O ‘filme’ do ex-senador Magno Malta, que coordena o Partido Liberal (PL) no Espírito Santo, está meio queimado em Brasília. Mais precisamente junto ao presidente Jair Bolsonaro, que recentemente se filiou ao PL e a outros dirigentes de partidos da direita. O motivo seria a decisão de Magno Malta, que se coloca como pré-candidato ao Senado este ano, em fechar as portas do PL para o ex-deputado federal Carlos Manato e, ao mesmo tempo, atender pedidos do ex-governador Paulo Hartung (sem partido).
De acordo com fontes, há algum tempo Paulo Hartung vem mantendo contatos com Magno Malta. Iniciaram tratativas, a pedido de Hartung, para que Magno acolha o prefeito de Linhares, Guerino Zanon, que está de saída do MDB, no PL. Hartung pediu a Magno Malta que abrisse as portas para Guerino se filiar ao PL e disputar a eleição deste ano como candidato a governador do Estado. Magno aceitou, porém, em troca de outras benesses, como o apoio de Hartung a sua candidatura ao Senado. Mais recentemente, Guerino veio a Grande Vitória e se reuniu com Magno Malta num sítio. Teriam, aí, fechado um acordo. Por conta dessas decisões, Magno Malta já está sendo considerado um “traidor” do bolsonarismo em terras capixabas. Hartung e Guerino estão longe de serem defensores do bolsonarismo e do Presidente da República.
Ficou combinado na reunião que o plano é o de fomentar outras candidaturas ao Governo capixaba, para evitar que o atual governador, Renato Casagrande (PSB), líder disparado em todas as pesquisas de intenções de votos, ganhe no primeiro turno. O grupo, agora liderado por Hartung e Magno Malta, quer forçar um segundo turno.
Por isso, Hartung tem motivado outros nomes a se lançarem, como o senador Fabiano Contarato – que saiu da Rede para se filiar ao PT –; o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede); o secretário da Fazenda de Vitória, Aridelmo Teixeira (Novo); e o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos).
Carlos Manato disputou o governo do Estado em 2018. Perdeu no primeiro turno para Casagrande, quando obteve 525.973. Conquistou essa expressiva quantidade de votos por ter surfado na onda de Jair Bolsonaro. Casagrande foi eleito com 1.072.224 votos. Manato, no entanto, entrou na campanha porque queria eleger sua mulher, Soraya Manato, para a Câmara Federal. ‘Doutora Soraya’ foi eleita pelo PSL, mas deixou a legenda, que era também de Bolsonaro, e foi para o PTB. Seu marido, Carlos Manato, também deixou o PSL, depois de perder espaço no partido no Espírito Santo para o deputado estadual Coronel Alexandre Quintino. Manato está sem legenda e, por isso, tentou fazer de tudo para migrar para o PL, de Magno Malta.
A direção nacional do PTB tem interesse de fazer a federação partidária com o PL. Por isso, o nome do partido no Estado para disputar o cargo de governador é Carlos Manato. Porém, o ideal para a sigla é que Manato se filie ao PL ou que, mesmo em outro partido, sua campanha seja abraçada por Magno Malta. Revoltada, a presidente Nacional do PTB, Graciela Nienov, já levou seu descontentamento para Jair Bolsonaro e o clã político do Presidente da República.
No fundo, Paulo Hartung e Magno Malta sempre estiveram juntos em diversos momentos do cenário político nacional. Magno é conhecido como o político que procura estar sempre aliado com quem se encontra no poder. Foi assim com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luís Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Houssef (PT), Michel Temer (MDB) e agora Jair Bolsonaro (PL). Hartung foi aliado de FHC, Lula, Dilma e Temer.
Paulo Hartung também atendeu diversos interesses políticos de Magno Malta, como a nomeação do então superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) no Espírito Santo, Halpher Luiggi, para assumir a direção-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES). Fato ocorrido no dia 3 de janeiro de 2015, três dias depois que Hartung assumiu pela terceira vez o comando do Executivo Estadual. Na época, o vice-governador era César Colgnago.
Os passos de Magno Malta no Estado estão sendo levados a Jair Bolsonaro. O Presidente já mandou recado para o senador, dizendo que não aceita que seu partido faça acordo com Hartung e nem vai concordar que um dos mais ferrenhos bolsonaristas capixabas, Carlos Manato, “seja traído” e ou prejudicado por outros bolsonaristas.
Nos bastidores, a informação é de que o Mito vai reagir. Magno Malta que aguarde as cenas dos próximos capítulos.



