O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, se reuniu na manhã de sexta-feira (14/03) com dirigentes de quatro entidades de classe dos policiais e bombeiros militares com a finalidade de discutir os desafios da segurança pública e o futuro do município e do Espírito Santo. Euclério e os dirigentes entendem que as ações desenvolvidas no âmbito do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, do Governo do Estado, têm sido fundamentais para a redução da violência. Porém, acreditam que o tema ‘segurança pública’ tem que estar sendo diariamente debatido pela sociedade e as autoridades.
Participaram do encontro com o prefeito os presidentes da Associação das Praças da PM e do Corpo de Bombeiros (Aspra), sargento Jackson Eugênio; da Associação dos Bombeiros Militares (ABMES), 1º tenente Emerson Santana; da Associação dos Subtenentes e Sargentos (Asses), capitão Neucimar de Amorim; e dois dirigentes da Aspomires, capitão Pontes e sargento Lugão.
“Discutimos os desafios da segurança pública e o prefeito Euclério Sampaio tem sido parceiro das forças policiais capixabas”, disse o presidente da Aspra, sargento Eugênio. Vale registrar que Euclério, que já foi deputado estadual por cinco mandatos, é investigador de Polícia aposentado.
Eugênio lembra que o prefeito Euclério abriu as portas do Projeto Político Militar (PPM) desde seu primeiro mandato à frente do Executivo Municipal de Cariacica, iniciado em 2021. O PPM apoiou a primeira eleição e a reeleição de Euclério.
Na conversa com os dirigentes de classe da PM e do Corpo de Bombeiros, o prefeito abordou também o cenário político no Estado, falando, inclusive, das eleições que vão ocorrer em 2026. Euclério deixou claro para os interlocutores que é importante respeitar o posicionamento do governador Renato Casagrande (PSB), que já colocou que o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) é o candidato natural para sua sucessão no próximo ano. O prefeito afirmou ainda para os dirigentes classistas que Casagrande é o comandante do processo sucessório em 2026.
No entanto, vale registrar que o próprio Renato Casagrande já disse em entrevista à imprensa que outros nomes, que são seus aliados, também têm o direito de vislumbrar a sua sucessão. São eles: Euclério Sampaio; o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos); e o ex-prefeito da Serra e atual secretário de Estado de Desenvolvimento, Sérgio Vidigal (PDT).
O prefeito Euclério Sampaio reforçou que ele e os dirigentes de classe da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros não discutiram as eleições de 2026. “Só falamos de segurança pública e da importância para o futuro do Espírito Santo se o grupo político liderado pelo governador Renato Casagrande permanecesse à frente do Executivo Estadual. Já estamos falando sobre isso há algum tempo, pois o Estado não pode parar”.
O presidente da Aspra frisou que nas eleições municipais de outubro de 2024 os candidatos apoiados pelo Projeto Político Militar obtiveram mais de 200 mil votos, entre eleitos e não eleitos. “Este grupo tem força e deixamos claro que nossa maior preocupação é com a possibilidade da volta do ex-governador Paulo Hartung a comandar de novo o Estado. Seria, a nosso ver, um retrocesso político e social. Posso afirmar que, nós profissionais da segurança pública, tememos a volta do Hartung”, disse o presidente da Aspra, sargento Eugênio.
Em seus três mandados como governador do Espírito Santo – 2003/2006, 2007/2010 e 2015/2018 –, Paulo Hartung teve dificuldade de implementar uma política propositiva na área da segurança pública. Na maioria das vezes, porque seus secretários da Segurança não tinha a ideia de como agir. Enfrentou diversas crises, como o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho – logo no início da gestão, em abril de 2003 –, incêndios a ônibus, rebeliões nos presídios, grampo telefônico contra a Rede Gazeta – feita dentro da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social.
No segundo mandato, Hartung teve que pedir ao Governo Federal a vinda de tropas do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública para o Estado, tamanha era a crise, sobretudo, por conta de incêndios a ônibus realizados por organizações criminosas dominadas por traficantes. No penúltimo ano de seu segundo mandato, em 2009, sua gestão registrou 2.034 assassinatos em apenas 12 meses – a maior marca da história do Estado.
No terceiro mandato, a crise explodiu em 3 de fevereiro de 2017, quando familiares de policiais militares protestaram em frente à sede da Companhia da PM do bairro Feu Rosa, na Serra. Nenhum carro saiu da unidade. Na manhã seguinte – num sábado –, as demais unidades da PM de todo o Estado começaram a ser fechadas pelos familiares dos policiais, que reivindicavam melhoria salarial. Foram 22 dias de terror e pânico em todo Espírito Santo, com mais de 200 assassinatos no período, além de saques e assaltos em plena luz do dia. Em 25 de fevereiro, mulheres e familiares desocuparam as entradas dos quartéis, pondo fim ao aquartelamento.
“Não podemos mais enfrentar esse retrocesso”, resumiu sargento Eugênio.



