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A crise política em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, preocupa o governador Renato Casagrande. Há uma disputa entre a Câmara Municipal e o atual prefeito, Thiago Peçanha Lopes (PSDB), que chegou a ser afastado pelos vereadores, mas retornou ao cargo graças a uma decisão judicial. Esta crise já chegou, inclusive, ao Judiciário.

“A instabilidade política em qualquer município nos traz, sim, uma preocupação. Por conta dessa instabilidade, o município deixa de realizar serviços, prejudicando, assim, a população”, disse Casagrande, na manhã desta quarta-feira (05/06), após solenidade da entrega de 2.905 pistolas importadas à Polícia Militar, no auditório do Departamento de Imprensa Oficial do Estado, em Vitória.

De acordo com o governador capixaba, é preciso que a classe política de Itapemirim busque o “equilíbrio no relacionamento”, para que o município recupere à normalidade.

Renato Casagrande explicou que não cabe ao Executivo Estadual tomar a iniciativa de uma decisão de intervenção em Itapemirim. Segundo ele, a decisão cabe ao Tribunal de Justiça, como foi feito em 2012, em Presidente Kennedy.

O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Sá, também comentou o assunto. Afirmou, porém, que seria mais preocupante se a crise se tornar um “movimento bélico”. Porém, Roberto Sá garantiu que as Polícias Militar e a Civil estão atentas:

“Qualquer notícia de ameaça a autoridades e à ordem pública, será imediatamente investigada pela Polícia Civil”, disse o secretário

Na terça-feira (04/06), o prefeito Thiago Peçanha Lopes denunciou ter sido ameaçado de morte. A tensão aumentou depois que o juiz da 1ª Vara Cível da Comarca, Leonardo Augusto de Oliveira Rangel, anulou decisão dos vereadores, que haviam afastado o prefeito do cargo. O afastamento teria sido ilegal.

Na terça-feira também, o próprio juiz Leonardo Rangel pediu afastamento do processo, sob alegação de foro intimo. Desde que devolveu mandato ao prefeito, o magistrado tem sido alvo de ataques em redes sociais.

O prefeito Thiago Peçanha relata que recebeu ameaça de morte no celular por meio de uma pessoal real ou fake. Foi o deputado estadual Euclério Sampaio quem denunciou o fato, durante sessão da Assembleia Legislativa, na tarde de terça-feira (04/06).

O município de Itapemirim tem tradição de crimes políticos. No dia 14 de maio de 1999, foi assassinado o então prefeito, Dinowaldi Rodigues Peçanha, o “Juninho” (PSDB). Ele era primo de Thiago Peçanha.

Juninho foi assassinado a tiros dentro de seu consultório dentário em Marataízes, cidade vizinha. Os assassinos e os mandantes foram presos, denunciados pelo Ministério Público Estadual, julgados e condenados. Cumprem prisão atualmente.

No dia 3 de setembro de 2017, foi assassinado o então secretário Municipal de Gerência Geral de Itapemirim, José Mauro Sales, de 58 anos. Primo do prefeito Thiago Peçanha, José Mauro foi morto com vários tiros, dentro de sua residência, localizada no balneário de Itaoca.
No dia 5 de julho de 2012, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES) decretou a intervenção do governo estadual na Prefeitura de Presidente Kennedy, na região Litoral Sul do Espírito Santo, solicitada pelo Ministério Público Estadual (MP-ES). A partir da determinação, o então governador, Renato Casagrande nomeou o interventor.