A montadora chinesa GWM deu mais um passo para ampliar sua presença industrial no Brasil ao assinar, na quarta-feira (14/01), um Termo de Compromisso com o Governo do Espírito Santo. O documento abre caminho para a instalação da segunda fábrica de automóveis da montadora chinesa no país, somando-se à unidade de Iracemápolis (SP), inaugurada em 2025. Participaram da assinatura o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), que se encontra em Pequim, o fundador e chairman da GWM, Jack Wei, e o governador Renato Casagrande (PSB), por vídeo.
Desta forma, o Espírito Santo tende a assumir um novo papel no mapa da indústria automotiva nacional. O Estado, que já funciona como porta de entrada dos veículos da GWM, passaria também a disputar espaço como polo de produção, ampliando sua relevância industrial e logística.
O movimento ainda sinaliza uma tendência maior no setor: a aposta de marcas chinesas no Brasil não se limita ao curto prazo. Ao reforçar produção e estrutura regional, a GWM indica um projeto de permanência e expansão, com impacto direto sobre cadeias locais, infraestrutura e disputa por investimentos industriais no país.
“Acabamos de assinar um termo de compromisso pelo qual a Great Wall Motors manifesta a intenção de implantar uma indústria para a produção de veículos no Espírito Santo. Uma notícia histórica para nós no Estado porque damos um passo em direção a ter aqui uma indústria de automóveis”, disse Ricardo Ferraço.
O governador Renato Casagrande, por vídeo, destacou o desejo de atrair indústrias do setor automotivo para o Espírito Santo. “Foi um sonho, sempre nos acompanhava, sempre sonhamos com isso. E tenho certeza de que a organização do nosso Estado, tudo aquilo que fizemos de articulação, possibilitou que a empresa pudesse tomar essa decisão. E esse investimento é o que vem fortalecer ainda mais a economia capixaba e atrair novos negócios”.
Para o governador Casagrande, a assinatura do termo de compromisso da GWM para instalar uma fábrica em Aracruz marca um novo capítulo da industrialização capixaba. Ele frisou que se trata de um projeto industrial completo. “A indústria de automóveis não é montadora, é uma indústria mesmo de veículos que será aqui no Parklog, em Aracruz. Não será apenas uma montadora, mas uma fábrica de fato”, afirmou.
Ele destacou que a decisão representa mais do que a simples montagem de carros e simboliza a maturidade do ambiente de negócios capixaba. “É uma notícia importante para toda a economia capixaba, porque a indústria de automóveis traz outras indústrias e fornecedores junto com ela. Do mesmo modo qualifica a mão de obra bem como mostra o bom momento que estamos vivendo no Estado”.
O termo de compromisso encerra uma disputa silenciosa e altamente estratégica. A concorrência pela nova fábrica da montadora chinesa havia se afunilado entre Espírito Santo e Paraná, após a saída de São Paulo e Santa Catarina da corrida. Representantes da GWM chegaram a sobrevoar de helicóptero áreas de Aracruz e a circular pela região em visitas técnicas, avaliando a infraestrutura logística, portuária e industrial disponível.
Espírito Santo vira peça central na estratégia da GWM
A movimentação reforça um processo que já vinha se desenhando: o Espírito Santo ganhou peso na operação brasileira da GWM e se consolidou como um dos pilares logísticos da marca. Em 2025, a montadora importou mais de 45 mil veículos pelos portos capixabas, volume que ajudou o estado a se transformar no principal hub logístico da empresa no país.
Essa base portuária tem sido determinante para atrair o investimento. Hoje, os veículos importados da China desembarcam no Porto de Vitória, em uma operação realizada em parceria com a Comexport, empresa que também atua no Polo Automotivo do Ceará.
Aracruz desponta como favorita, mas decisão depende de estudos
Embora o local definitivo ainda não tenha sido oficializado, Aracruz, no Norte do Espírito Santo, aparece como o destino mais provável da nova fábrica. A cidade reúne fatores considerados estratégicos: acesso direto à BR-101, proximidade com diferentes portos, incentivos regionais da Sudene e a estrutura planejada do ParkLog, voltada a grandes projetos industriais.
Nos bastidores, o investimento é tratado como relevante. Projeções iniciais apontam valores em torno de R$ 340 milhões, com expectativa de início de operação por volta de 2028, caso o cronograma avance sem atrasos.
A eventual nova planta no Espírito Santo se encaixa numa leitura mais ampla da montadora sobre o Brasil. A GWM já sinalizou que seus investimentos no país podem chegar a R$ 10 bilhões até 2032, e a unidade capixaba entraria como complemento estratégico à fábrica de Iracemápolis, reforçando ganho de escala e capacidade produtiva local.



