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Um novo modelo

Elimar Cortes 23 de Setembro de 2021 2 min de leitura
Um novo modelo

 

Era uma noite fria de fevereiro de 1981 em Arkansas, nos EUA, quando Rolf Kaestel decidiu assaltar um restaurante. Armado com uma pistola de brinquedo, anunciou o assalto - que rendeu US$ 264. Não houve, durante o crime, nenhum ato de violência física e ninguém saiu ferido. Meia hora depois Rolf foi preso pelas autoridades, que recuperaram US$ 179 - restou, assim, um prejuízo total de apenas US$ 85.

Submetido a julgamento, Rolf foi condenado a uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Ele tinha, então, 29 anos. Quarenta anos - e seguidos pedidos de clemência - depois, finalmente a população percebeu o quão exagerada havia sido a pena imposta. Aí passou a clamar pela soltura de Rolf - um idoso com 70 anos de idade.

Enquanto este norte-americano cumpria sua pena assisti a um fascinante documentário intitulado “Trabalho Interno”, dirigido por Charles H. Ferguson, no qual é abordada a grave crise financeira de 2008, que tantas misérias causou pelo planeta afora por conta dos desatinos e da ganância desmedida de alguns poucos. Seu próprio diretor o define como sendo um filme sobre “a corrupção sistêmica dos Estados Unidos pela indústria de serviços financeiros e as consequências da corrupção sistêmica”.

Chamou-me a atenção que, a despeito de tantos nomes e provas apresentadas, nenhum dos culpados foi sequer processado - que dizer condenado! Os responsáveis simplesmente se afastaram com suas fortunas pessoais intactas, rumo à alegre gastança do que amealharam.

Meditemos: um mesmo sistema legal produziu estes dois resultados! À pena absurda em um caso correspondeu a impunidade em outro infinitamente mais grave. Dir-se-ia ser esta a “justiça dos homens”. Vá lá que seja. Mas que tal melhorá-la? Hoje decide quem será ou não processado e qual a pena a ser eventualmente imposta um grupo muito reduzido de burocratas - e eis aí uma realidade universal. Isto está muito errado.

Que tal transferirmos esta função para a sabedoria e independência infinitamente maiores de colegiados proporcionais à complexidade do caso e de composição mais arejada? E com isto simplificarmos o labirinto de regras processuais que criamos?

O mundo das leis… irá ele rumo à mediocridade corrupta ou cega da burocracia? Ou evoluirá, nos elevando enquanto humanidade?

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