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A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) acaba de divulgar informando que a categoria vai realizar paralisações parciais e progressivas em represália à decisão do presidente Jair Bolsonaro (PL) de não cumprir compromisso firmado com a categoria que estabelece a reestruturação das carreiras na instituição. De acordo com a ADPF, em Assembleia Geral Extraordinária realizada na segunda e terça-feira (2 e 3 de maio de 2022), a categoria aprovou a realização de paralisações parciais e progressivas, cujo calendário será definido em conjunto com as demais entidades de classe d Polícia Federal.

Foram aprovadas, ainda, ações de mobilização e conscientização da população durante as atividades administrativas, como controle imigratório, de armas, de produtos químicos e segurança privada, realizadas pela PF. Os delegados de Polícia Federal aprovaram também o pedido de renúncia do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Gustavo Torres – que é delegado federal –, “pelo desprestígio e desrespeitoso tratamento dado pelo presidente da República à Polícia Federal e ao próprio ministro.” Ficou decidido pela categoria que os associados poderão entregar cargos de chefia e recusar convites para assumir novos postos.

Os policiais federais cobram também do presidente Bolsonaro que cumpra o reajuste prometido para a carreira, além da reestruturação da PF. Após negociações no ano passado, foram reservados R$ 1,7 bilhão no Orçamento da União, mas, após outras categorias protestarem por reajuste, Bolsonaro recuou e anunciou um reajuste linear (para todas as categorias da União) de 5%.

Na semana passada, as entidades que representam os policiais federais repudiaram novas declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre um possível cancelamento da reestruturação das carreiras da corporação. Na manhã da última sexta-feira (29/04), o Presidente afirmou que o governo estuda igualar o teto das carreiras da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e dos agentes da PF, e que a proposta de reajuste de 5% a todos os servidores federais desagrada a todos.

“Outra possibilidade agora, que vai desagradar a PF, é dar [aumento de] 5% para todo mundo e fazer a isonomia dos PRF com os agentes da PF, porque há certo distanciamento”, disse. Bolsonaro completou a declaração com perguntas: “Como vai se comportar a PF? Vai dizer que está contra? Vai entrar em greve? O que vai acontecer? Peço que se coloqu Peço que se coloquem no meu lugar e apresentem alternativa”.

Na manhã desta quarta-feira (04/05) e reação dos delegados federais é mais contundente: “A ADPF reforça a gravidade do momento e do posicionamento do presidente da República, que, depois de se comprometer publicamente e já com orçamento reservado para a reestruturação das carreiras, decidiu não honrar com a própria palavra, gerando um clima de revolta e insatisfação generalizada nunca antes visto entre os servidores da PF”, diz a nota.

A entidade, presidida pelo delegado federal Luciano Soares Leiro, alerta que  continuará alertando à sociedade “que a desvalorização dos Policiais Federais implica, diretamente, no enfraquecimento do combate à corrupção e ao crime organizado.” Afirma também que “é vergonhoso, sobretudo em um governo que se dizia pautar pela segurança pública o atual estágio a que estão submetidos os policiais, com significativas perdas como: desamparo a família do policial morto em serviço; redução real do salário, ante o aumento da alíquota da contribuição previdenciária; trabalho em regime de sobreaviso NÃO remunerado ou compensado; diárias cujos valores não pagam todos os gastos do policial com hospedagem, alimentação e transporte durante a missão, tendo o servidor que custear o restante com o próprio salário; ausência de profissionais capacitados para dar apoio psicológico aos servidores (há 12 psicólogos em toda a polícia federal para atender 12 mil policiais), quando a Polícia Federal possui um dos maiores índices de licença por transtornos psicológicos, incluindo suicídios, em toda a esfera federal.”

Mais adiante, a nota afirma que “é importante destacar que a segurança pública foi a MAIOR bandeira de campanha do governo Bolsonaro e o destacado trabalho das forças de segurança vem sendo utilizado, indevidamente, pelo presidente como instrumento de marketing para a sua reeleição. Os policiais federais  merecem respeito. Investir em Segurança Pública é investir em seu principal ativo: o policial.”

A nota dos delegados federais encerra dizendo que “na Polícia Federal aprendemos desde cedo os valores da ética, da palavra e da honra. Esperamos que esses valores também sejam compartilhados por todos os integrantes do Governo Federal. Continuaremos coesos na busca pelo cumprimento da palavra empenhada.”