar empresas com boas práticas em governança socioambiental. O dinheiro também poderá ser aplicado na transição energética.
O aporte de R$ 500 milhões do Fundo Soberano para financiar projetos de transição energética e descarbonização no Espírito Santo já havia sido antecipado por Casagrande em 14 de novembro de 2024, no último dia de sua participação na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP29), que aconteceu em Baku, no Azerbaijão.
Na ocasião, Casagrande disse que o valor poderá chegar a R$ 1 bilhão, já que foi assinado um protocolo de intenções do Governo do Estado, por intermédio do Bandes, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Neste caso, o governo capixaba destinará R$ 500 milhões, enquanto o BNDES também poderá aportar até R$ 500 milhões. Esse valor seria direcionado para a indústria e infraestrutura sustentável no Espírito Santo.
Antes da liberação do financiamento, entretanto, o Bandes analisará a capacidade das empresas em investirem na descarbonização: “O Bandes fará o monitoramento das ações das empresas para ver o quanto elas conseguem mitigar os efeitos e a redução da carbonização. Também analisarmos a capacidade de cada empresa em efetuar o pagamento do financiamento. Ainda no primeiro quadrimestre deste ano o Governo do Estado vai lançar o programa de financiamento. E o governador [Renato Casagrande] vai detalhar, durante o anúncio, como será o financiamento”, disse Marcelo Saintive.
Pesquisa Descarbonização e Eficiência Energética 2025
Os dados da Pesquisa Descarbonização e Eficiência Energética 2025 mostram que 56% das empresas afirmam que pretendem investir nos próximos 18 meses e 16% avaliam a possibilidade de realizar investimentos futuros. O estudo inédito foi feito por meio de uma parceria entre o Bandes e o Observatório Findes. O presidente da Findes, Paulo Baraona, explicou que a pesquisa é muito importante, uma vez que vai ao encontro do que o setor produtivo vem buscando cada vez mais: procurar soluções que contribuam para um futuro de baixo carbono e que fortaleçam o movimento de transição energética no nosso Estado e país.
“A partir desse levantamento será possível, de forma conjunta entre a iniciativa privada e o poder público, identificar oportunidades comerciais e gerar potenciais parcerias que estejam alinhadas às estratégias de diversificação da matriz energética e descarbonização. A indústria tem cada vez mais liderado essa agenda e a Findes é uma grande entusiasta e estimuladora do desenvolvimento de tecnologias e inovações que contribuam para tornar os negócios mais eficientes, produtivos e sustentáveis”, afirma.
Para o presidente do Bandes, Marcelo Saintive, a descarbonização é um tema que veio para ficar e esse compromisso precisa ser convertido em investimentos concretos.
“É neste ponto que o Bandes exerce seu papel determinante. Como instrumento financeiro do Governo do Estado, sobretudo sob a liderança do governador Renato Casagrande, que é um líder nacional na temática, o banco atua para transformar diretrizes de sustentabilidade em projetos viáveis, proporcionando as condições necessárias para que as empresas capixabas avancem nesta agenda. O desenvolvimento sustentável exige planejamento e acesso a recursos. Nesse sentido, o Bandes está se adiantando para impulsionar esse movimento, com vistas a garantir que o Espírito Santo alcance os objetivos de descarbonização com solidez econômica e protagonismo perante o cenário nacional”, pontuou Marcelo Saintive .
Sobre a pesquisa
A Pesquisa Descarbonização e Eficiência Energética 2025, divulgada nesta segunda-feira, é um levantamento inédito realizado no Estado por meio de uma parceria entre o Bandes e o Observatório Findes. A coleta de dados ocorreu entre os dias 11 e 29 de novembro de 2024, com participação de 200 empresas, distribuídas em 33 municípios capixabas.
O estudo teve como objetivo avaliar o nível de conhecimento e o interesse das empresas, em especial das indústrias, em realizar investimentos nas áreas de descarbonização e eficiência energética. Das empresas que responderam, 59% são da indústria de transformação e 14% atuam no segmento de construção. Além disso, 49% das empresas declararam ser de médio porte e outros 34% de pequeno porte.
De acordo com a pesquisa, 18% das empresas entrevistadas declararam ter conhecimento avançado sobre descarbonização e eficiência energética. A economista-chefe da Findes e gerente do Observatório Findes, Marília Silva, explica que o indicador significa que a empresa possui domínio do tema e acompanha tendências e inovações regularmente. Já 34% declararam ter conhecimento intermediário e 40% conhecimento básico sobre o tema.
Quando perguntados sobre o interesse que possuem sobre o tema, 37% responderam ter interesse elevado, considerando a descarbonização um tema estratégico, com a empresa buscando ativamente implementar soluções nessa frente, 40% têm interesse moderado, 22% pouco interesse e apenas 2% nenhum interesse.
Já com relação as motivações para o interesse das empresas em projetos de descarbonização, sendo que poderiam escolher mais de um tema, 82% dos respondentes declararam o compromisso ambiental como sua principal motivação, o que significa que a empresa tem uma iniciativa voluntária com foco na sustentabilidade ambiental. E, 66%, apontaram que a motivação vem de iniciativa interna, ou seja, decisão estratégica da alta gestão para reduzir custos como motivação principal.
Outro tópico pesquisado foi a maturidade das empresas com relação ao tema. Nessa questão, 54% das empresas já implementaram medidas de eficiência energética e 51% já implementaram medidas de Gestão de Resíduos e Economia Circular. Por outro lado, entre as medidas menos adotadas estão: implementação de medidas de descarbonização no transporte e logística (10%) e implementaram medidas de inovação e P&D em tecnologias verdes (7%).
Estudo de descarbonização teve como objetivo avaliar o nível de conhecimento e o interesse das empresas, em especial das indústrias, em realizar investimentos nas áreas de descarbonização e eficiência energética
A pesquisa também avaliou a intenção das empresas em realizar investimentos em projetos que visem a adoção de medidas de descarbonização nos próximos 18 meses. Entre elas, 56% afirmaram que pretendem investir nos próximos 18 meses; 16% estão avaliando a possibilidade de realizar investimentos e 16% não tem a intenção de realizar investimento no período considerado.
“A transição para uma economia de baixo carbono já é uma realidade inadiável, e os resultados desta sondagem, conduzida em parceria com a Findes, oferecem um panorama importante sobre o posicionamento das empresas capixabas diante dessa urgência. No Bandes, temos o compromisso de fomentar iniciativas sustentáveis e estruturar soluções financeiras alinhadas às demandas do setor produtivo, garantindo que a descarbonização aconteça de forma competitiva e viável técnica e financeiramente”, destaca a diretora Operacional do Bandes, Gabriela Vichi.
Ainda de acordo com os dados da pesquisa, o financiamento completo seria o principal tipo de recurso financeiro que a empresa utilizaria (48%), seguido por capital próprio (32%). Além disso, 26% teriam até R$ 500 mil de valor disposto para investimento e 11% entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões
Já entre o grau de interesse em diferentes grupos de projetos de descarbonização, a eficiência energética lidera com 88% das empresas, seguida pelo uso de energias renováveis (86%) e gestão de resíduos/economia circular na sequência (78%).



