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Dando continuidade à série de diálogos sobre desafios enfrentados  pelos deficientes físicos, dando-lhes visibilidade e contribuindo para a construção políticas públicas mais inclusivas, a Frente Parlamentar de Pessoas com Deficiência e Doenças Raras da Câmara Municipal de Vitória, presidida pelo vereador Davi Esmael (Republicanos), recebeu, na segunda-feira (11/05), o trabalhador autônomo Leonardo Oliveira, uma pessoa com nanismo, estudante de Educação Física, que pela primeira vez na vida teve a oportunidade de falar sobre as dificuldades que ele, e várias outras pessoas como ele, vivenciam diretamente.

Antes de passar a palavra para o convidado, Davi Esmael frisou duas coisas. “Nunca fizemos tanto pelas pessoas com deficiência em Vitória. E, ao mesmo tempo, Vitória ainda está longe de se tornar uma cidade verdadeiramente inclusiva”, disse o parlamentar. “Há muito para ser feito, e só faremos do jeito certo se conhecermos as realidades vivenciadas por essas pessoas, por isso convidei o Leonardo para falar da sua experiência”, explicou Davi.

Leonardo Oliveira fez questão de iniciar sua narrativa afirmando que esta foi a primeira oportunidade, que ele conhece, nas últimas três décadas, em que uma pessoa com nanismo foi convidada para expor as dificuldades que enfrenta no dia a dia.

Casado há 12 anos com a pedagoga Solange, e pai de uma filha que completará 11 anos em breve, o convidado fez questão de elencar inúmeras situações que passam desapercebidas por outras pessoas, pois os problemas das pessoas com nanismo são invisibilizados. “O nanismo não é uma limitação intelectual. É uma limitação física, e somos capazes de viver uma vida normal, desde que haja sensibilidade para isso”, afirma.

Entre os inúmeros problemas vivenciados pela baixa estatura no dia a dia, estão, usar um caixa eletrônico, passar um Pix, andar de ônibus e, sobretudo, enfrentar diariamente o preconceito. “Somos reconhecidos como deficientes físicos, mas nossos direitos não são respeitados”, denuncia, citando as dificuldades que enfrenta para passar em uma roleta de ônibus, por exemplo.

A oportunidade de falar sobre o seu cotidiano, na Câmara de Vereadores, significa para ele um indício de que as coisas estão começando a mudar, e ele acredita que a educação é a melhor forma de enfrentar e superar o problema. “Incluir é respeitar, adaptar e garantir dignidade”, disse Leonardo, que encerrou sua narrativa e agradecendo à Frente pela oportunidade.  O convidado recebeu um Diploma de Honra ao Mérito por sua participação.