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Evandro Figueiredo Boldrine, que se considera liderança comunitária de  Jardim Camburi, acaba de ser nomeado para trabalhar como Técnico Sênior de Gabinete e Representação Parlamentar Nível II na Assembleia Legislativa. Foi nomeado para atuar no Gabinete do deputado Alcântaro Filho (Republicanos), o mesmo que é acusado de intimidar e escrachar professores e estudantes, menores de 18 anos, dentro do Palácio Anchieta, na Cidade Alta, em Vitória.

A nomeação de Evandro Figueiredo está publicada no Diário Oficial da Ales da última quarta-feira (15/10). No dia 24 de junho de 2025, Evandro, que é forte aliado e cabo eleitoral do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e do ex-governador Paulo Hartung (PSD), havia sido exonerado do cargo que ocupava na Mesa Diretora do Legislativo Estadual. Foi exonerado por determinação do presidente da Sales, Marcelo Santos (União Brasil). Voltou ao Poder Legislativo a pedido do deputado Alcântaro. A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial da Ales.

Em março de 2018, Evandro Figueiredo foi alvo de uma operação da Polícia Federal quando era servidor comissionado da Secretaria Estadual de Esportes e Lazer do Espírito Santo (Sesport). Ele havia sido apontado pela PF como um dos responsáveis por divulgações de fake news (notícias falsas) com intuito de influenciar o voto do eleitor capixaba nas próximas eleições.

Na ocasião, a Federal informou que Evandro – que logo depois foi exonerado da Sesport – “esteve envolvido na divulgação de uma pesquisa eleitoral, que teria sido feita pelo partido PSD – hoje, o mesmo partido de Hartung, que na época estava no MDB –, no site Capixabão.com. Em ano eleitoral – como foi em 2018 –, apenas pesquisas registradas na Justiça Eleitoral podem ser publicadas.

Antes de serem publicados no site, números da pesquisa fraudulenta circularam em grupos de WhatsApp. O título do texto publicado pelo Capixabão era: “Paulo Hartung tem a preferência do eleitor da Grande Vitória”.

Evandro Figueiredo prestou serviços também à gestão do prefeito Pazolini. Ocupou o cargo de presidente da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV).  No entanto, em 30 de setembro de 2022 o prefeito acolheu Recomendação do Ministério Público do Estado do Espírito Santo e exonerou seu cabo eleitoral Evandro Figueiredo. A Recomendação, proferida em um Inquérito Civil instaurado para apurar supostas irregularidades na nomeação de Evandro Figueiredo – que estava no cargo desde janeiro de 2021, quando Pazolini tomou posse para o atual mandato – para a presidência da CDTIV, “em total desconformidade com as exigências contidas nas Leis Federais n.ºs 6.404/1976 e 13.303/2016, no Decreto Municipal n.º 16.915/2016 e no Estatuto Social da empresa”.

Na Recomendação, o promotor de Justiça Rafael Calhau ressalta que “há fortes indícios, consubstanciados nos documentos já recebidos pelo Ministério Público e por informações obtidas junto a sistemas de informação, de que a nomeação de Evandro Figueiredo Boldrine está em desacordo com os requisitos legais e normativos exigidos para indicação ao cargo de Diretor-presidente de empresa pública municipal. Ou seja, Evandro não tinha envergadura técnica para ocupar o cargo.

Diretora registra queixa contra deputado e pastor

A diretora da escola da Rede Estadual de Ensino registrou, na Polícia Civil, uma denúncia contra o deputado Alcântaro Filho depois que uma turma de adolescentes e professoras serem filmados, sem autorização, e pelo fato de o parlamentar adotar atitudes consideradas intimidatórias pelo grupo. A cena aconteceu durante visita dos estudantes à exposição “Línguas Africanas que fazem o Brasil”, no Palácio Anchieta.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, 12 alunos e quatro professores foram à exposição no último dia 10 de outubro. Logo no início, o grupo foi acompanhado por cinco homens, mais tarde identificados como o deputado Alcântaro, e o vereador Pastor Dinho Souza (PL/Serra), contra quem também foi feita queixa, e assessores que estavam fazendo filmagens com celulares.

Ainda de acordo com o BO, um visitante que testemunhou o episódio afirma que os monitores do espaço insistiram várias vezes para que as filmagens fossem interrompidas, mas foram ignorados. Chegou um momento em que o deputado e o vereador teriam se posicionado entre os estudantes, segundo a testemunha, e passado a contradizer as explicações da visita guiada, declarando que a exposição era “coisa do diabo”.

Pontuou a diretora à Polícia Civil: “Após a reiteração da solicitação por parte dos docentes, os indivíduos iniciaram um processo de intimidação direcionado aos profissionais da escola. Foram proferidas, em alto e bom som, acusações de que a atividade em curso configurava ‘doutrinação religiosa’ e ‘ideologização’. Adicionalmente, levantaram suspeitas sobre a presença dos estudantes na atividade, questionando publicamente a legitimidade da participação e o teor do evento educativo”.

Trechos das gravações foram exibidas, inclusive, nas redes sociais do deputado e do vereador sob a legenda de “Doutrinação Religiosa no Palácio Anchieta”, criticando o fato de a exposição apresentar palavras e elementos ligados às religiões de matriz africana.

Em nota enviada à imprensa, o deputado Alcântaro Filho afirmou estar sendo vítima de tentativa de inversão dos fatos. “Em momento algum houve intimidação, mas sim fiscalização legítima e amparada pela Constituição. Tenho compromisso com a proteção das crianças e a transparência nas atividades pedagógicas e não aceitarei que se tente silenciar a minha atuação parlamentar e tomarei as medidas jurídicas contra toda e qualquer inverdade e ameaça sofrida.”

Por sua vez, o vereador Pastor Dinho Souza, também em nota, garantiu que não intimidou nenhum profissional da educação ou aluno. Ele disse que tomou conhecimento da exposição no Palácio Anchieta após a filha chegar em casa falando sobre o que viu no passeio da escola.

“Como pai, entrei em contato com o deputado estadual Alcântaro Filho, buscando auxílio na representação do parlamentar. Sou cristão e minha família também. Quem ensina religião para meus filhos sou eu e minha esposa, e não a escola. A exposição, sob o pretexto de falar de cultura, sob a ótica da minha fé e valores, não passa de uma doutrinação religiosa de religiões de matriz africana, e não propriamente da cultura africana, conforme divulgado pela escola da minha filha.”

Por fim,  afirma que respeita a cultura africana, mas não professa as religiões de matrizes africanas, às quais a filha foi exposta na visita escolar.