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Os vereadores Armandinho Fontoura (PL) e Karla Coser (PT) protagonizaram, na sessão ordinária de quarta-feira da Câmara Municipal de Vitória, mais um embate político-ideológico, sinalizando o que vai acontecer daqui em diante uma vez que ambos são pré-candidatos nas eleições de outubro deste ano a vaga na Assembleia Legislativa. Em determinado momento da discussão, Armandinho lembrou que os petistas do Espírito Santo sempre tiveram uma ligação política muito forte com o ex-governador Paulo Hartung (PSD), que deu uma guinada em sua carreira política-ideológica radical, passando do extinto Partido Comunista Brasileiro para uma legenda também ligada ao Centrão, que é o Partido Social Democrático (PSD).

A lembrança do vereador Armadinho, ferrenho defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se deu porque Karla Coser não gosta do fato de Hartung ser chamado de “esquerdista” por vereadores da direita da Capital. Hartung apoia a pré-candidatura do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao cargo de governador do Estado. Ao se manifestar, Karla Coser questionou a classificação ideológica atribuída a figuras públicas e criticou o que chamou de generalizações no debate político:

“O que é ser conservador, o que é ser de esquerda? Eu acho curioso porque todo mundo que minimamente defende os direitos humanos vocês colocam numa caixinha de que é de esquerda”, afirmou, citando ainda o histórico político de Paulo Hartung ao questionar posicionamentos recentes:

“Para vocês [da direita], Paulo Hartung é de esquerda então? Se ele está na esquerda e ele apoia Pazolini, Pazolini é de esquerda também?”, indagou. Em outro momento, Karla acrescentou: “Nunca foi tão fácil escolher. Nós temos projeto para o Estado do Espírito Santo”.

O vereador Armandinho, entretanto, rebateu as declarações da colega de Parlamento: “Paulo Hartung é de esquerda sim, só que a vereadora [Karla Coser] não fala que já trabalhou para ele. Ela foi cargo comissionado no governo em 2017”, disse.

O parlamentar também mencionou vínculos políticos anteriores. “Karla só não fala que Paulo Hartung indicou o vice-prefeito do pai dela. Agora, por que Paulo Hartung não presta? Só porque ele está andando com a prefeita Cris Samorini?”, questionou. A empresária Cris assumiu a Prefeitura de Vitória no lugar de Lorenzo Pazolini, que renunciou ao cargo para disputar o Govermo do Estado.

Armandinho, depois, deu mais detalhes das ligações históricas do PT com o hartunguismo:

“Em 2008, o então prefeito de Vitória, João Coser (PT) – pai da vereadora Karla –, foi reeleito, tendo como vice o jornalista Tião Barbosa, que era do MDB, mesmo partido do governador capixaba à época, Paulo Hartung. Tião Barbosa havia sido secretário de Comunicação e de Governo nos dois mandatos do Paulo. Em 2017, no terceiro ano do terceiro mandato do então governador Paulo Hartung, a agora vereadora Karla Coser trabalhou na Secretaria de Desenvolvimento (Sedes), tendo sido lotada na Subsecretaria de Atração de Investimentos e Negócios Internacionais. Ela ocupou cargo comissionado porque era amiga e aliada do governador Hartung e agora vem cuspir no prato que comeu.”

Durante sua fala, Armandinho afirmou ainda que há mudança de posicionamento conforme o cenário político. “A esquerda agora está rejeitando o Paulo Hartung que foi vice do pai dela, foi chefe dela. Cuidado, vereadora Karla, que seu ex-chefe Paulo Hartung pode não gostar de suas críticas feitas a ele”, ironizou o vereador.

Outra forte ligação dos petistas capixaba com Paulo Hartung foi o fato de que, em 2014, o Partido do Trabalhadores ocupava a vice-governadoria do Estado com Givaldo Vieira, no primeiro mandato do então governador Renato Casagrande (PSB), e, mesmo assim, lançou o então deputado estadual Roberto Carlos (PT) ao governo do Estado só para atrapalhar a reeleição de Casagrande. Considerado “laranja” na eleição, Roberto Carlos acabou ajudando a eleger Paulo Hartung e o PT ganhou cargos na gestão hartunguista.