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DrPedroValls

Caça aos pobres

Elimar Cortes 06 de Dezembro de 2021 2 min de leitura
Caça aos pobres

 

Dia desses li sobre uma insólita previsão feita por Daniel Wright, professor de turismo da Universidade de Lancashire, no Reino Unido. Segundo ele, em mais 100 anos a indústria do turismo movimentará fortunas comercializando pacotes de caça a seres humanos miseráveis.

Ele vai além: a partir do ano de 2200 estes sinistros safáris, transformados em espetáculos públicos, deverão ser até televisionados.

Este professor explicou que, inicialmente, a caça aos miseráveis será praticada furtivamente por milionários. Com o tempo, entretanto, e consideradas as crises ecológica e populacional, esta prática gradualmente será tornada pública e até estimulada.

Textualmente, ele sustenta que "diante do nosso relacionamento passado e presente com assassinatos, morte e atrocidades, os seres humanos acostumar-se-ão, gradualmente, a esta forma de espetáculo, influenciados por filmes e pela imprensa".

Penso, respeitosamente, que o professor Daniel Wright está errado - acredito que chegaremos a esta sinistra realidade muito antes!

Ora, nas fronteiras da civilizada Europa refugiados já vem sendo literalmente caçados e abatidos a tiros. Há poucos dias, por exemplo, li que oito sírios, dentre os quais quatro crianças, foram mortos a tiros tentando entrar na Turquia. Notícia isolada? Não creio: há não muito tempo uma mulher, fugindo da violência na Europa, tentou retornar para a Síria - mesmo assim foi perseguida e abatida a tiros.

O que choca é que a humanidade pouco faz! Aliás, sequer alvo de maciça divulgação estas notícias são! Ou seja: o professor Wright tem razão ao mencionar nossa familiaridade com o barbarismo puro e simples.

Não nos esqueçamos da "guerra ao terror". No Paquistão, por exemplo, os populares "drones" caçaram e abateram 2.379 pessoas desde 2004. Pois bem: apenas 84 foram identificadas posteriormente como sendo membros da temida "Al Qaeda". Aliás, apenas 704 de todas elas chegaram a ser identificadas! E as demais? Ora, as demais…

Agora, vá à janela e contemple as periferias de nossas cidades. Leia, com olhos de ver, as abundantes páginas policiais dos nossos jornais. Sinta, em sua rotina diária, a insensibilidade geral quanto a isso. E perceba, com Dostoievsky, que "compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas".

 

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