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A população da capital capixaba viveu momentos de apreensão na sexta-feira (14/02). No início da manhã, alguns indivíduos levaram pânico à população, inicialmente, na Avenida Leitão da Silva, promovendo a obstrução momentânea da via, depredação de carros e estabelecimentos comerciais e ameaças aos transeuntes. Na avenida Maruípe um ônibus foi incendiado. A avenida Marechal Campos e a rodovia Serafim Derenzi também foram parcialmente bloqueadas. Um veículo da imprensa foi atacado nessa rodovia.

Essas quatro vias se encontram nas adjacências da região do bairro da Penha, Bonfim e São Benedito, uma área de Vitória que apresenta histórico de crimes violentos desdobrados a partir das ações de grupos que operam o tráfico de drogas ilícitas. Os referidos ataques foram desencadeados depois que um jovem foi baleado no bairro Bonfim. Somente com o avanço da investigação policial será possível identificar de onde partiu o tiro letal. De acordo com as fontes oficias, esse indivíduo possuía intrínseco envolvimento com os citados grupos.

Na manhã daquela sexta-feira, policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil (PC) realizavam uma operação para cumprimento de mandados de prisão naquele bairro, quando foram surpreendidos por criminosos armados. O indivíduo que morreu estava nesse grupo. A CORE é uma seção especializada da PC que conta com inúmeras horas de treinamento para que suas ações sejam extremamente precisas. Ao se depararem com uma situação de tensão e pressão, como a aqui relatada, os policiais seguem rigorosamente os protocolos para garantir a segurança da população e o sucesso da intervenção policial.

Vale ressaltar que as agências de segurança pública do Estado deflagraram no início do mês de fevereiro uma operação de repressão qualificada na região do bairro da Penha, que continua em curso e busca levar mais tranquilidade à população, uma vez que foi diagnosticado previamente um aumento de confrontos armados entre as gangues que disputam o território e mercado de drogas ilícitas. Tais operações são respaldadas pela inteligência policial, protocolos, análises e estatísticas criminais e tem como objetivo garantir a segurança da sociedade.

Essas ações são necessárias e têm se tornado mais frequentes. Em outubro de 2019, por exemplo, as polícias civil e militar realizaram uma megaoperação na região dos bairros da Penha, Bonfim e São Benedito que resultou na prisão de 29 pessoas com envolvimento com o tráfico de drogas. Aquela operação foi realizada sem que as polícias efetuassem se quer um disparo de arma de fogo, o que destaca o sucesso da repressão qualificada ao crime.

A maior frequência das operações policiais nesses territórios impacta os negócios dos grupos do tráfico. Além de uma possível retaliação à morte do jovem na última sexta-feira, os ataques também podem ter o propósito de tentar desviar o foco e desmobilizar as operações policiais. Entretanto, as agências capixabas de segurança pública continuam presentes reprimindo e prevenindo a criminalidade violenta, dando resposta rápida e efetiva a eventuais situações de distúrbio, restabelecendo, assim, a ordem pública.

( Artigo publicado em A Gazeta em 19/02/2020)