A deputada federal e cantora gospel Lauriete, que em junho de 2020 voltou ao ‘ninho’ político de seu ex-marido e presidente Regional do Partido Social Cristão (PSC) no Espírito Santo, Reginaldo Almeida, pode ter sido colocada numa furada. Com intuito de voltar a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa, Reginaldo encheu o partido, levou para a sigla o deputado estadual Renzo Vasconcelos, um dos campeões de votos nas eleições de 2018, para disputar vaga na Câmara Federa. Resultado: Lauriete corre o risco de perder uma reeleição justamente para o político que seu ex-marido levou para o PSC.
Aliás, o retorno de Lauriete ao PSC começou com o pé esquerdo. Ela sempre foi a primeira-dama do partido até o momento em que permaneceu casada com Reginaldo Almeida. É que, em 2013, quando exercia seu primeiro mandato como deputada federal, Lauriete se apaixonou pelo então senador Magno Malta, com quem se casou em 28 de março de 2013, numa cerimônia privada realizada em Guarapari, e sob as bênção do pastor Levi Aguiar. Lauriete, então, já estava no Partido Republicanos (PR), que era comandado por Magno Malta, que depois assumiu o Partido Liberal (PL).
Em 2014, Lauriete abriu mão de tentar a reeleição à Câmara Federal, mas acompanhou seu então marido, o ainda senador Magno Malta, pelo Estado afora para fazer campanha para aliados. Em 2018, Lauriete voltou à cena política e foi eleita deputada federal, com recursos gordos do PL e sob a bênção de Magno, que, por sua vez, não foi reeleito senador.
No entanto, logo após a posse, Lauriete anunciou, em 12 de fevereiro de 2019, a separação do marido e ex-senador Magno Malta. Eles estavam casados havia cinco anos. No dia 22 de junho de 2020, Lauriete assinou ficha de filiação ao PSC, tendo como padrinhos seu ex-marido Reginaldo Almeida e o então presidente Nacional do partido, o pastor Everaldo Pereira. Só tem um detalhe: dois meses após a filiação de Lauriete à sigla, Pastor Everaldo foi preso pela Polícia Federal, no Rio, em mais um desdobramento da Operação Lava Jato. Ele foi preso no âmbito da Operação Tris in Idem, a mesma que também determinou o afastamento do cargo do governador Wilson Witzel (PSC-RJ), posteriormente cassado pela Assembleia Legislativa fluminense.
Em 2 de julho de 2021, a Justiça Federal do Rio aceitou um pedido da defesa do Pastor Everaldo Pereira e revogou a sua prisão preventiva, mediante pagamento de fiança, fixada no valor de R$ 1 milhão. Everaldo foi preso sob a suspeita de ser um dos líderes de esquemas de corrupção durante o governo de Wilson Witzel.
Mesmo com todo apoio de Magno Malta, de grande parte da comunidade evangélica do Espírito Santo e dos bolsonaristas capixabas, Lauriete, em 2018, foi eleita com apenas 51.983 votos. Ela ficou em nono lugar – a bancada capixaba na Câmara é formada por 10 parlamentares.
Já Renzo Vasconcelos foi o terceiro mais votado deputado estadual no pleito de 2018, com 43.293 votos, ficando atrás de Sérgio Majeski (47.015) e Lorenzo Pazolini (42.907). O mercado político especula que, como candidato a deputado federal, Renzo tem condições de dobrar a quantidade de votos, deixando Lauriete para trás. Há, entretanto, outros nomes também na chapa idealizada por Reginaldo Almeida na tentativa de salvar (???) a reeleição da ex-esposa, como o ex-secretário de Segurança Urbana de Vitória e delegado de Polícia Ícaro Ruginski, o ex-vereador de Vitória Anderson Marinho, e o ex-deputado estadual Jamir Malini.
Reginaldo Almeida foi deputado estadual no período 2007/2010. Disputou outras eleições, mas não obteve sucesso. Tem grandes chances de voltar à Assembleia Legislativa no pleito de outubro deste ano, uma vez que formou uma chapa competitiva no PSC. Há nomes fortes como o do presidente da Câmara Municipal de Colatina, vereador Jolimar Barbosa da Silva; o vereador Wellington Alemão, da Serra; o ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Velha, Ivan Carlini; o vereador Wesley Pires (Viana); o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Pinheiros Gildevan Fernandes; o ex-deputado estadual Jardel dos Idosos.
Pode ser que, assim como na vida comum, na política a vingança também tarda, mas não falha.



