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A investigação do assassinato do subtenente da Reserva Remunerada da Polícia Militar Antônio Augusto Blank, 58 anos, ocorrido em Vila Velha, pode levar a Polícia Civil do Espírito Santo a desmontar uma rede de corrupção envolvendo empresários, agentes públicos e políticos de um município da Grande Vitória. Proprietário de um clube de tiros no bairro Bubu (Cariacica), Blank segurava uma pistola 9 mm carregada e tinha o dedo no gatilho quando foi morto com dois tiros de fuzil, às 5h30 do dia 30 de abril de 2023, na Rodovia Darly Santos. O crime ocorreu quando o subtenente parou seu carro em um semáforo na altura do bairro Araçás.

Um empresário alvo da investigação do assassinato do PM Blank gravava e às vezes filmava seus encontros com agentes públicos, mostrando assim um relacionamento espúrio com autoridades políticas e outros servidores. No decorrer das investigações, a Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha chegou a um empresário, dono de empresas que atuam no ramo da construção de prédios residenciais e comerciais no Estado. Esse empresário teria alugado a arma (um fuzil) para o pistoleiro que matou o PM Blank.

A Polícia Civil, amparada por ordem judicial, cumpriu mandado de busca e apreensão na residência e na empresa do empresário. Na casa, encontrou diversas armas, que, segundo consta, seriam também alugadas para bandidos da Grande Vitória. O empresário foi autuado em flagrante por posse ilegal de armas e liberado pela Justiça para responder Inquérito Policial em liberdade.

Celulares do empresário foram apreendidos na mesma operação. Nos aparelhos, foram descobertos diversos vídeos e áudios em que o empresário gravou conversas suas com políticos e servidores públicos de uma determinada Prefeitura. A maioria do teor das conversas gira em torno de extorsão e chantagem, como pedido de propina para liberação de obras.

“Cadê meu dinheiro, rapaz? Preciso pagar pedreiros”, diz um dos trechos do áudio de um agente público ao empresário. Em outro trecho, o empresário diz para o interlocutor: “Preciso te encontrar para entregar seu presente”.

As investigações sobre o assassinato do PM e dono de clube de tiro Blank segue na DHPP de Vila Velha. Já a investigação a respeito da rede de corrupção foi encaminhada ao Departamento de Investigações Criminais (Deic). Os dois casos, no entanto, tramitam em segredo de Justiça. Em princípio, a morte de Blank não tem a ver com o esquema de corrupção na Prefeitura. Por isso, os dois casos (homicídio e corrupção) foram desmembrados de unidade de Polícia Civil e seguem em Inquérito Policial distinto.

Saiba Mais

Antônio Augusto Blank ingressou na Polícia Militar em 1984 e se aposentou em 2016. Além de ser subtenente da reserva, Blank era proprietário de um clube de tiros em Bubu,  para onde estava indo quando foi morto, participar de uma competição quando foi morto a tiros. Um dos pistoleiros saiu de um veículo modelo Hyundai HB20 que estava estacionado na Rua Buenos Aires, paralela à Rodovia Darly Santos, andou em direção ao carro da vítima e atirou contra o veículo, fugindo em seguida.

A equipe da Polícia Militar acionada para a ocorrência constatou que Blank estava morto no interior do veículo dele, após ser atingido por um disparo no tronco e outro na barriga. Em seguida, uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada. Além de uma pistola, Blank estava com cerca R$ 8 mil e dinheiro e com munições no veículo, materiais que não foram levados pelos criminosos. Ele foi vítima de crime de mando.