Ele já foi a cara do Globo Esportes, voz marcante nas Rádios Espírito Santo e Gazeta por vários anos atuando como repórter esportivo. Já frequentou diversas praças esportivas pelo mundo afora fazendo coberturas jornalísticas. Esta é a história do capixaba Jorge Buery, que, na segunda-feira (01/09), completou 46 anos de jornalismo esportivo.
Torcedor do Rio Branco e do Flamengo, desde criança Jorge Buery tinha outra grande paixão: o rádio. Ainda menino, acompanhava seu saudoso pai, Jorge Buery Sobrinho, nos estádios para ver o Capa Preta jogar. Estava sempre com um radinho de pilha colado ao ouvido para ouvir seus grandes ídolos – com quem iria trabalhar no futuro –, como os narradores Horácio Carlos, Ângelo Ribeiro, o comentarista Clóvis Mendonça, o repórter Oscar Júnior, dentre outros.
Ainda na adolescência, Buery passava os dias conversando com sua mãe, dona Léia, a quem mostrava o desejo de, um dia, trabalhar como repórter esportivo. E coube à dona Léia pedir a Oscar Júnior – que era vizinho de prédio e amigo da família Buery – convidar o menino ‘Jorginho’ para trabalhar no extinto jornal O Diário. Era setembro de 1979 e lá foi aquele jovem de 18 anos assinar a coluna ‘Lateral’, na Editoria de Esportes de O Diário. Daí, não parou mais. (Ao lado, Buery está ao lado de Oscar Júnior, apresentando o progranma Esportes em Primeiro Plano, da Rádio Espírito Santo).
“De fato, considero o mês de setembro de 1979 o início de minha caminhada profissional no jornalismo, no lendário jornal O Diário, indicado por Oscar Júnior, meu padrinho na profissão e grande amigo”, diz Jorge Buery.
Em dezembro do mesmo ano, ele conseguiu o registro profissional provisório de jornalista, junto ao Sindicato dos Jornalistas do Estado do Espírito Santo, fundado naquele mesmo mês pelo lendário Rogério Medeiros e outros profissionais:
“E fui trabalhar no jornal A Tribuna. Já em 1980, comecei na Rádio Espírito Santo, tendo também o registro de radialista. Dupla jornada, duplo salário. As coisas começavam bem para um jovem de 19 anos e estudante de Ciências Contábeis e depois Administração. Larguei tudo para ter o diploma obrigatório de jornalista, fazendo a Faculdade de Comunicação, na Ufes”, recorda Buery, que é da turma do segundo semestre de 1983.
Na Rádio Espírito Santo, o jovem repórter Buery fez sua estreia num jogo internacional. Aconteceu em 7 de junho de 1980, no Estádio Engenheiro Araripe, em Jardim América, Cariacica. Foi entre Vitória e Saint Mirren, da Escócia, que derrotou o alvianil capixaba por 1 a 0.
Ainda em 1983, ele foi para a Rádio Gazeta AM, levado por Olívio Cabral, e participou da fundação da emissora naquele mesmo ano. Lá, Buery trabalhou ao lado de outras feras da comunicação esportiva, como Ademir Cunha, Ferreira Neto, Riu Monte, Dárcio Campagnoli e outros.
Anos mais tarde, Jorge Buery foi contratado para trabalhar no jornal A Gazeta, a convite do editor de Esportes, Álvaro Silva, e, em 1987, foi levado por Abdo Chequer para ser o editor e apresentador do tradicional programa Globo Esporte, na TV Gazeta: “Lá também criamos o Estação Esporte, um programa de transmissões esportivas inéditas, ao vivo, e reportagens especiais. Fizemos história, ao lado de uma grande equipe. E por ali fiquei até 2016, um ano depois de ter me aposentado. Foram 33 anos na Rede Gazeta.”
Na sequência, Buery fundou o Nosso Jornal, com o jornalista Danilo Salvadeo, e assumiu a direção geral da Rádio Espírito Santo. E, ao lado do radialista Geraldo Magela, criou o ‘site’ de notícias Movimento On Line: “Depois, fui comentarista esportivo da TV Capixaba, do portal ES Hoje e, atualmente, estou na equipe de Esportes da TVE e Rádio Espirito Santo”, orgulha o jornalista, ao lado dos amigos Elimar Côrtes, Orscar Júnior e Wilson Caulite.
Experiências
Jorge Buery teve muitas e boas experiências durante esses 46 anos de jornalismo esportivo: “Duas Copas do Mundo de Seleções e um Mundial de Clubes, a Olimpíada no Brasil [2016], Jogos Pan-Americanos, Eliminatórias, Brasileirões, Libertadores, Cariocas, e uma infinidade de Campeonatos Capixabas. Vendo de tudo um pouco.”
Buery fala também do aprendizado que ganhou com o jornalismo esportivo:
“Convivi com grandes craques do futebol e outros que também tentaram, mas sem conseguir o estrelato. Talvez, com estes últimos, eu tenha aprendido as maiores lições. Certa vez, ao terminar o treino do Rio Branco, um jogador, com salários atrasados, me pediu dinheiro da passagem de ônibus para voltar pra casa. Vida dura. Vi ali a oportunidade de ajudar, mas também a triste realidade de quem arrisca seus sonhos nos gramados e nem sempre consegue deslanchar. Aprendi que com a maioria dos atletas brasileiros é desse jeito mesmo. Poucos ganham muito. E muitos ganham pouco”, resigna-se Jorge Buery, que, em sua vitoriosa trajetória no jornalismo esportivo, sempre implementou a marca da seriedade e da credibilidade junto aos colegas, ouvintes, telespectadores e leitores.



