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Diante do fenômeno natural El Niño, que começou a impactar o Brasil desde 11 de junho de 2026, o governo do Espírito Santo anunciou um comitê que vai monitorar as consequências e discutir estratégias de ação no Estado. O governador Ricardo Ferraço (MDB) afirmou que, no Espírito Santo, tudo indica que o fenômeno trará estiagens muito prolongadas, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Estado.

O período sem chuva pode causar falta de água e incêndios em vegetações devido à baixa umidade no ar. Outros impactos são o aumento de ondas de calor e chuvas irregulares, que podem cair isoladamente e inundar algumas regiões enquanto outras passam por estiagem.

Por isso, na tarde de quarta-feira (08/07), o  governador Ricardo Ferraço anunciou um conjunto de medidas preventivas e mitigatórias para enfrentar os impactos climáticos decorrentes do fenômeno El Niño. Em coletiva de imprensa, ele apresentou o Plano Estratégico de Preparação e Enfrentamento, uma estratégia multissetorial estruturada com base em dados técnicos e modelagens meteorológicas, com o objetivo de proteger a população, garantir a segurança hídrica e reduzir os impactos sobre o setor produtivo capixaba.

Com base nos dados de monitoramento e nas projeções climáticas elaboradas pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec-ES), foram definidas ações que vão desde o monitoramento em tempo real até o apoio aos produtores rurais. Diante da possibilidade de anomalias climáticas, que podem provocar estiagens prolongadas em algumas regiões e episódios de chuvas intensas em outras, o Estado estruturou um conjunto de medidas preventivas para reduzir riscos à população e à infraestrutura.

“Tudo indica que teremos um período de forte influência do El Niño. Por isso, estamos agindo de forma preventiva para reduzir a necessidade de ações emergenciais. Estou assinando o decreto que cria o Centro Integrado de Comando e Controle, reunindo diversos órgãos do Governo do Estado em uma atuação coordenada. O decreto estabelece um planejamento e define responsabilidades. Também divulgaremos boletins sobre o fenômeno e sobre as ações adotadas, garantindo transparência à população. Há previsão de estiagem prolongada, com possíveis impactos econômicos e sociais, e estamos adotando medidas para ampliar a capacidade de resposta do Estado”, afirmou Ricardo Ferraço.

Entre as principais frentes de atuação está o fortalecimento da rede de monitoramento meteorológico. A Defesa Civil Estadual realiza monitoramento 24 horas por dia, utilizando imagens de satélite, estações meteorológicas e a Plataforma V-Fogo, responsável pelo acompanhamento, em tempo real, dos focos de calor.

A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) opera 32 estações de monitoramento fluviométrico dos rios capixabas, enquanto a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) acompanha o nível da água nos pontos de captação para abastecimento. Caso necessário, poderão ser adotadas medidas como a perfuração de poços e a contratação de carros-pipa para atendimento emergencial.

O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) apoia as ações de fiscalização ambiental por meio da Central de Monitoramento de Florestas (CMF/Idaf), que utiliza imagens de satélite para identificar desmatamentos ilegais e emitir alertas georreferenciados.

O agronegócio e a agricultura familiar estão entre os setores mais suscetíveis aos efeitos do El Niño. Para reduzir esses impactos, a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) estruturou ações preventivas, incluindo a entrega antecipada de carros-pipa e maquinários, como caçambas, escavadeiras e pás carregadeiras aos municípios, além da distribuição de ensacadoras de forragem e da formação de estoques estratégicos de silagem para garantir a alimentação dos rebanhos.

Também foi criado o Programa de Financiamento para Construção de Pequenas Barragens, com linhas de crédito de até R$ 150 mil por propriedade rural, juros reduzidos e prazos ampliados. Além disso, técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) intensificarão o atendimento aos produtores rurais, prestando orientações sobre manejo sustentável do solo, elaboração de projetos para acesso ao crédito e contratação do Seguro Rural.

Na área de infraestrutura hídrica, o Governo do Estado mantém investimentos em 33 barragens de uso coletivo, entre concluídas e em execução, com capacidade total de armazenamento de aproximadamente 17,7 milhões de metros cúbicos de água. No ambiente urbano, a Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) concentra suas ações na execução de obras de macrodrenagem e contenção de encostas.

Por meio do Fundo Cidades, foram investidos R$ 721 milhões em 217 obras de prevenção e mitigação de desastres. Já o Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Funpdec/ES) destinou R$ 52 milhões para a execução de outras 35 obras com a mesma finalidade. Para reforçar o combate aos incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) executa a Operação Fogo Zero, que mobiliza efetivo adicional nas regiões com maior incidência de incêndios em vegetação.

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) também investiu na aquisição de equipamentos de prevenção e combate a incêndios, além da contratação de brigadistas para atuação nas unidades de conservação sob sua gestão. As ações são apoiadas pelo Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer), que adquiriu duas novas aeronaves, um caminhão de abastecimento, equipamentos específicos para combate a incêndios e promoveu a formação de novos pilotos e mecânicos.

Para coordenar a execução das medidas e agilizar a resposta às ocorrências, foi instituído o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño, que reunirá os órgãos envolvidos nas ações de preparação e resposta. O CICC permitirá o monitoramento diário das condições climáticas no Espírito Santo, a centralização das informações e a tomada de decisões de forma integrada entre os órgãos estaduais envolvidos nas ações de prevenção e enfrentamento aos impactos do fenômeno El Niño.

Entenda o que é o El Niño

O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel BM Benício Ferrari Júnior, explicou que o El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, alterando a circulação das massas de ar e, consequentemente, o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. Segundo ele, o Espírito Santo está em uma área de transição, mas o histórico mostra que a maior parte dos eventos provoca seca, aumento das temperaturas e mais focos de incêndio.

“A maioria dos El Niños, considerando todos os anos de El Niño, olhando eles em comparação com a média, traz um cenário de estiagem maior, um aumento de temperatura, e, por conta disso, mais incêndios em vegetação. Então esse é o cenário esperado”.

O coordenador destacou que isso não impede a ocorrência de chuvas fortes e isoladas. “Essa chuva pode acontecer localizada, cair concentrada num lugar só, num dia só. Podemos ter um local inundado, enquanto que o resto do Estado está pegando fogo”, alertou.

(Fotos: Cid Costa/Governo-ES)