10 de setembro de 2025. Palavras do presidente da Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado (Aspra/ES), sargento PM Eugênio Silote, ao Blog do Elimar Côrtes: “Repito que o maior responsável pela crise daquele fevereiro de 2017 é do ex-governador Paulo Hartung”.
04 de maio de 2026. Palavras do presidente da Aspra/ES), sargento PM Eugênio Silote, a uma página no Instagram identificada como Espírito Santo Informações, que integra uma rede de mídias que atuam em favor da Prefeitura de Vitória: “Estamos focados em construir uma chapa forte que realmente entenda os anseios da nossa categoria e da sociedade capixaba”.
A primeira fala do presidente da Aspra se refere a fevereiro de 2017, quando, por 22 dias, policiais militares do Espírito Santo se aquartelaram, num movimento que iniciou pelos familiares dos policiais, que bloquearam as entradas e saídas das unidades da PM em odo o Estado. Naquele fevereiro sangrento, pelo menos 224 pessoas foram assassinadas; cinco PMs se suicidaram; ataques em plena luz do dia a comércio; assaltos a ônibus; e até assalto ao Convento da Penha, o maior monumento religioso cristão do Estado. Leia mais aqui o que sargento Eugênio falou de Paulo Hartung.
A segunda fala do sargento Eugênio aconteceu na segunda-feira (04/05), quando ele anunciou que vai se filiar ao Republicanos para disputar uma vaga de deputado estadual. Trata-se do mesmo partido do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, que é afilhado político do ex-governador Paulo Hartung (PSD), o mesmo apontado por Eugênio como principal responsável pela maior crise na segurança pública capixaba toda a história. Hartung é aliado de Pazolini e o apoia a disputar o cargo de governador este ano.
O presidente da Aspra e demais militares que queiram disputar as eleições deste ano têm até junho para se licenciar e se filiar a um partido político. No caso do sargento Eugênio, colegas de diretoria da entidade avaliam que ele deveria ter renunciado ao cargo de presidente para se sentir mais à vontade no apoio a qualquer candidato a governador, evitando, assim, manchar o nome da Aspra em apoiar o candidato Pazolini, afilhado político Hartung: “Ele tomou uma decisão sem ouvir a Aspra”, lamentou a diretora da entidade, a cabo Lorena Nascimento.
O governador Ricardo Ferraço (MDB) também falou sobre o assunto, depois de participar do evento de entrega de 51 das 115 novas viaturas à Polícia Militar, no Quartel do Comando Geral da PM, em Maruípe, Vitória. Em entrevista exclusiva ao Blog do Elimar Côrtes, Ricardo ponderou que a própria Bíblia ensina que as pessoas têm o livre arbítrio para tomar decisões. No entanto, salientou que cabe à diretoria da Aspra concluir se, de fato, a entidade pode ser usada como instrumento para satisfazer interesses pessoais de seus dirigentes:
“A Bíblia fala que Deus dá a cada um de nós o livre arbítrio, para que as pessoas possam fazer as suas escolhas. As pessoas fazem as suas escolhas e cabe a nós respeitarmos as escolhas que elas fazem independente de reconhecerem ou não aquilo que foi feito. A Bíblia também fala que muitos foram curados e somente um voltou com o dever e exercício da gratidão. Mas o meu papel é de respeitar a decisão de todo e qualquer capixaba, mas enfatizando aqui aquilo que a Bíblia orienta, que é a capacidade do livre arbítrio das pessoas fazerem as suas opções. Cabe a Associação identificar se de fato a associação pode estar a serviço de projetos pessoais ou se a entidade deve servir ao interesse de sua base, ao conjunto de sua corporação. Portanto, é uma reflexão que quem deve fazer é a associação.”
Diretora Social da Aspra, a cabo Lorena Nascimento se manifestou nas redes sociais. Afirmou que, ao anunciar apoio a Pazolini, candidato de Hartung ao governo do Estado, Eugênio tomou uma decisão pessoal. Segundo ela, a decisão do sargento-presidente “não representa necessariamente o posicionamento da diretoria e muito menos o pleno sentimento de toda a tropa da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros”.
A cabo Lorena Nascimento disse mais: “A Aspra é uma entidade independente e que não pode ser utilizada como instrumento de articulação política ou moeda de troca para projetos pessoais. Respeito decisões individuais, mas se esse movimento vier a ser tratado como movimento institucional, deixo aqui, de forma transparente, eu sou contrária.”
Lorena Nascimento deixa, inclusive, seu pensamento individual. Para ela, o mais importante para a categoria seria a continuidade de um governo – anteriormente liderado por Renato Casagrande e agora por Ricardo Ferraço – que vem atuando com eficácia na segurança pública. Segundo a policial militar, o outro projeto político, liderado pela dobradinha Pazolini/Hartung, significa um retrocesso:
“Acredito na continuidade do que vem sendo construído na segurança pública do Estado. Ainda temos muito do que avançar, mas é inegável que houve avanços nos últimos anos. O que a tropa precisa hoje não é de retrocesso; é de estabilidade, valorização e continuidade”, concluiu a cabo Lorena Nascimento.



