Milhares de pessoas foram as ruas das capitais do Brasil, no domingo (21/09), para protestar contra a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e à Proposta de Emenda à Constituição 3/2021 (PEC da Blindagem ou Impunidade ou Bandidagem), que prevê exigência de autorização do Congresso para processar criminalmente deputados e senadores.
Convocadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL, PT e movimentos populares, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.
Foram registradas multidões nas ruas de grandes cidades como Vitória, Salvador, Recife, Natal, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, 33 cidades tiveram atos, incluindo todas as capitais. Com o mote “Congresso Inimigo do Povo”, os manifestantes exigiram a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, entre outros crimes.
Em Vitória, manifestantes se reuniram em frente à Assembleia Legislativa, na Enseada do Suá, para protestar contra a PEC da Impunidade e contra o Projeto de Lei da Anistia. A mobilização contou com apresentações do cantor capixaba Silva e do grupo Regional da Nair.
O governador Renato Casagrande (PSB) publicou em suas redes sociais seu posicionamento com relação à PEC da Impunidade: “Hoje, o Brasil se une contra privilégios e injustiças. Não à impunidade, não à blindagem”, escreveu o governador na tarde de domingo.
No sábado (20/09), Casagrande, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), defenderam, em entrevista ao Blog do Elimar Côrtes, que a PEC que dá privilégios a parlamentares na esfera criminal da Justiça seja revista no Senado, para onde foi encaminhada depois de aprovada pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (17/09).
O presidente do PT no Espírito Santo, o deputado estadual João Coser, participou das manifestações na Enseada do Suá e avaliou o ato como positivo para a democracia do País:
“Reunimos movimentos sociais, partidos políticos, centrais sindicais, a classe artística, e toda a população capixaba, que reuniu para protestar com muita garra e determinação contra a PEC da Blindagem e a anistia. Estou muito feliz e agradecido a todos que se uniram a nós nesse movimento fantástico. Com certeza este dia vai entrar para a história como um marco em defesa da democracia e da justiça. De nossa parte, a bancada do PT no Congresso, nossos deputados estaduais e nossos vereadores e vereadoras estaremos sempre ao lado do povo brasileiro. Somos contra a anistia, contra a PEC da Blindagem e vamos continuar de prontidão nas ruas e nas redes”, afirmou Coser.
Cerca de 42,4 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, para protestar contra a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e a chamada PEC da Impunidade. A estimativa de público é do Monitor do Debate Político no Meio Digital, vinculado à USP (Universidade de São Paulo).
Na capital paulista, os manifestantes contrários ao PL da Anistia e à PEC da Bandidagem levaram uma grande bandeira do Brasil. O gesto se contrapõe ao protesto realizado no mesmo local em 7 de setembro por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, que estenderam uma grande bandeira dos Estados Unidos.
Milhares de pessoas ocuparam a Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, para protestar. De acordo com os cálculos do Monitor do Debate Político no Meio Digital, vinculado à USP), 41,8 mil pessoas estiveram no ato em Copacabana. Aos gritos de “Sem Anistia” e “Viva a democracia”, os manifestantes se reuniram na altura do Posto Cinco para escutar os discursos de lideranças políticas e assistir aos shows dos cantores Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, entre outros.
Caetano Veloso disse, durante o ato musical, que a democracia no Brasil resiste. Segundo ele, a cultura nacional apresenta grande vitalidade: “Não podemos deixar de responder aos horrores que vêm se insinuando à nossa volta”. Gilberto Gil lembrou que o Brasil já passou por momentos semelhantes em sua história. “Passamos por momentos parecidos sempre em busca da autonomia, o bem maior do nosso povo”, afirmou.
Em Salvador, milhares de pessoas se concentraram no bairro da Barra, na beira da praia, onde a cantora Daniela Mercury se apresentou para o público. “Bandidagem não é com a gente”, disse a artista baiana. O ato contou ainda com o ator Wagner Moura, que também cantou, além de elogiar o julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.
“Eu fiquei com vontade de falar só do momento extraordinário pelo qual passa a democracia brasileira, que é exemplo para o mundo inteiro. A gente que sempre cresceu dizendo que nossa democracia é frágil, que ela é jovem. Nossa democracia botou para ‘lenhar’ [para quebrar]”, disse Wagner Moura.
Em Belo Horizonte, uma multidão ocupou as ruas do centro da cidade, em concentração na Praça Raul Soares, com gritos de “sem anistia para golpistas”. O ato também contou com apresentação de artistas, entre elas, a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.
No Recife, o ato começou por volta das 14 horas, na Rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, com o desfile do bloco de frevo Eu Acho é Pouco, com uma das mais tradicionais orquestras do carnaval de Olinda. Grupos de maracatu também marcam presença no ato.
A capital paraibana João Pessoa também fez um protesto nesse domingo, com gritos de “Fora, Hugo Motta”, que é um deputado federal paraibano e preside a Câmara dos Deputados. O parlamentar foi um dos principais alvos dos protestos pelo seu papel de pautar a votação que aprovou a PEC da Blindagem na Casa.



