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Delegados e demais servidores da Polícia Federal iniciaram na segunda-feira (09/03) uma mobilização nacional que já impacta atividades operacionais e administrativas da corporação nos Estados e no Distrito Federal. Entre as medidas adotadas estão a suspensão de despachos de Inquéritos Policiais no sistema eletrônico e a paralisação de novas operações policiais, mantendo apenas atendimentos considerados urgentes.

O movimento é liderado por entidades representativas da categoria, como a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol). A mobilização busca pressionar o Governo Federal a enviar ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de criação do Fundo de Combate ao Crime Organizado (FUNCOC), que permitiria destinar recursos apreendidos do crime para fortalecer as operações e a estrutura da Polícia Federal.

Segundo a ADPF, a mobilização também afeta diretamente serviços ao público, como a emissão de passaportes. Novos agendamentos foram suspensos e apenas casos urgentes, com comprovação de viagem iminente, estão sendo atendidos. A entrega de documentos continua, mas com atendimento reduzido e prioridade para situações emergenciais.

Outros setores da corporação também foram atingidos pela paralisação parcial. Atividades de fiscalização em empresas de segurança privada e análises de processos administrativos foram suspensas, assim como procedimentos ligados ao controle de armas e produtos químicos, incluindo processos relacionados a Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs).

De acordo com a ADPF, a mobilização ocorre diante da ausência de envio ao Congresso Nacional do projeto de criação do FUNCOC, mesmo após compromisso assumido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. “Soma-se a esse cenário a proximidade do prazo previsto na legislação eleitoral para edição de medida provisória ou aprovação de projeto de lei nesse sentido”, diz a nota da entidade.

Também foram considerados fatores estruturais que afetam a Polícia Federal como a crise de atratividade das carreiras, as dificuldades de retenção de profissionais e a ausência de fontes diretas de financiamento capazes de sustentar as atuais e novas atribuições da instituição.

Durante a Assembleia Geral Extraordinária realizada em 23 de fevereiro de 2026, foram votadas e aprovadas medidas de mobilização que impactam determinadas atividades administrativas e operacionais da Polícia Federal, preservando, no entanto, as atividades essenciais e situações de urgência.

As medidas aprovadas para a mobilização são:

  1. Polícia Judiciária e Operações

Suspensão de:

– Despachos no sistema de inquérito eletrônico (e-Pol)

– Deflagração de operações policiais

– Alimentação dos sistemas GEPOL e SIGACRIM

– Emissões de ordens de missão no sistema MOBILIZAÇÃO

Exceções:

Prisões em flagrante

Casos com prerrogativa de foro

Situações de risco iminente à vida

Proteção de menores e idosos

Combate ao tráfico de pessoas

  1. Polícia de Migração (Passaportes)

Suspensão de:

– Novos agendamentos para emissão de passaportes

– Atendimento regular para entrega de passaportes

Exceções:

Atendimento em casos urgentes, mediante comprovação de emissão de passagens aéreas

  1. Segurança Privada (DELESP)

Suspensão de:

– Fiscalizações de empresas de segurança privada

– Análises de processos administrativos em tramitação

– Atos decisórios vinculados ao controle do setor

  1. Controle de Armas e Produtos Químicos

Suspensão de:

– Processos e serviços relacionados ao controle de armas

– Processos relacionados ao controle de produtos químicos

– Processos envolvendo Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs)