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Uma denúncia apresentada na tribuna da Câmara Municipal de Vitória colocou a atual cúpula do Executivo da Capital sob os holofotes e levantou questionamentos sobre a conduta ética de servidores nomeados na gestão do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e mantidos pela atual prefeita, Cris Samorini (PP). O vereador bolsonarista Dárcio Bracarense (PL) recebeu fotos mostrando Luciano Forrechi, que acumula os cargos de secretário Municipal de Governo e com o de secretário Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid), passeando numa lancha de luxo do empresário Alessandro Eller, presidente do Instituto de Gastronomia, Cultura e Turismo Panela de Barro, que tem contratos de fornecimento de alimentos para festas institucionais promovidas pela Prefeitura de Vitória.

O empresário – ele é milionário famoso chef de cozinha a apresentador de TV – também estava no mesmo passeio pela Baía de Vitória, que contou ainda com a presença do secretário-executivo da Semcid, Diego Silva Fizzera Delboni. Dárcio utilizou seu tempo de discurso na sessão de quinta-feira (25/06) para expor o caso, classificando o episódio “como uma grave evidência de proximidade inadequada entre agentes públicos e um fornecedor privado do Executivo”.

Na manhã desta sexta-feira (26/06), Dárcio Bracarense falou rapidamente com o Blog do Elimar Côrtes, pois estava acabando de chegar nos Estados Unidos e tinha que se deslocar imediatamente de trem para outra cidade:

“Recebi as fotos mostrando agentes públicos municipais no barco do fornecedor da Prefeitura. Elas estão também nas redes sociais. Esse tipo de conduta depõe contra nosso próprio trabalho”, explicou o vereador, que havia embarcado para os EUA logo depois da sessão de quinta-feira.

De acordo com as acusações, o uso da embarcação de alto padrão configura um potencial conflito de interesses, dado o volume financeiro dos contratos que o empresário em questão possui com a municipalidade.

Em 16 de julho de 2025, Luciano Forrechi, que já respondia pela Semcid na gestão do então prefeito Pazolini, assinou contrato com o Instituto Panela de Barro para prestação de serviços da empresa de Alessandro Eller para o Festival de Gastronomia do Samba – Dos Pratos a Palco, no valor de R$ 250 mil. Este evento foi realizado entre os dias 18 e 20 de julho do ano passado, no Centro de Vitória, no estacionamento ao lado da Praça Getúlio Vargas, na Beira-Mar.

O mesmo evento, também organizado pelo Instituto Panela de Barro presidido por Alessandro Eller, ganhou a segunda versão em 25 de março de 2026, quando Vitória ainda era governada por Pazolini – ele renunciou ao cargo em abril, para disputar o Governo do Estado, e foi substituído pela vice, Cris Samorini.

Outro contrato, no valor de R$ 195.155,80, e celebrado pelo secretário Luciano Forrechi, é de 01 de abril de 2026, no mesmo dia em que Pazolini renunciou ao cargo de prefeito. Por este contrato, o Instituto Panela de Barro prestou serviços no 21º Festival da Torta Capixaba, realizado na Ilha das Caieiras durante a Semana Santa.

Em seu pronunciamento na sessão de quinta-feira, o vereador Dárcio Bracarense criticou a gestão de Cris Samorini, acusando-a de sofrer forte pressão política e de nunca ter tido a verdadeira autonomia política e administrativa.

“A prefeita Cris Samorini se encontra em uma posição de vulnerabilidade institucional, onde as decisões da municipalidade parecem ser ditadas por forças externas e arranjos partidários, esvaziando o poder de comando da chefe do Executivo”, acusa Dárcio Bracarense.

Nos bastidores da política, é sabido que quem administra a cidade de Vitória, de fato, é o próprio Pazolini e o presidente da Executiva Estadual do Republicanos, o ex-deputado estadual Erick Musso. Na foto, aparece também o chefe de duas secretarias municipais, Luciano Forrechi.

O vereador Dárcio Bracarense também enfatizou a falta de controle da prefeita sobre o próprio secretariado:

“Eu não falei nada contra a senhora, porque eu sei que a senhora hoje não detém o controle da Prefeitura. Ainda, eu acredito que seja um processo de transição, até porque os seus secretários não são seus. Não foi a senhora que nomeou. Eventualmente a gente vê notícias que eles estão passeando de lancha com algum empresário que presta serviço no município de Vitória, o que é muito ruim para essa Casa, que depõe contra o nosso trabalho. O que é uma vergonha”, disparou.

Após a fala do parlamentar, nenhum outro vereador reconheceu a necessidade de uma apuração sobre o teor do encontro e a natureza da relação entre os secretários e o contratado da prefeitura. O episódio pode tipificar o recebimento de vantagens, favores ou o usufruto de bens de empresas que possuem interesses financeiros junto ao erário público, o que viola os princípios da moralidade e da impessoalidade previstos no artigo 37 da Constituição Federal.