Um dos policiais atacado teria revidado para defender a guarnição e efetuado um disparo. Entretanto, o tiro teria ricocheteado no poste e, possivelmente, teria mudado a direção e, assim, atingido a Kombi que estava parada desembarcando passageiro. O fragmento da bala acabou atingindo as costas de Ágatha.
Em se confirmando essa versão, a Polícia Civil poderá até sugerir o arquivamento do Inquérito Policial sem indiciar os policiais. O caso, depois de concluído, irá para o Ministério Público Estadual, que poderá oferecer ou não denúncia em desfavor dos militares. A morte da menina é também investigada pela Corregedoria Geral da Polícia Militar do Rio, que analisa se houve crime militar por parte dos policiais.
Outro fator é que ficou impossível determinar a arma que disparou o tiro – sabe-se apenas tratar-se de um fuzil. O ferimento na menina foi causado por um fragmento que teria causado a morte, mas não dilacerado a criança, o que um projétil de fuzil inteiro teria causado.
Três policiais militares, sendo dois deles envolvidos diretamente na cena da morte da menina Ágatha, colaboraram na reprodução simulada do crime. O diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), delegado Antônio Ricardo, informou que dois PMs que estiveram diretamente envolvidos na dinâmica da ação foram efetivamente ouvidos durante a reconstituição.
Eles sustentaram que dois ocupantes de uma moto passaram atirando contra a equipe de policiais, na noite de 20 de setembro, quando houve a troca de tiros que vitimou Ágatha dentro de uma Kombi.
"Dois policiais militares compareceram e prestaram as suas informações. Eles vieram por livre e espontânea vontade. Foram seis civis, testemunhas, e dois PMs, totalizando oito pessoas. Esses dois policiais participaram da ocorrência. Eles estão diretamente relacionados a ela. O laudo pericial, nós pretendemos divulgar em 30 dias, quando vamos chegar à conclusão de acordo com o que foi apurado nesta reprodução simulada", disse Antônio Ricardo à imprensa carioca.
A reprodução começou por volta das 18h30 e durou pouco mais de três horas, quando parte de uma das ruas da comunidade ficou bloqueada ao trânsito de veículos e de pedestres, terminando por volta das 22 horas. A imprensa que cobria a reconstituição foi aconselhada a sair do Complexo do Alemão em grupo, por questão de segurança, um pouco antes do fim dos trabalhos, descendo o morro a pé.
Histórico
A menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, morreu depois de ter sido baleada quando viajava com a mãe, Vanessa Sales, em uma Kombi, na comunidade Fazendinha, no Complexo do Alemão, na noite do dia 20 de setembro.